Blog do José Cruz

Arquivo : novembro 2013

O banco social que turbina a Copa 2014
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José Cruz

Motivado por mais uma liberação de R$ 400 milhões do BNDES, desta vez para o Corinthians concluir seu estádio, volto a um tema discutido logo que o governo decidiu colocar dinheiro na Copa 2014.

Para tanto, o BNDES abriu crédito de R$ 4,8 bilhões e ofereceu carência de três anos, e 12 anos para saldar a dívida, estão lembrados?

Hoje, fui à página do BNDES e lá não encontrei uma só referência de financiamentos, por exemplo, para a área da saúde.  Há recursos para a agropecuária, cultura, indústria e comércio, mercado de capitais etc. Mas nada para hospitais ou similares. Isso que o banco é de “desenvolvimento social” !!!

Embalados pela emoção de agora sermos um país “modelo Fifa”, não podemos ignorar que as mazelas sociais ainda são a maior agressão diante da fartura do dinheiro público para o futebol.

Obsevem que, com a proximidade da abertura da Copa, não se fala mais nestes assuntos que envolvem comunidades pobres e alijadas do “legado esportivo”.

Enquanto isso…

…  47% da população brasileira nem sequer tem saneamento básico e aí está o foco de dezenas de doenças e mortes na infância, onerando o Estado nos seus serviços médico-hospitalar.

Alguém ouviu um deputado ou senador se indignar contra isso ou ir ao BNDES pedir linhas de financiamento para tal?

Ouvimos alguém do Palácio do Planalto analisar essa realidade? duvido!


Gymnasiade: o que isso tem a ver com o Brasil?
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José Cruz

Com um show do cantor sertanejo Michel Teló, 1,7 mil atletas de 38 países desfilam hoje em Brasília na abertura dos Jogos Mundiais Escolares,  Gymnasiade. Estados Unidos, Cuba, Austrália, Coréia do Sul, Argentina, entre outros,  não mandaram delegações.

É um evento para estudantes de 14 a 17 anos, inscritos em oito modalidades: atletismo, natação, caratê, judô, xadrez, ginástica rítmica, ginástica artística, ginástica aeróbica.

Os Jogos têm a chancela da Federação Internacional de Esporte Escolar que, no Brasil, é representada pela Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE). Sem receita própria, a CBDE é sustentada por verbas do Ministério do Esporte. Até agora não foi divulgado o orçamento dos Jogos nem a fonte pagadora das despesas.

Debates

Os Jogos Mundiais Escolares sugerem discussões sobre a trágica realidade da prática esportiva educacional no país. Há divergências históricas, resultado do desinteresse de governos afins sobre o segmento.

Por exemplo, os recursos pra o desporto escolar disponíveis na Lei Piva são destinados ao Comitê Olímpico Brasileiro. No ano passado, esse dinheiro esteve na casa dos R$ 16 milhões.

Sem tradição de prática esportiva nas escolas públicas, o Brasil convive com esse antagonismo de dispor de verbas – do Ministério do Esporte, inclusive –  mas sem um programa de atividade para os estudantes, agravado pela falta de espaços adequados, professores despreparados e desmotivados e escassez de material. O desinteresse do governo sobre essa atividade reflete na página do Ministério da Educação na internet, que não faz qualquer referência sobre o evento escolar que começa hoje.

Mais:

Os Jogos Escolares da Juventude, que deveriam ser competência da CBDE, são executados pelo Comitê Olímpico, com recursos da Lei Piva. Mas também o COB não está nem aí para a Gymnasíade.

Enfim, que venha Michel Teló e vamos aos Jogos.


“Eu fazia o que gostava e ainda me pagavam”
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José Cruz

Numa manhã ensolarada de 2006, viajei com Nilton, desde o Flamengo, onde morava, até o Maracanã. Lá, ele ia diariamente conversar com jornalistas e turistas.

No caminho, muitas paradas para fotos e autógrafos. Mesmo aos 81 anos, naquela época, ainda era conhecido por torcedores de sua geração e os mais jovens, inclusive. A conversa daquele dia rendeu reportagem de página inteira, no Correio Braziliense.

Na última etapa, quando já caminhávamos pela alameda que circunda o Maraca, Nilton ouvia e em seguida identificava os passarinhos daquele ambiente. Assim como Mané Garrincha, ele também era apaixonado por pássaros.

Em determinado momento, Nilton parou:

“Sabe por que o pardal nunca quis aprender a cantar? Para não viver preso em gaiolas”, respondeu em seguida.

Esse pensamento sintetiza a vida de Nilton Santos, a liberdade! Foi livre e elegante no futebol.

Como escreveu Armando Nogueira:

“Tu em campo parecia tantos / E, no entanto – que encanto – eras um só: Nilton Santos”.

Saudade!

 

 


Deputados abrem debates para “fortalecer” futebol
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José Cruz

Os atletas do Bom Senso FC serão ouvidos pela Comissão Especial que analisará o projeto de lei que trata do Proforte (Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos), envolvendo a dívida de R$ 4 bilhões dos clubes de futebol junto à Receita Federal e INSS.

O anúncio foi feito hoje na reunião de instalação da Comissão Especial, que terá o deputado Jovair Arantes (PTB/GO) na presidência e Otávio Leite (PSDB/RJ) na relatoria.

A eleição da Mesa da Comissão frustrou as pretensões do deputado Vicente Cândido (PT-SP), idealizador do projeto de lei, e próximo dos cartolas que trabalham para serem beneficiados pelo perdão da dívida fiscal.  

A Comissão terá 40 sessões para apresentar o relatório final e os trabalhos estão divididos em seis temas: dívida dos clubes, transparência, formação de atletas, loterias para o esporte, relações de trabalho clube/atleta e organização de calendários.  A primeira reunião de trabalho será na próxima quarta-feira.

Numa articulação de última hora, o deputado Romário conseguiu a única vaga do PSB na Comissão. Ele não foi comunicado sobre a instalação dos trabalhos, e ao saber que os deputados estavam reunidos articulou com sua assessoria para que o partido o indicasse imediatamente, o que aconteceu através de um ofício do deputado Glauber Braga, vice-presidente do PSB.

Romário é a única voz contrária ao projeto de lei, na forma como está colocada a negociação com os clubes.

Do valor total da dívida, os clubes terão abatimento de 40% dos juros e multas. O saldo sofrerá um abatimento de 90%, que será resgatado pelo clube com o oferecimento de seus espaços esportivos para a formação de jovens atletas, preferencialmente carentes. Os 10% restantes da dívida serão pagos em 240 meses.

Apesar de o Proforte tratar dos “esportes olímpicos” em geral, os debates estão fortemente centralizados na reformulação do futebol, em particular a dívida bilionária junto ao fisco.


O esporte sob o comando da ordem unida
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José Cruz

O leitor “Chave de Grifo” questionou sobre a decisão de a presidente Dilma Rousseff ter nomeado, só agora, um militar – general Fernando Azevedo e Silva, para a presidência da Autoridade Pública Olímpica (APO).

“Ela já poderia ter tomado medidas drásticas há muito tempo”, disse o leitor no comentário enviado.

Com certeza, Grifo, mas os dirigentes são, sempre, dependentes dos apoios políticos. Aí, a conversa é outra.

Dilma assumiu com duas heranças esportivas de Lula da Silva: tornar realidades a Copa do Mundo e os Jogos Rio 2016. Só que, como seu antecessor, ela não entregou a preparação dos megaeventos a especialistas, mas a amadores e, pior, a espertos disfarçados gestores.

Nesse contexto, a APO tornou-se espaço de alguns apadrinhados de poderosos ministros, como já divulguei. Por isso, é indispensável “limpar a área” e contratar profissionais experientes e responsáveis para o setor. Só assim o general tornará o órgão eficiente e capaz de enfrentar forças suspeitas, além da máquina política do governador Sérgio Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, principalmente.

Desordem

Assim como Lula, Dilma não deu a mínima para a desordem na estrutura do nosso esporte. Mas escancarou o cofre público e os megaeventos chegaram como se fossem promover milagres num país em que a cultura esportiva é exclusiva do futebol.

Quem tem o comando, o COB ou o Ministério do Esporte? Para que serve o Conselho Nacional do Esporte?

Porque o desperdício de dinheiro em projetos inexpressivos e sem resultados efetivos?

Qual a participação de técnicos e atletas nas tomadas de decisões sobre os rumos do setor? Qual o nosso modelo esportivo?

Muito dinheiro

É preciso entender, caro Grifo, que as entidades do esporte são privadas, mas têm suas economias estatizadas. Sem a ajuda do governo não funcionam. E nesse contexto não há como ignorar que corrupção ainda é farta.

Nos últimos 10 anos, o esporte de alto rendimento cresceu em recursos disponíveis, mas ainda é um fracasso em gestão integrada. E, sem estrutura para fiscalizar, o Ministério do Esporte torna-se cúmplice do desperdício e  avaliza  ilegalidade.

Somente este ano, o Ministério do Esporte deu sinais de ações que inibam o desperdício. Mas são medidas ainda desarticuladas, pouco eficientes e, por isso, de resultados ainda duvidosos.

Por tudo isso, Grifo, não é de estranhar que a presidente Dilma tenha ignorado o poder político e nomeado um general para tentar dar credibilidade e rumos ao setor. Pela formação de caserna, militares trabalham com diagnóstico, planejamento, estratégias e metas. Isto é “gestão”.  É o oposto dos interesses políticos. Para esses, a desordem e a pressa são formas de driblar o ato legal e chegar ao superfaturamento fácil.  O Pan 2007 foi lamentável exemplo que não pode ser esquecido.


Copa se resume aos estádios. Legados desaparecem
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José Cruz

Aos poucos, desmoronam os argumentos eufóricos de que os megaeventos esportivos atraem investimentos para o país. Isso é até possível, mas com planejamento, empresários da construção sem comprometimentos com políticos e, principalmente, sem corrupção. Não é o nosso caso.

Assim como no Pan 2007, de injustificáveis R$ 4 bilhões…, a Copa e a Olimpíada são consumidoras insaciáveis de dinheiro público para competições de curto prazo e de “legados” fantasmas.

O mais recente relatório do Ministério do Esporte sobre a Copa 2014, ontem divulgado, demonstra que só os estádios de futebol levaram R$ 8 bilhões de financiamentos públicos. O valor é R$ 1 bilhão a mais do que o previsto na matriz de responsabilidade, documento lançado ainda pelo então presidente Lula, quando declarou: “Esta será a Copa da transparência e da iniciativa privada”…  Quanta bobagem!

Retrocesso

Obras para transportes públicos e novas vias de locomoção, que seriam parte do “legado”, têm os investimentos reduzidos em R$ 800 milhões, como revela a reportagem de Vinicius Konchinski, do UOL Esporte, no Rio de Janeiro.

Pior:

O relatório do Ministério do Esporte indica que 14 projetos,  12 para transporte, um para porto e outro em aeroporto  foram retirados da matriz original. A Copa 2014 está resumida aos estádios e obras de adaptações em alguns aeroportos.

Enquanto isso…

Os graves problemas para preparar o país para a Copa 2014 e Jogos Olímpicos 2016 repercutem mais e mais no exterior.

O prestigiado investigador de corrupções no esporte, Andrew Jennings, publicou em seu blog artigo do jornalista Afonso Morais, com o título:

“Dilma convoca Exército para evitar estouro do orçamento no Rio 2016”.

Apoiado por outros jornalistas estrangeiros, Afonso começa a divulgar lá fora as mazelas de nossa política e os desmandos com os megaeventos esportivos.

Sobre os Jogos 2016, assim escreveu Afonso Morais, referindo-se ao general Fernando Azevedo e Silva, presidente da APO (Autoridade Pública Olímpica):

“Não, não é um golpe militar. Mas depois do escândalo do Pan, da queda de Ricardo Teixeira e da grande despesa da Copa do Mundo 2014, Dilma entendeu que definitivamente não pode confiar dinheiro público aos dirigentes esportivos. Militares, no entanto, são servidores públicos e ela tem o poder de controlá-los.”

Será?

O artigo de Afonso Morais está aqui.


O futebol na casa da Mãe Joana
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José Cruz

Prestigiada, a Seleção Brasileira de Futebol conquista o 14º patrocinador, a EF Englistown, que se junta às marcas da Samsung, do Guaraná Antarctica, Nike, Itaú, Vivo, Nestle, Sadia, Mastercard, Extra, Gillette, Volks, Gol e Seguros Unimed.

As estimativas indicam que a CBF, administradora da Seleção Brasileira, recebe mais de R$ 200 milhões anuais de patrocínios. O principal contrato, da Nike, rende R$ 80 milhões/ano. Em 2008, a Seleção rendeu R$ 104,7 milhões de patrocínios. Em 2009 já eram R$ 165 milhões e em 2012 R$ 235 milhões.

Enquanto isso…

À época de Ricardo Teixeira,  tivemos a denúncia de que os valores da então patrocinadora, TAM, eram depositados em contas de laranjas, em ilhas fiscais. A investigações continuam.

E se renovam as suspeitas sobre o dinheiro pago por amistosos da Seleção, que seria depositado em contas nos Estados Unidos, em nome de amigos de Ricardo Teixeira. Sonegação fiscal e evasão de divisas.

Essas denúncias reforçam a tese de que o futebol é a “maior lavanderia a céu aberto do mundo”, segundo um relatório específico da ONU, com base em documentos dos principais países que praticam o futebol  e comercializam jogadores, promovendo “branqueamento de ativos”.

Assim, temos a CBF riquíssima, que administra um futebol financeiramente miserável, com a maioria dos clubes falidos, com federações estaduais inexpressivas, com as principais agremiações devedoras de R$ 4 bilhões ao fisco, com gestão altamente suspeita de corrupção e dependente de apoios financeiros do governo para poder se equilibrar.

E qual a ação efetiva da Secretaria de Futebol do Ministério do Esporte para acabar com esses trambiques explícitos? Para saber quem está se beneficiando dos patrocínios da Seleção? Nenhuma! Ao contrário, os cartolas caloteiros têm lugar de destaque na mesa de reuniões do governo. O ministro do Esporte, inclusive, sabe muito sobre isso. Presidente da CPI da CBF Nike, em 2001, ele conheceu os bastidores dessas contas suspeitas ao quebrar o sigilo bancário e fiscal da CBF, federações e clubes. Hoje, Aldo Rebelo negocia com os cartolas sobre o perdão das dívidas dos clubes para com o Estado.

É o retrato do futebol na casa da Mãe Joana. E a omissão do governo torna-se, também, altamente suspeita.


Bom Senso FC: alerta de greve
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José Cruz

Pela terceira vez os jogadores da Série A se manifestam antes de um jogo, fortalecendo o movimento do Bom Senso F.C. Ontem, no Vasco x Cruzeiro, eles ficaram sentados em campo por alguns segundos como a enviar o alerta à CBF: “A greve é possível”!

Para melhor entender esse confronto entre jogadores e cartolas sugiro a leitura da entrevista com Paulo André, líder do movimento, à revista Veja desta semana, páginas amarelas.

Alguns trechos

“A CBF não entende que o ingresso está caro para o jogo que está sendo vendido. Os gramados são horríveis, os antigos estádios estão péssimos, tem jogo todo dia na TV. Não é um produto qualificado. “

“O torcedor, como só vê o time nos dias de jogos, na quarta e no domingo, acha que trabalhamos pouco. É ilusão pensar que todo jogador é milionário. Só 3% dos profissionais recebem bem a ponto de poder encerrar a carreira e viver de renda”.

“A gente espera que a CBF apresente uma proposta que seja benéfica para o futebol. Senão, não há muito que fazer além da greve.”

Enquanto isso…

É nesse ambiente que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, negocia com deputados a aprovação de um projeto de lei para perdoar os R$ 4 bilhões que os clubes devem à Receita Federal e ao INSS.

A estrutura do futebol, como o esporte em geral, está um caco, aos pedaços, um lixo. A cada crise, os interessados se reúnem e resolvem seus problemas, e emendam a Lei Pelé, nº 9.615/98. É a lei do cada um por si.

O deputado Vicente Cândido, autor dessa aberração sobre a dívida, contesta que seja “perdão”. Mas é. Primeiro porque vão pagar  só 10% do calote. Em segundo lugar, ganharam 240 meses, quando o contribuinte comum tem apenas 60 meses para saldar seus compromissos junto ao fisco.

Em resumo, estão propondo que o assalto já realizado seja legalizado. Pior: com o aval do assaltado, o Estado Brasileiro!

Os jogadores do Bom Senso F.C deveriam incluir em suas reivindicações uma varredura nas contas dos clubes para saber se os valores do INSS e Imposto de Renda, que descontam deles, está sendo repassado aos cofres públicos. Pode haver surpresas…


Copa 2014: o legado das “sobras”
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José Cruz

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, anunciou que as “sobras” da obra do estádio Mané Garrincha serão usadas na construção de 10 escolas.

A notícia, na TV Bandeirante, valorizou o reaproveitamento de material que “sobrou”, como se isso fosse algo inédito. Mas o repórter ignorou a prioridade do governo, destinando R$ 1,7 milhão na construção o estádio “padrão Fifa” e a crônica carência de espaços para o ensino de crianças e jovens da capital da República.

A estupidez desse contraste  nos remete ao início deste ano, quando o mesmo governador Agnelo retirou R$ 100 milhões dos orçamentos da Educação, Saúde e Segurança para pagar contas bilionárias do futebol, curvando-se às exigências da poderosa Fifa, que projeta lucro de US$ 4 bilhões na Copa 2014.

Na mesma reportagem da Band, a diretora de uma escola em Samambaia – onde serão construídas as “escolas das sobras” –  disse estar feliz com a notícia, pois não é mais possível dar aulas para crianças em ambientes apertados, sem conforto e abafados. Faltou dizer com “pouca higiene”.

Esta é realidade da degradação do ensino público: a prioridade é o futebol, o lazer, o show o espetáculo de um esporte que já foi popular. Para a educação dos jovens ficam reservadas as “sobras” …


Copa 2014: suspeitas de falcatruas ficam escondidas
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José Cruz

Reportagem publicada hoje no UOL Esporte começa assim:

“Cinco executivos encarregados de coordenar a organização da Copa do Mundo em estados e municípios já enfrentaram processos judiciais em suas carreiras. Antes de serem chefes da Copa, eles responderam a acusações de financiamento irregular de campanha, desvio de selos do poder público, contratação irregular de empresas e falso testemunho.”

Assinada pelos repórteres Aiuri Rebello e Tiago Dantas, a reportagem é mais um capítulo de como o esporte, em geral, e o futebol, em particular, são instituições que escondem falcatruas que, depois, são legalizadas por ações de governo.

O chefe da Copa em Brasília, Cláudio Monteiro, já disse que nada foi provado contra ele, principalmente na investigação da CPI do Cachoeira.

Mas quem confia nos resultados dessa CPI, cujo relatório foi reprovado numa estratégia de plenário?

Porque uma CPI de altíssima gravidade foi encerrada em tempo recorde?

Que recado teria enviado o poderoso Carlinhos Cachoeira,  para que as excelências acabassem logo com as investigações e silenciassem de vez sobre as falcatruas encontradas?

É nesse panorama que os gastos com a Copa, em Brasília, particularmente, continuam obscuras. Não há transparência no pagamento das contas do governo para que melhor se entenda o gasto de R$ 1,7 bilhão na construção do estádio Mané Garrincha.

Pior:

O Ministério Público do Distrito Federal e o Tribunal de Contas do DF não estão nem aí para descobrir a realidade dessa obra altamente suspeita de corrupção. Nem falo da Câmara Legislativa, que nada fez para evitar os desmandos públicos, porque aquele ambiente é quintal do governador Agnelo Queiroz.