Blog do José Cruz

Arquivo : fevereiro 2014

Crise no vôlei sugere ressuscitar a CPI do esporte olímpico
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José Cruz

A demissão de Marcos Pina da Superintendência Geral da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) demonstra que as denúncias sobre irregularidades vêm da gestão do presidente Ary Graça, são gravíssimas e envolvem dinheiro público. A consistência dos documentos levantados pelo repórter Lúcio de Castro fez tremer a casa do mais vitorioso esporte brasileiro e do principal banco do país, o do Brasil! A reportagem de Lúcio de Castro está aqui.

A desordem denunciada na atual gestão é continuação da de Ary Graça que, por sua vez, herdou a estrutura montada por Carlos Arthur Nuzman. Uma máquina  de funcionamento tão sigiloso que em 40 anos o poder esteve nas mãos de apenas três pessoas: Nuzman, Ary Graça e Pitombo Larangeira. Pitombo acompanha Nuzman e Ary há décadas.

Laranja?

As irregularidades começam com essa situação mal resolvida da presidência da CBV, em que Larangeira assina como “presidente em exercício”. Isso significa que, mesmo na presidência da Federação Internacional de Voleibol, Ary continua no comando da CBV? Não é estranho essa duplicidade? Aí se configura a tal “ditadura dos cartolas”, que comento seguidamente.

O repórter da ESPN, Lúcio de Castro identificou e comprovou que Marcos Pina, superintendente geral da CBV, tem uma empresa para captar patrocínios e fez isso com excelente remuneração na mais valiosa e histórica parceria, com o Banco do Brasil, onde faturou R$ 10 milhões.

Acompanho há muitos anos as negociações entre cartolas e estatais. E são eles, cartolas, que negociam diretamente com as gerências de marketing das empresas (Banco do Brasil, Caixa, Infraero, Correios etc) e, se preciso com as presidências, aí já com assessorias de políticos.

Portanto é estranho e suspeito que a CBV se socorra de uma empresa para assinar o contrato com o Banco do Brasil, pagando R$ 10 milhões pelo serviço. Nególcio estranho e suspeitíssimo, insisto.

Alerta

Este fato é um alerta para que o TCU e Controladoria Geral da União investiguem as demais confederações beneficiadas por verbas públicas. O governo do PT e o ministério do Esporte nas mãos do PC do B, ambiente de farta e comprovada corrupção aqui denunciada, são propícios a esses negócios ilegais para desviar dinheiro público. O caso do Mensalão, de triste final, é exemplo mais recente e volumoso de como os saques ocorrem sob um manto de “legalidade”.

A Confederação de Basquete e a de tênis estão no olho desse furacão e não podem ser ignoradas na fiscalização rigorosa dos órgãos de governo, assim como todas as outras 22 que recebem patrocínios oficiais.

Furacão e CPI

Este episódio envolvendo Marcos Pina é apenas um ventinho diante do furacão que vem por aí envolvendo as finanças do esporte olímpico, há dez anos sustentado pelo poder público.

As investigações da imprensa estão apenas iniciando. E já se tem esse resultado demolidor. Isso sugere que, além da atuação efetiva do TCU e da CGU, seja ressuscitada a proposta de uma CPI do Esporte Olímpico, engavetada no Senado Federal, há dois anos.

Essa proposta apavora Carlos Arthur Nuzman, mas ele está envolvido na atividade esportiva há décadas. A própria CBV tem hoje o perfil empresarial e promocional que ele deixou lá quando presidiu a entidade, a partir de 1975, há 39 anos…

Demissão em poucas linhas: http://www.cbv.com.br/v1/noticias.asp?IdNot=19508


O esporte e a farsa política
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José Cruz

Paraibano de Campina Grande, o deputado Damião Feliciano assumiu ontem a presidência da nova Comissão de Esporte da Câmara Federal.  Ele é médico, especialista em cirurgia torácica e vascular e já foi secretário de Ciência, Tecnologia e do Meio Ambiente, em seu estado.

Depois de 10 anos integrados, Turismo e Desporto foram divididos para acomodar políticos que votam com o governo e, no caso, o beneficiado foi o PDT.

É o jogo do “toma lá, dá cá”, forma elegante de o governo agradar parlamentares que exigem recompensas para votar de acordo com as ordens do Palácio do Planalto. E isso não é novidade, vem de anos, décadas. PMDB e PDT são beneficiários antigos, pois  cargos partidários no Executivo, principalmente, são riqueza enorme, significa ter o orçamento ministerial sob controle.

Carreira dinâmica

O novo presidente da Comissão de Esporte está na Câmara dos Deputados desde 1999, onde chegou com filiação pelo PTB. De lá até hoje passou por outros cinco partidos, PMDB, PP, PL, PR e o atual PDT. O mandato de um presidente de comissão é de um ano, proibida a reeleição.

As comissões temáticas na Câmara e no Senado – Agricultura, Educação, Constituição e Justiça, Saúde etc – são os pontos de partida para discussões de projetos de leis. Ali também se realizam audiências públicas etc.

Um deputado pode participar de mais de uma comissão. Por isso, é comum ele não estar nunca em nenhuma das duas, pois ainda precisa comparecer às reuniões de plenário, normalmente à tarde, às reuniões de bancada e visitar as bases.

Desperdício

O desperdício da estrutura das comissões no Legislativo e do poder parlamentar para construir uma nova sociedade são reais. As comissões temáticas cumprem etapas na estrutura que legaliza atos do Legislativo, e contam com quadro funcional de qualidade, técnicos qualificados, além de cargos de confiança disputadíssimos.

Para evitar o desperdício, as excelências deveriam criar critérios para ocupar a presidência. Um deputado ou senador só poderia chegar ao cargo, por exemplo, se tivesse participado da mesma Comissão no ano anterior. Um novato ou alheio ao assunto não perderia tempo atualizando-se.

No caso da Comissão de Esporte deveremos ter um ano sem decisões importantes. E, pior, com um calendário atropelado por futebol e eleições, sem discussões que contribuam para mudar a mesmice do nosso esporte que, por sinal, está um caos.

Porque, como disse lá no início do artigo, a prioridade é o interesse partidário-parlamentar. Mas vamos em frente, hipocritamente fazendo de conta que está tudo muito bem.


20 Jogos Eternos do Cruzeiro
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José Cruz

O companheiro Anderson Olivieri, que assina coluna de esportes no Jornal de Brasília, lança nesta quinta-feira,

27 de fevereiro, em Brasília, seu segundo livro,

“20 Jogos Eternos do Cruzeiro”, que conta alguns dos grandes momentos do clube da Toca da Raposa,

como os vividos pelos ídolos Tostão, Dirceu Lopes, Joãozinho, Alex, Sorín, Fábio entre outros craques.

 


Dossiê Vôlei: a busca continua
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José Cruz

Segue a investigação sobre denúncias de irregularidades na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). O trabalho é longo e exige persistência, porque as informações estão escondidas, como convém.

Ironia: o “presidente em exercício” da CBV é Walter Pitombo Larangeiras, assim mesmo, com “g”, quem sabe para disfarçar de “laranja”, porque, na prática, o presidente de direito continua sendo Ary Graça, apesar de ter vencido a eleição para a Federação Internacional de Vôlei em setembro de 2012, há 17 meses, portanto. Ary Graça poderá entregará a renúncia na assembleia de 14 de março. Ele está à frente da CBV há 16 anos. Entrou no lugar de Carlos Nuzman, que saiu para assumir o COB.

Dossiê

Publiquei ontem que o companheiro Lúcio de Castro havia chegado ao dossiê que contém irregularidades na gestão de Ary Graça. Não é isso. O que ele publicou foi resultado de longa investigação própria, de um trabalho que, como afirmei, está apenas iniciando. E, como disse Lúcio em mensagem que me enviou: “A situação do esporte no Brasil e sua cartolagem é tão dramática que não podemos pensar em glórias individuais, furos.” A partir dessa manifestação e como somos amigos de várias coberturas, pedi a ele para publicar a mensagem que me escreveu.

É oportuno para que o leitor tenha ideia de como é dura essa atividade na busca de informações verdadeira que envolve espertos, políticos e muita verba pública. A luta é desigual e o leitor precisa saber sobre isso, também. A mensagem que recebi é a seguinte:

Amigo de tantas jornadas olímpicas, coberturas e palestras por aí, mas acima de tudo amigo na convicção de que no nosso ofício, a busca incessante da verdade que alguns querem esconder é condição fundamental. Escrevo para agradecer as palavras em seu blog no UOL. E também para fazer um breve esclarecimento, se possível. 
 
Já há algum tempo venho apurando coisas do vôlei e outras modalidades.  Em 2012, está no site da ESPN, pedi acesso à informações sobre contratos da CBV com Ministério do Esporte e Banco do Brasil. Juntando coisas. Há 3 semanas, lendo seu blog, vi que a coisa esquentava e estava prestes a explodir. O título “Dossiê Vôlei” não foi dado por mim mas aprovado com louvor, não se referindo especificamente a um dossiê.

Com sua notícia, acelerei. Falei isso na TV. Percorri caminhos habituais de nosso ofício, justiça, cartórios, junta comercial, lei de acesso, Tribunais de Conta, Controladorias, instituições responsáveis por investigações, etc, montando esse quebra-cabeças. Algumas dessas instituições têm investigações em andamento, observando práticas repetidas.

 A reportagem publicada, assim como qualquer outra eventual, é fruto disso, como estão nos documentos reproduzidos, com seus pedidos de vista na justiça, cartórios, juntas, etc.  Realmente já ouvi sobre o tal “dossiê”, o que confirma que seu faro de grande repórter está correto. Infelizmente ainda não tive acesso a esses documentos por qualquer fonte, salvo essas públicas listadas acima.

Seria ótimo, mas até em nome do imenso trabalho que dá ser repórter, apurar, cruzar documentos, buscar em diferentes lugares, devo dizer que, por enquanto, não tive esse dossiê na mão.

Mesmo assim dá pra fazer muita coisa, sempre. Boa parte delas estava em processos da justiça. O que me anima a achar que outros meios de imprensa virão nessa história. A situação do esporte no Brasil e sua cartolagem é tão dramática que não podemos pensar em glórias individuais, furos.

Lamento ainda que, existindo realmente o “dossiê”, não seja divulgado, vazado, por quem quer que seja e tenha ele. Estamos falando de dinheiro oriundo de fontes públicas. Sonegar tais informações estando em poder dela não é o que se espera de quem milita no campo da ética. Faltam Sérgios Macacos no Brasil de hoje. Falta grandeza para que alguns entendam seus deveres como cidadão. Seguimos na luta. Te peço o esclarecimento, se possível.

Abraços,  Lúcio de Castro


Negócios suspeitos no vôlei: o dossiê revelado
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José Cruz

Há três semanas denunciei:

Vitorioso vôlei enfrenta crise institucional”, a partir de um dossiê, até então sigiloso, que investiga a gestão do ex-presidente Ary Graça, agora na presidência da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A propósito, tenho a informação de que Ary Graça ainda não se afastou da CBV. Deverá fazer isso numa assembleia, em março.

O dossiê

No Rio de Janeiro, o repórter da ESPN, Lúcio de Castro, com a experiência de cobertura de várias olimpíadas e eventos internacionais, teve acesso ao tal “dossiê”, que está nas mãos de influentes profissionais do setor, e confirma a denúncia original.

Por enquanto, só existe uma certeza: o fio do novelo dos negócios do vôlei brasileiro começa a ser puxado. Os primeiros movimentos revelam ingredientes de um folhetim daqueles em que ninguém pode dizer ao certo onde vai chegar”, escreveu Lúcio de Castro.

O texto completo da reportagem está aqui.

Público & privado

O esporte como “negócio” é próprio de uma instituição privada, como a CBV. Mas a Confederação de Vôlei recebe patrocínio do Banco do Brasil (R$ 60 milhões em 2012), cerca de R$ 40 milhões anuais da Lei Piva, via Comitê Olímpico, além de outras fontes públicas, como Lei de Incentivo ao Esporte.

Misturam-se os objetivos do esporte olímpico com o “business”, com o espetáculo, e quem está financiando boa parte das despesas é a verba pública, sem que o Ministério do Esporte questione essa dupla função das confederações em geral. Só isso já demonstra a desordem institucional do nosso esporte, o que interessa a muitos, claro.

O “dossiê” é revelado no momento em que o governo da presidente Dilma Rousseff libera alguns milhões de reais a pretexto de “preparação da equipe aos Jogos Rio 2016”.

Insisto: enquanto há investimentos para que o país tenha resultados no megaevento olímpico, negócios milionários correm paralelos, com a participação de muita verba pública.

Uma coisa é a parceria do Banco do Brasil com o vôlei, numa estratégia de marketing de interesse empresarial. Outra é a omissão do Ministério do Esporte na destinação de seu orçamento para o desporto escolar, mas participando de eventos profissionais de alto rendimento que não são competência do Estado.

O dossiê sobre negócios suspeitos no vôlei está apenas começando. É preciso que os órgãos de fiscalização – TCU e CGU – avancem sobre outras modalidades que fazem do esporte  “negócios” lucrativos, como o tênis, o basquete, o handebol, por aí vai. Com certeza isso mostrará que essa prática é antiga, muito antiga, e vai bater em gestões de anos remotos…

Imagina nos Jogos!!!


Crise anunciada no basquete, mas com grana garantida
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José Cruz

O secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, declarou que poderá rever a liberação de recursos financeiros para a Confederação Brasileira de Basquete. Foram R$ 14 milhões, em 2013.

“Hoje a gente percebe que o ponto frágil do sistema (no basquete) é a Confederação”.

Hoje. Secretário? Há quatro anos isso foi denunciado!

Leyser deu essa declaração depois de um puxão de orelhas do secretário-geral para as Américas da Federação Internacional de Basquete, o argentino Alberto Garcia. Para entender os detalhes dessa crise sugiro a leitura do artigo de Fábio Balassiano, aqui.

Desde 2009 publicam-se os balanços da CBB com rigorosa análise de especialistas. E os alertas de que se tratava de uma entidade falimentar, fosse a Confederação uma empresa comercial.

Mesmo assim, Ricardo Leyser manteve os cofres abertos, e o desastre está aí. Precisou um dirigente argentino lhe dizer sobre a fragilidade na gestão financeira da CBB  que repercute, também, na falta de fomento e temor de que seu presidente, Carlos Nunes, não cumpra compromissos internacionais.

Desastre

Esse é mais um desastre no esporte brasileiro em 11 anos de governo do PT: temos um Ministério do Esporte que é cabide de empregos para muitos desocupados do PCdoB; fartura de dinheiro, instituições funcionando, mas  um Conselho Nacional do Esporte que se reúne apenas para cumprir tabela. Com a presença de atletas!

Mas não temos a mínima fiscalização nos convênios entre o Ministério e os beneficiados. Porque não há equipe, apesar de cargos fartos que o ministro Aldo Rebele dispõe! E o desastre apareceu.


O vexame do basquete: novo calote?
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José Cruz

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) presidida por Carlos Nunes, ainda não pagou o “convite” para jogar a Copa do Mundo de Seleções, na Espanha, em agosto. Se não honrar o compromisso ficará fora dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O vergonhoso alerta, em tom indignado, é do secretário-geral da Federação Internacional de Basquete para as Américas, o argentino Alberto Garcia.

Na reportagem de Daniel Neves, do UOL Esporte,Garcia afirma que a CBB “está quebrada e não tem condições de cumprir uma série de compromissos assumidos com a Federação Internacional na conquista de um convite para a Copa do Mundo da modalidade.”

Não será o primeiro calote da confederação patrocinada pela Eletrobrás passa por situação dessas. No ano passado, o Banco Itaú processou Carlos Nunes para receber um empréstimo feito à Confederação que ele preside.

Situação ruim

Em outra entrevista, o secretário Garcia disse mais?

“Estamos muito preocupados com a administração da CBB (Confederação Brasileira de Basquete). A situação financeira da entidade está muito ruim”, afirmou.

Garcia irritou-se com a recusa de um convite ao Brasil para um torneio sub-18 feito pela Euroliga, em Milão.

“Alegaram que não havia dinheiro”, disse o dirigente, que alertou para o fracasso no trabalho de base: “A Liga feminina tem oito equipes, e todos os times do NBB precisam de estrangeiros para completar seus elencos. Não há formação de jogadores. A base não existe”.

Desde 2011 eu e o companheiro Fábio Balassiano, que assina o blog Bala na Cesta, denunciamos a precária gestão da CBB, com base em seu balanço financeiro anual.

Irresponsabilidade

Mesmo diante desse quadro caótico de uma instituição filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro, o Ministério do Esporte liberou R$ 14,6 milhões para a CBB, no ano passado, em várias parcelas. Entre os projetos contemplados estavam dois para a preparação das equipes masculina e feminina “sub-18”, totalizando R$ 3,6 milhões.

Quem liberou a grana foi o secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, que já sabia que a gestão financeira da CBB era temerária e com fama de má pagadora.

Mas a gestão temerária é, também, de Ricardo Leyser Gonçalves, que demonstra não ter responsabilidade na destinação do bem público que administra, entregando quantia volumosa, no caso os R$ 14 milhões, a um dirigente que foi processado para pagar uma conta.

Sem esquecer que a Confederação de Tênis também já esteve na lista dos escândalos, quando seu presidente, Jorge Rosa, desviou R$ 440 mil de verba pública. Devolveu a grama, disseram lá do Ministério. Não sei, nunca vi o recibo do depósito. Mas é mais um caso olimpicamente vergonhoso!

Que tal? Imagina nos Jogos!

Saiba mais:

http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2013/07/05/por-falta-de-pagamento-itau-processa-confederacao-e-coloca-presidente-carlos-nunes-como-reu/

http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2013/08/20/confederacao-reconhece-divida-por-emprestimo-nao-pago-e-tera-que-pagar-mais-de-r-4-milhoes-ao-itau/


Calote do futebol ao fisco avança com apoio oficial
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José Cruz

O PT quer sancionar até maio o projeto de lei do Proforte, que anistia, entre outras medidas, a dívida fiscal de R$ 2,8 bilhões de 100 clubes de futebol. A sanção está sendo articulada para o momento em que a população em geral estiver envolvida com as emoções da fase preparatória da Copa do Mundo, a partir de 14 de junho.

Há poucos dias escrevi que o projeto de Lei do Profote havia fracassado e novo texto deveria ser apresentado.

Deveria! Porque, acredite, leitor e contribuinte, não vai mudar nada.

Esta semana, o deputado inspirador do projeto, Vicente Cândido, do PT/SP, também vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, anunciou que em dois ou três meses a presidente Dilma deverá sancionar “esta importante lei para o esporte brasileiro”!

Cândido usa o cargo de parlamentar para defender interesses de instituição na qual ele tem interesse direto, o futebol, modalidade onde é farta a corrupção. 

Esquema

Para aprovar o projeto em dois meses é sinal que o esquema já está armado também no Senado, onde o governo tem maioria e atropela o que bem entende.

E apoiando  esse trambique fiscal está o Ministério do Esporte, cujo ministro, Aldo Rebelo, já se manifestou favorável ao projeto e liberou seu secretário de Futebol, Toninho Nascimento, para também agir no Congresso Nacional. Porém, entre os membros da Comissão há descontentamentos com essas manobras, assunto para um outro artigo que preparo.

Perda de tempo

Não valeu para nada os alertas feitos por especialistas que estiveram na Comissão Especial do Proforte. O “diálogo” foi perda de tempo. Ainda bem que nem apareci lá quando me convidaram para debater o projeto, porque conheço bem as intenções dessa gente.

A expectativa, agora, é para o relatório final do deputado Otávio Leite, do PSDB/RJ. Ele poderá mudar a redação do projeto e determinar que os devedores paguem seus débitos, como ocorre com todos os demais contribuintes brasileiros.

Repare, eu disse que o deputado “poderá”! … Alguém acredita?


Quem será o “Arruda” da Portuguesa?
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José Cruz

A decisão do conselho deliberativo da Portuguesa de ir à Justiça comum, devido ao seu rebaixamento no Brasileirão 2013, beneficiando o Fluminense, tem dois diferenciais importantes do “caso Gama”, em 1999.

A decisão dos dirigentes do clube paulista foi depois que Flávio Raupp, o ex-dirigente que levou o Gama também à Justiça Comum, mostrou o “caminho das pedras” para que a Portuguesa tenha sucesso na difícil empreitada.

Diferenças

1. O Gama tinha um “porta voz”, o então senador pelo PFL, José Roberto Arruda  – que, depois, se envolveu em corrupção e perdeu o cargo de governador do DF. Mas quando era influente no Senado, Arruda mobilizou políticos e fez barulho que repercutiu mundo afora, numa derrota que humilhou a CBF.

2. Quem foi à Justiça foi o PFL e o Sindicato dos Técnicos do DF, e não o Gama. Isso preservou o clube de possíveis punições por extrapolar a Justiça desportiva.

E agora?

Quem faria o papel de Arruda e do PFL?

O único político de expressão capaz de fazer barulho e enfrentar a CBF seria o deputado Romário.

Ocorre, que o “Baixinho” é deputado pelo Rio de Janeiro,  e se viesse a defender a Portuguesa se voltaria contra seu ex-clube, o Tricolor carioca (jogou também pelo Flamengo, Vasco e América), em favor de um paulista. Com certeza, colocaria em risco bom número de votos na próxima eleição.

Essa falta de parceiro político, influenciará a ponto de prejudicar a Portuguesa, numa briga em que o direito do torcedor – previstos na Lei Pelé, Estatuto do Torcedor e na Lei de Defesa do Consumidor – será argumento fundamental?


Teremos os Jogos, mas a ditadura olímpica persiste
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José Cruz

Em assembleia, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) atualizou seu estatuto adaptando-o à nova legislação, com mandato de quatro anos e apenas uma reeleição para os cartolas.

Também apresentaram propostas modernizadoras, mas não emplacaram. Com isso, o atual presidente, Carlos Nuzman, no cargo há 20 anos, mantém o domínio sobre o grupo no melhor estilo feudal. Por exemplo, só pode se candidatar à presidência do Comitê quem é membro da assembleia há cinco anos, como se fora dali não houvesse inteligência esportiva capaz de disputar o cargo. Numa entrevista Nuzman disse que é isso mesmo, que só ele tem tal capacidade, e fez do COB seu reduto intocável.

Enquanto isso…

Na mesma assembleia, os cartolas instituíram o voto-atleta nas decisões do COB. Porém, exclusivo para o presidente da Comissão de Atletas, atualmente o campeão olímpico de vôlei de praia, Emanuel. Um voto apenas é nada no contexto de milhares de competidores federados e que são, de fato, os responsáveis pelo movimento esportivo como um todo. Por isso, o voto de Emanuel será prática inexpressiva.

Tirem os atletas de uma competição de atletismo, de natação, de judô, de um campeonato de vôlei ou de basquete, enfim, e o evento fracassará, as instituições se tornarão inúteis (muitas já o são) e  os cartolas morrerão de fome.

Sem atleta o esporte não existe! Mas sem a unidade deles fica tudo como está. E aí se revela mais uma fragilidade do movimento olímpico, a falta de lideranças.

Toda esta absurda situação agride a liberdade esportiva e fortalece a ditadura dos gestores. O olimpismo, que se sustenta também no princípio da educação e do respeito mútuo,  ignora, no Brasil, preceitos históricos da democracia e da livre disputa por cargos. A vaidade e o autoritarismo ainda imperam.