Blog do José Cruz

Arquivo : fevereiro 2014

Medo de apagão faz a Fifa abrir o cofre
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José Cruz

No país do futebol escancarou-se o que significa esse megaevento, que garante arrecadação de R$ 10 bilhões para a Fifa e endividamento para os cofres públicos

Bastou um “aviso” no fim de semana de que Curitiba ficaria fora da Copa, como noticiou a imprensa estrangeira, que os políticos de plantão se mobilizaram e conseguiram “empréstimo” de R$ 65 milhões para o Atlético-PR concluir o estádio. Tudo como estava anunciado, há anos…

Outro lado

As mudanças no comportamento da Fifa frente aos compromissos do Estado começam já no Mundial no Brasil.  Por pressão popular, é preciso reconhecer. Depois dos movimentos de rua, no ano passado, a turma da Suíça sabe que a turma que ficará fora dos estádios não está brincando.

Agora, ao observar a disputa interna entre governos estaduais, municipais e clubes para o pagamento das instalações temporária o secretário da Fifa, Jérôme Valcke anunciou a liberação de R$ 47 milhões para ajudar na contratação de geradores de energia.

Com estádios prontos a bola poderia rolar, mesmo sem “instalações temporárias”. Estamos no Brasil e um “jeitinho”… resolveria o problema.

Mas sem energia, os riscos seriam enormes, comprometendo as relações com poderosos patrocinadores na transmissão de imagens mundo afora. O próprio Valcke reconheceu o  perigo no país do apagão.

O que temíamos era não dispor da energia. Não há Copa sem energia. Nós intervimos porque era a melhor maneira para a transmissão dos jogos, e assim não haveria problemas às vésperas do torneio”, disse Valcke, ontem, em Florianópolis.

Mudanças

Há duas semanas escrevi que depois da Copa no Brasil a Fifa não seria mais a mesma nos próximos Mundiais. Também mudará o comprometimento dos governos, com certeza. Estão todos de olho no que ocorre por aqui: enriquecimento de um lado, inclusive com absurdas isenções fiscais, e gastança públicas sem limites para garantir as exigências de “padrão Fifa”. 

Ainda há tempo para rever as exigências olímpicas para os Jogos Rio 2016. O desperdício do Pan 2007 e os abusos na Copa 2014 são alertas pra lá de oportunos.


PDT presidirá a nova Comissão de Desporto
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José Cruz

Dez anos depois de ter sido criada, a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados  se divide e, a partir de agora, cada segmento seguirá carreira solo.

A decisão foi tomada nesta terça-feira pelos líderes partidários, quando também foram definidos os partidos que presidirão as demais comissões temáticas (Agricultura, Educação, Constituição e Justiça etc).

A presidência da nova Comissão de Desporto ficará com o PDT, que nesta quarta-feira realizará uma prévia para definir quem será o candidato, entre os deputados Damião Feliciano (PB), Marcelo Matos (RJ) E Paulo Rubens Santiago (PE). O indicado será candidato único e terá eleição garantida, conforme acordo prévio entre os partidos.  Já a Comissão de Turismo será presidida por um deputado do PP.

O desmembramento da Comissão de Turismo e Desporto ocorreu para contemplar o maior número de partidos. Porém, isso implicará na criação de uma nova estrutura funcional.

O mandato dos presidentes de comissão é de um ano, proibida a reeleição e com alternância partidária garantida. A primeira reunião oficial da nova Comissão de Desporto deverá ocorrer após o Carnaval.

Saiba mais:

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/02/18/pt-presidira-quatro-comissoes-da-camara-em-2014-veja-distribuicao-por-partido.htm


A Copa dos espertos
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José Cruz

Na quinta-feira, os soberanos da Fifa discutirão com o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e com o presidente do Internacional, Giovani Luiggi, quem pagará a conta das “instalações temporárias” (R$ 40 milhões), nos arredores do estádio, para mídia, voluntários etc.

Coincidentemente, a presidente Dilma Rousseff estará em Porto Alegre, na quinta. E é para ela que cartolas e políticos das 12 cidades-sedes querem empurrar essa conta. Se os cartolas baterem o pé, o governo terá que ceder. Afinal, de quem é o aval maior para receber a Copa?

Enquanto isso…

É bom lembrar que, ao aprovar a Lei Geral da Copa, o Congresso Nacional beneficiou a Fifa e suas subsidiárias com isenções fiscais. Isso quer dizer que o governo da presidente Dilma, que sancionou a tal lei, deixará de arrecadar em torno de R$ 1 bilhão.

Lucro

Como já foi noticiado, uma projeção da empresa de consultoria e auditoria, BDO, indica que a Copa 2014 renderá cerca de R$ 10 bilhões à poderosa Fifa.

E nós aqui, preocupados porque o contribuinte pagará R$ 480 milhões, nas 12 sedes, só de instalações temporárias.

Quanta bobagem por tão pouco, não é mesmo?


Copa 2014: futebol & políticos, tudo a ver
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José Cruz

O atraso na obra do estádio do Atlético-PR motivou manifestações de autoridades do governo, em tom de deboche, lembrando que isso ocorre em Curitiba, capital-modelo, com trânsito e transporte públicos exemplares e ótima qualidade de vida. Lembram na rede social que a imprensa criticava os atrasos em Natal, Mato Grosso etc, hoje confirmados, enquanto o Atlético-PR está aí, ainda de pires na mão …

Mas as mesmas autoridades não dizem a que custo a maioria dos estádios chegou ao fim, qual o comprometimento dos governos municipais e estaduais em seus orçamentos para honrar o compromisso com a Fifa.

Enquanto isso…

… o problema mais recentes é: quem pagará a conta das instalações temporárias, outra exigência absurda da Fifa, mas aceita já na candidatura do Brasil?

Construíram estádios enormes, com imensas e luxuosas áreas de circulação e ainda exigem “instalações temporárias”,  ao custo de até R$ 50 milhões? Quem é o esperto que teve essa ideia para faturar fácil dos cofres públicos? Prefeituras e empreiteiras estão nesse rolo?

As prefeituras e governos estaduais deveriam pagar essa conta, mas tentam empurrar a despesa para o governo federal. O tempo passa, o problema persiste e a decisão se afunila. Como o compromisso maior para “entregar o país pronto” para a Copa é do Governo Federal…

Por isso, não tenham dúvidas: se o Brasil conquistar a Copa, logo surgirão propostas de deputados e senadores para que o governo federal “perdoe” os contratos de empréstimos junto ao BNDES e Caixa Econômica. E  o projeto passará com folga! É para isso que também servem os cartolas-deputados de plantão no Congresso Nacional. Será a repetição do que já fazem com o Proforte, projeto para anistiar a dívida fiscal dos clubes. Portanto, não duvidem. Futebol e políticos têm tudo a ver.


A bronca de Rivelino
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José Cruz

Com dúvidas sobre as condições físicas de Fred, o ex-craque Rivelino, campeão do mundo em 1970,  está assustado com a falta de atacantes no Brasil, a um mês de Felipão fechar a lista para a Copa do Mundo.

“Só tem o Neymar que pode fazer a diferença”, afirmou, lembrando que já fomos famosos na produção de craques que fizeram história, mundo afora. “O Brasil sempre teve dois ou três jogadores diferentes na frente e, hoje, não temos centroavates. A safra é muito ruim”.

Esta queda na formação de talentos é, segundo Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, um dos problemas que repercute nos campeonatos de baixíssimo nível técnico e desinteresse do torcedor para ir ao estádio. O “fenômeno” é mais um no rol das mazelas que o futebol profissional. Ferreira listou as outras: calendário ruim, violência e insegurança, clubes insolventes, estádios vazios e, claro, “queda na formação de talentos”.

Negócios

Ocorre que a venda de jovens talentos para o exterior é uma das fontes de recursos para os clubes de futebol.  Muitos, os com perfil de atacantes, inclusive, saem cedo, não chegam a conhecer nossa realidade profissional.

E isso é se deve, também, às facilidades da Lei de Incentivo ao Esporte. Muitos clubes captam recursos oficiais  –  o São Paulo F.C é campeão –  para suas escolhinhas. E já com 16 ou 17 anos os garotos são vendidos para o exterior, recheando o bolso do empresário e a conta da iniciativa privada.

Estou colecionando informações e logo escreverei sobre isso. Mas a bronca de Rivelino faz sentido e passa, com certeza, por este processo de nossa “profissionalização”.


Viva a Copa, num só ritmo…
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José Cruz

Na semana passada, depois de um blecaute em 12 estados, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão – que já era assessor governamental no regime militar – garantiu que o país não corre risco de apagão. Ontem, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico admitiu dificuldades no suprimento de energia e alertou que seria bom que o governo reconhecesse esse risco, como registram os jornais, hoje.

Está explicado porque a Fifa exige que cada um dos 12 estádios da Copa tenha dois potentes geradores – pagos com verbas públicas –, um para a iluminação do gramado e outro para garantir a geração das imagens de TV, em caso de apagão, cujo risco, agora, é real.

Já imaginaram a fúria dos patrocinadores e o prejuízo da Fifa, Blatter e companhia ficar sem as imagens do Mundial por falta de energia no Brasil? Bah!

Insegurança

Na quarta-feira, uma multidão do MST tentou invadir o Palácio do Planalto. Pediam “reforma agrária”.

Sem capacete, mas com boné de passeio, meia dúzia de policiais militares tentava conter a os invasores. Em minoria, a “segurança” seria massacrada, não fosse a determinação de um grupo do próprio MST em proteger os policiais.

A foto divulgada pela Folha, ontem, mostrava os policiais abraçados, agachados e acuados – muitos foram gravemente feridos – protegidos pelas bandeiras vermelhas dos agressores.

A segurança ficou de joelhos na frente da sede do Poder da República!

A quatro meses da realização da Copa do Mundo  – com Brasília sendo uma das sedes – os manifestantes protegem a polícia! Que tal?

A situação foi tão ameaçadora que a segurança presidencial não deixou Dilma Rousseff sair do Palácio da Alvorada, onde mora. Apreensivos, os ministros do Supremo Tribunal Federal, em frente ao Planalto, suspenderam a sessão. Alguns até brincaram ao dizer que a torcida do Internacional estava na Praça dos Três Poderes. Engraçadinhos ou debochados?

Esse fato mostrou como a população de Brasília, em geral, está exposta à violência diária, com roubos e assassinatos crescendo como nunca. Ora, se nem a sede do poder central está segura, o que dizer do povão? .

E é aqui que receberemos e teremos que dar proteção para seleções estrangeiras, governantes e suas comitivas, corpo diplomático etc.

Estaciona aí…

Na quarta-feira, levei 50 minutos de voo entre Curitiba e São Paulo. Já em Guarulhos, o piloto esperou 1 hora e 10 minutos por um estacionamento. E os passageiros lá dentro, calmíssimos….

O que conforta é que os aeroportos estão em obras. Para a Copa, num só ritmo.

E agora, vai?


Proforte fracassa. Vem aí nova proposta
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José Cruz

De todos os jogos realizados no Brasil em 2013, em competições internacionais, nacionais, regionais, e estaduais, a média de público foi de 4.771 torcedores, apenas 26% de ocupação da capacidade dos estádios. A última vez que o Campeonato Inglês teve média de público como essa no Brasil foi em 1904!

Depois da exposição de dois consultores em administração e marketing do futebol a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que debate sobre a dívida fiscal de R$ 4 bilhões dos clubes mudou de rumo e deverá apresentar nova proposta ao Projeto de Lei 6753/13.

Com base em números oficiais dos balanços financeiros dos clubes o paulista Amir Somoggi disse que o maior endividamento é de empréstimos bancários. Em 2013, os 20 principais clubes do Brasil pagaram R$ 300 milhões de juros, além de compromissos com a Justiça do Trabalho. Os empréstimos servem para contratar jogadores, mas comprometem a capacidade de pagamento dos clubes.

“O proforte resolverá estes problemas”? –  indagou Amir. “O mercado do futebol deve se preparar para andar com as próprias pernas e para isso é preciso um modelo de gestão profissional. Caso contrário, daqui a dez anos estaremos novamente debatendo como o governo poderá ajudar o futebol”, defendeu.

Segundo Amir, a gestão melhorou nos últimos anos, mas ainda estamos ruim, com conceitos errados de gestão, clubes maus-pagadores que passam a imagem de que o futebol não é um ambiente sério e isso afasta os investidores. “Precisamos mudar esta imagem”, defendeu.

Estarrecedor

Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, também apresentou alguns motivos que mostram o fracasso na atual gestão dos clubes: calendário ruim, baixa qualidade dos jogos, queda na formação de talentos, violência e insegurança nos estádios, clubes insolventes e estádios vazios. Essa realidade desmotiva o torcedor.

Em 2013, de todos os jogos realizados no Brasil em competições internacionais, regionais, nacionais e estaduais a média de público foi de 4.771 torcedores, isto é, apenas 26% de ocupação da capacidade dos estádios.

“A última vez que o Campeonato Inglês teve média de público como esse no Brasil foi em 1904!” – disse Fernando Ferreira. O relatório da Pluri Consultoria está aqui

Os números apresentados por Amir e Fernando já tinham sido divulgados no final do ano passado, mas surpreenderam os parlamentares, que  aplaudiram a apresentação dos dois consultores, fato inédito na Comissão Especial do Proforte. Os deputados também solicitaram o apoio dos especialistas para a redação do novo texto do projeto de lei.

Para o deputado Romário, que convidou Amir e Fernando para a exposição, “é preciso uma revisão geral no texto do projeto de lei do Proforte. Só continuaria o nome, pois o que temos hoje não serve para nada”, afirmou.

O relator do Proforte, deputado Otávio Leite (PSDB/RJ) reconheceu a gravidade da financeira dos clubes. Responsável pela redação do novo texto do projeto, ele admitiu transformar o Proforte numa “lei de responsabilidade fiscal do futebol, com contrapartidas claras para os clubes beneficiados”.


CBF: “Bandidos, ladrões e corruptos”
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José Cruz

O deputado Romário voltou à carga contra a CBF ao pedir hoje que seu presidente, José Maria Marin, e o seu vice, Marco Polo del Nero  deixem o país, “pois são bandidos, ladrões e corruptos”.

A manifestação foi na Câmara dos Deputados, durante a audiência pública que discutiu sobre o Proforte, projeto de lei que busca solucionar a dívida fiscal dos clubes de futebol. O vice-presidente da CBF para o Centro-Oeste, Weber Magalhães, e o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, deputado Vicente Cândido (PT/SP) ouviram em silêncio a manifestação do deputado carioca.

Voltou a briga contra a CBF? – perguntei ao deputado Romário.

“Não, ela simplesmente continua. Eles (os cartolas) não continuam lá, em seus cargos? Se é assim eu continuarei com minhas críticas”, afirmou o deputado pelo PSB/RJ.

A audiência pública desta tarde, na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi uma aula sobre a trágica realidade das finanças do futebol brasileiro.

Os especialistas em marketing e economia do esporte, Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, e Amir Somoggi, mostraram que os principais problemas do futebol são o “calendário ruim, de baixa qualidade técnica, violência e insegurança nos estádios e clubes insolventes”.

Na próxima mensagem publicarei detalhes das manifestações de Amir Somoggi e Fernando Ferreira.


“AI-5 – Padrão Fifa”
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José Cruz

CAPA DO CORREIO BRAZILIENSE, hoje

“Se virar lei, alertam especialistas, qualquer participante de manifestação contra a Copa, por exemplo, pode ser condenado a até 30 anos de cadeia Governistas têm pressa em aprovar a proposta, mas negam que a intenção seja blindar o Mundial.

A estupidez de black blocs, que culminou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, serviu de pretexto para a pressa do Congresso e do Planalto em aprovar o projeto. Mas o texto de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR) é vago ao definir terrorismo. Tão vago que até integrantes de uma passeata pacífica que parasse o trânsito poderiam ser processados pelo crime.

“Uma briga de torcidas em estádio de futebol poderia ser considerada terrorismo”, observa a advogada criminal Fernanda Tórtima. Mesmo aliado de Jucá, o também senador Humberto Costa (PT-PE) teme a criação de um monstrengo. “O Brasil não precisa de outro AI-5”, diz o petista. Baixado pela ditadura militar em dezembro de 1968, o Ato Institucional n° 5 fechou o Congresso, cassou garantias constitucionais e fortaleceu a linha dura do regime de exceção no país.”


Dívidas e balanços dos clubes de futebol
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José Cruz

Dois mestres em análises das contas financeiras dos clubes de futebol estarão nessa quarta-feira na comissão que debate sobre o perdão da divida dos clubes: Fernando Ferreira, que é o diretor da Pluri Consultoria, e Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva.

A vantagem desses depoimentos é que ambos trabalham com números oficiais, obtidos principalmente nos balanços contábeis anualmente publicados.

Mas já se sabe que muitos valores estão em desacordo com os divulgados pelos órgãos credores, como o INSS e Receita Federal, e é aí que a Comissão terá que atuar para encontrar explicações desse “fenômeno”…. Acompanharei os depoimentos e contarei os detalhes.

Volto a lembrar que essa Comissão Especial é suspeita para tomar decisões tão importantes como perdoar dívidas fiscais formadas ao longo dos anos. Muitos deputados que ali votarão também são cartolas, ou seja, estão legislando em causa própria. Sem qualquer constrangimento usam seus cargos de representatividade popular em benefício de instituições que dirigem. E a ética parlamentar que se lixe!