Blog do José Cruz

Arquivo : dezembro 2014

Para que serve o Ministério do Esporte – II
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José Cruz

Esse novo ministro do Esporte, George Hilton, conseguiu a façanha de ser expulso do PFL !   O PFL se originou do PDS, que veio de dissidentes da Arena, partidos que deram sustentação ao regime militar! Paulo Maluf,  Antônio Carlos Magalhães, Edison Lobão , Jorge Bornhausen e por aí vai eram alguns dos expoentes… 

 E lá se vão 12 anos…

Alegria dos atletas e dirigentes, quando Lula da Silva anunciou a criação do Ministério do Esporte, ainda em 2002, logo depois de eleito presidente da República. E a surpresa ao entregar a pasta ao PCdoB, inexperiente em questões do esporte, e nomear Agnelo Queiroz ministro.

Com esse gesto, Lula homenageou os companheiros comunistas, históricos parceiros do PT na luta pela redemocratização do pais. Lula não estava preocupado com o setor, mas em ter mais um ministério que alojasse deputados e senadores aliados do Palácio do Planalto. Foi a manifestação explícita do “é dando que se recebe”, também praticada nos governos de FHC, Itamar, Sarney …

Passou o tempo, Agnelo dançou. Veio Orlando Silva (foto)orlando-silva, que foi demitido, acusado de não combater a corrupção. E chegou Aldo Rebelo, que ficou amigo dos cartolas, do futebol, inclusive, que ele combateu na CPI da CBF Nike, em 2001.

Um ato foi comum entre os três ministros: eles ignoraram o esporte escolar e a prática esportiva como “direito de todos” . Preferiram valorizar o alto rendimento, onde circulou muita grana pública, boa parte perdida na corrupção, com mostraram relatórios do TCU sobre os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Agora, com o Brasil em grande exposição internacional, devido à Copa e Olimpíada, a presidente Dilma Rousseff também dá uma banana para atletas, dirigentes e toda a comunidade brasileira, ao entregar o Ministério para um leigo, um inexperiente no setor, o deputado George Hilton (PRB/MG)

Pior! Esse novo ministro conseguiu a façanha de ser expulso do PFL!

O PFL se originou do PDS, que veio de dissidentes da Arena! Era o partido de Maluf, de Antônio Carlos Magalhães, Edison Lobão, Jorge Bornhausen e por aí vai…

Diante do que ocorreu nesses 12 anos, volto à pergunta que motivou um artigo, meses atrás:

“Afinal, para que serve o Ministério do Esporte”?

Indiretamente, a presidente Dilma responde:  Pra nada!

O Ministério é apenas um órgão para alojar cupinchas apoiadores do governo, repassar dinheiro para programas insignificantes, e liberar as emendas de deputados e senadores.

O mais triste:

O Conselho Nacional do Esporte, de joelhos, silencia!


No Ministério do Esporte, PRB estreará na farra dos cargos públicos
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José Cruz

Cargos públicos enchem o olho dos partidos e dos políticos. Porque  é nos gabinetes,  espalhados pelos ministérios e ocupadas por correligionários e amigos, que se realizam negócios,  contratos e convênios …

Quando o deputado George Hilton (foto) assumir o Ministério do Esporte, no dia 1º de janeiro, terá uma experiente escola para orientá-lo na montagem da equipe: a secretaria de Esportes do Distrito Federal.

Hilton GeorgeNos últimos quatros anos, o PRB,  partido de George Hilton, ocupou a Secretaria de Esportes do Distrito Federal, com o pastor paulista Júlio César Ribeiro no comando.

Júlio César, da Igreja Universal, está em Brasília há dois anos, e já conseguiu se eleger deputado distrital. Ele estará a um quilômetro de distância do Ministério do Esporte, onde poderá orientar o correligionário e “irmão” George Hilton. Porque, na prática, “cargo público” é o que interessa a todos os políticos e partidos, para ali colocarem seus amigos e afilhados partidários.

Como secretário de Esporte, Júlio César distribui passagens aéreas e de ônibus para atletas disputarem competições. Foi ato de caráter eleitoreiro, porque as doações, com verba do orçamento, não estavam vinculadas a um projeto maior para o desenvolvimento do esporte na capital da República. A cidade continua sem um plano básico para o setor, e nem uma política de esporte é discutida pelos órgãos afins, e nem o secretário não liderou tal debate.

 Reforço

Porém, o principal reforço para a campanha de Júlio César veio do apoio de dezenas de funcionários das nove Vilas Olímpicas. São fiéis que ocuparam vagas que deveriam ser destinadas a concursados. Mas a Secretaria de Esporte nunca realizou concurso. Essa prática deverá ser aplicada no Ministério do Esporte, onde já se comenta que o PRB “ganhou o ministério com porteira fechada”, isto é, não terá interferência de outro partido para ocupar os mais de 500 cargos disponíveis.

No Ministério

No Ministério do Esporte são centenas de cargos à espera dos novos dirigentes. Só na Secretaria Nacional de Esporte, Lazer e Inclusão Social há 393 cargos na gestão der Aldo Rebelo. Desses, apenas seis são concursados. Os demais foram preenchidos por livre escolha do titular da pasta, com os correligionários tendo preferência.

Atualmente, só a Secretaria de Esporte, Lazer e Inclusão Social, dirigida por Ricardo Cappeli, tem 61 cargos ocupados por terceirizados; 72 bolsistas, 54 DAS  e 200 professores-bolsistas, que atuam na ponta do projeto Segundo Tempo. Outro tanto de vagas está disponível na Secretaria de Alto Rendimento, no gabinete do ministro e secretarias internas.

É isso que enche o olho dos partidos e políticos, porque é nessas secretarias,  que se espalham pelos ministérios, ocupadas por correligionários e amigos, onde se realizam negócios, contratos, convênios … E é este o motivo de a presidente Dilma ter dificuldades para fechar o seu grupo ministerial, pois os partidos mais poderosos brigam, claro, pelas pastas com maior orçamento.

Com essa fartura de vagas a serem preenchidas, o Diário Oficial da União, que publica as nomeações em todos os ministérios, será, com certeza, o jornal mais lido em Brasília a partir de 2 de janeiro.


Estádio Mané Garrincha: balanço oficial
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José Cruz

Para que os leitores não fiquem apenas com a crítica deste blogueiro, publico o balanço oficial do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, enviado pela assessoria de imprensa da Coordenadoria de Grandes Eventos.  Em outra mensagem comentarei sobre o relatório.

 Garrincha

O Estádio Nacional Mané Garrincha foi projetado para ser uma arena multiuso e não apenas um estádio de futebol, com objetivo de acolher os mais variados eventos.

Eventos

Desde que foi inaugurada, em maio de 2013, mais de um ano antes da Copa do Mundo de 2014, a arena recebe eventos variados. Do dia 18 de maio de 2013 a 22 de dezembro de 2014, foram realizados 83 eventos.

53 partidas de futebol

14 shows ou festas

16 eventos culturais, institucionais e esportivos.

Desde a sua inauguração, a média é de no mínimo um evento por semana. E pelo menos uma partida de futebol a cada 11 dias.

Púlbico

O novo estádio já recebeu cerca de 1,7 milhão de pessoas desde a sua inauguração.

A arena brasiliense consolidou agenda própria. Do total de eventos realizados no Mané Garrincha, apenas 10% foram relacionados à Copa do Mundo – 7 jogos do Mundial e a abertura da Copa das Confederações.

O público nos eventos relacionados à Copa do mundo representou apenas 28% do público total do Mané Garrincha.

Futuro modelo de gestão

Para que o Mané Garrincha não se torne um ônus para o governo, já era projeto da atual gestão realizar processo de concessão ou parceria entre o governo e o setor privado, com objetivo de profissionalizar a gestão do Mané Garrincha.

O futuro modelo de gestão do Mané Garrincha está em fase de estudo técnico pela Terracap. Foi criado neste ano grupo de trabalho na Terracap para estudar as possibilidades para o estádio. Entre elas, uma concessão ou uma parceria público-privada. Caberá ao próximo governo dar andamento ao processo.

A concessão não foi feita antes devido aos compromissos de Brasília como cidade-sede da Copa do Mundo. Além disso, o Estádio Nacional Mané Garrincha tinha de mostrar seu potencial multiuso e se consolidar como um espaço atrativo à iniciativa privada.

Agenda Variada

Entre os eventos realizados nos últimos meses, destaque para:

O desafio de futsal, evento inédito em um estádio de futebol, entre as seleções Brasileira e Argentina, no dia 7 de setembro. Público: 56.578, um recorde que está levando o Mané Garrincha ao Guiness.

O Cross Urbano, corrida de rua realizada em um estádio de futebol pela primeira vez na história. Foi no dia 15 de novembro, quando 2,2 mil pessoas correram em um circuito de 6km dentro do estádio.

O casamento comunitário com 100 casais.

Estádio superavitário

Com seguidos recordes de público e diversos eventos, o Mané Garrincha hoje é superavitário. O Governo do Distrito Federal arrecadou desde a inaugraução, até o momento, cerca de R$ 5 milhões em taxas de ocupação pelos eventos reallizados. O valor cobre as despesas de manutenção e ainda sobra diferença positiva.

A obra do estádio tem cinco anos de garantia, enquanto a cobertura tem outros 30 anos, e os consórcios responsáveis pela construção tem obrigação de arcar com eventuais reparos. Portanto, os custos gerais relacionados a reparos surgidos desde a inauguração não geram gastos para o GDF.

Previsão 2015

Para 2015, há cerca de 30 eventos pré-agendados. São pedidos de reserva de data. Entre eles, o Granada Cup, campeonato de futebol interclubes, em janeiro, que terá entre os participantes o Flamengo, o Cruzeiro e o Shakhtar Donestk, da Ucrânia.

A pré-agenda da arena multiuso conta, ainda, com a segunda edição do Baile de Carnaval da Abrace, em fevereiro, e shows do Bell Marques (ex-Chiclete com Banana), Monobloco, Henrique e Juliano, a festa sertaneja Villa Mix e até jogo de voleibol.


Sugestão para Brasília recuperar a sede da Universíade 2019
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José Cruz

Por Lamartine da Costa

Membro da Academia Olímpica Internacional

Em megaeventos como em grandes negócios qualquer desistência tem impacto negativo. Assim, em princípio, a recusa do novo governo de Brasília em organizar as Universíades 2019 apresenta-se como equivocada; certamente o retorno para a cidade será muito maior do que os 75 milhões de euros do compromisso inicial, somadas às futuras despesas da preparação da cidade para o evento.  DFFFFF

Entretanto, há uma crise financeira na capital federal que não pode ser simplesmente desconhecida. Então, a solução mais sensata para o caso seria um referendum popular a ser organizado pelo governo que assumirá em 1º de Janeiro, num procedimento que já se tornou comum na Europa com as candidaturas de cidades-sede para Jogos Olímpicos e outros megaeventos.

Como o novo governo politizou a desistência, cabe politizar um possível retorno das Universíades a Brasília, com impacto positivo para os que chegam.

Se houver dúvidas dos governantes que assumirão a cidade, quanto à validade da proposta, sugiro que façam contato com a Prefeitura de Madrid, que manteve sua candidatura aos Jogos Olímpicos de 2020 (perdeu para Tóquio), mesmo com o país e a cidade mergulhados numa crise aguda. Neste caso, a justificativa de Madrid para sediar o megaevento olímpico foi que este seria uma das formas para a cidade – e o país – recuperar suas finanças.

Lembro que a Agenda 2020 do COI (Comitê Olímpico Internacional), aprovada na semana passada, solicita o uso de instalações antigas nas cidades-sedes para evitar excesso de custos.

Assim, Brasília poderia fazer o mesmo, mantendo o custo apenas nos 75 milhões de euros iniciais, pois tem várias instalações usadas, que poderiam dar apoio às Universíades 2019.

Será que o começo da recuperação das finanças de Brasília passa pelas Universiades?


Dilma transforma o Esporte “numa coisa menor”
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José Cruz

Na reforma ministerial, sai um comunista discreto e entra um teólogo,  animador e especialista em “transporte de valores”

No país da “Copa das Copas” e da Olimpíada que colocará o Brasil no top 10 das potências esportivas, segundo o governo federal, o novo ministro do Esporte é um “radialista, apresentador de TV, teólogo, animador e pastor da Igreja Universal”.

Ministro George

Com os senhores, o deputado George Hilton, baiano, mas deputado federal pelo PRB de Minas Gerais. E, em uma semana, o comandante da pasta até então nas mãos de Aldo Rebelo, que vai para a pasta da Ciências e Tecnologia 

Dribe 

George Hilton driblou as investigações da equipe de Dilma Rousseff. Ele escapou das pesquisas sobre os escândalos do Mensalão e Lava Jato, mas escorregou num flagra da polícia mineira, no aeroporto da Pampulha, em 2005, como revela Juca Kfouri, em seu blog. O futuro ministro transportava R$ 600 mil, num avião da Igreja Universal. Era a contribuição dos fieis para as beneméritas ações do bispo Edir Macedo. A causa era nobre, mas Hilton acabou expulso do PFL. Nove anos depois, Hilton chega à Esplanada dos Ministérios.

Por que o PRB?

A conta é simples:  o PCdoB terá apenas 10 deputados e um senador, na próxima legislatura. O PRB terá o dobro, 21 deputados e um senador.

Mais: o PRB foi fiel a Dilma na campanha eleitoral. Agora, o ministério é um reconhecimento ao senador Marcelo Crivella (PRB/RJ). Com o apoio do correligionário George Hilton, Crivela poderá explorar o potencial e a visibilidade do Esporte, em plena temporada olímpica, para pavimentar a sua campanha à Prefeitura do Rio, em 2016.

Memória

Quando Lula ofereceu o Ministério do Esporte ao PCdoB, em 2003, a senadora Vanessa Grazziotin protestou: “A pasta do Esporte é uma coisa menor para a importância da história do PCdoB”. Ela queria algo mais grandioso. Não vingou.

Agora, 11 anos depois, o PCdoB sai do Ministério com triste saldo: teve muito dinheiro, mas, sem gestão eficiente, não formulou política pública nem para o alto rendimento. Foi mero repassador de verbas;  fez a alegria dos cartolas, principalmente, que deveriam ser fiscalizados.

Sob o comando do PCdoB, o Esporte foi pasta de farta corrupção, principalmente nos mandatos de Agnelo Queiroz e Orlando Silva.

Futuro

O que esperar do ministro George Hilton?

O distinto parlamentar não frequenta a Comissão de Esporte. Sem conhecer o setor, a estrutura – falida – do esporte, e os vícios e espertezas dos cartolas ele não terá voz expressiva, segura,confiável para as mudanças urgentes que precisamos.

Com essa escolha, a presidente Dilma conseguiu reduzir a nada o ministério que já era inexpressivo, apesar de sua importância no contexto social, econômico,  de representatividade internacional etc.

O Ministério continuará apenas administrando recursos que privilegiam a elite do esporte, e suas autoridades frequentando espaços  para chegarem a cargos eletivos mais atrativos. O Ministério do Esporte é apenas um palanque de transição.

E só.

(O blog foi atualizado às 8h18)

 


A Universíade do calote
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José Cruz

O calote que R$ 75 milhões que o governador Agnelo Queiroz aplicou na Federação Internacional de Esporte Universitário (FISU), provocando o cancelamento da Universíade 2019 em Brasília, foi o derradeiro capítulo de um governo que fracassou na sua política de esportes, de segurança, de saúde… Consultado sobre o assunto, a assessoria de Agnelo silenciou. Faz sentido.

Já o Ministério do Esporte não se manifesta porque, segundo a assessoria do ministro Aldo Rebelo, “não recebeu comunicação do Governo do Distrito Federal, responsável pela candidatura e realização dos Jogos Mundiais Universitários 2019.”  E a direção da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU) aguardará a informação oficial do governo de Rodrigo Rollemberg (foto),  roooolque assumirá em 1º de janeiro, para ver junto à Federação Internacional de Desporto Universitário sobre os novos rumos da Universíade 2019.

Atitude corajosa

O advogado paulista Alberto Murray Neto, pai de atletas da esgrima, disse o seguinte sobre a decisão extrema do futuro governador, Rollemberg, abrir mão dos Jogos Mundiais Universitários, em Brasília:

“Esse ato mostra a irresponsabilidade financeira com que são tratadas as questões do esporte no Brasil, aliada à megalomania dos políticos e dos dirigentes. É melhor mesmo cancelar, do que gastar dinheiro que não se tem com essa competição, aumentando o rombo financeiro estatal e, ainda por cima, sem que legal algum fosse deixado ao Distrito Federal e ao Brasil. Acho uma atitude corajosa do novo governo. Agnelo Queiróz foi o que de pior aconteceu para o esporte, enquanto foi Ministro, e foi um péssimo governador. O legado de Agnelo pela política é que ele serve de exemplo daquilo que não se deve fazer. Não deixou nenhuma política esportiva de Estado para o esporte nacional, enquanto teve todas as condições de fazê-lo.

Falta de respeito

“É lamentável que se trate um evento esportivo internacional como a Universíade como uma festa de menor importância. Assim como ocorreu em Porto Alegre, na década de 1960, Brasília poderia registrar a passagem de uma competição esportiva que deixaria um legado intangível para várias gerações. Falta de respeito para com a sociedade e o esporte. É assim que vejo essa volta atrás dos gestores brasilienses”, afirmou a jornalista, professora de educação física da USP e pós-doutorada em psicologia social, Kátia Rúbio.

Brasília perdeu um grande evento

Depoimento de Diego Chargal, da equipe brasileira de atletismo, especialista nos 800 metros.

“Em 2005 participei do Universíade, em Izmir, Turquia. Fui quinto na final dos 800m. Um ano antes, corri os 800m no Mundial Juvenil de Atletismo, em Grosseto, Itália. A maioria dos atletas, pelo menos dos 800m, estaria na Universíade no ano seguinte, o que demonstra a importância dessa competição. Não só atletas que recém saíram do juvenil participam dessa competição. Do Brasil, nessa edição italiana, tivemos vários atletas olímpicos, como a ginasta Daiane dos Santos, Nathalia Falavigna, do taekwondo, Fabiano Peçanha, do atletismo, que havia sido bronze no Pan em 2003 e acabará de correr o Mundial de Atletismo em Helsinki, e Matheus Inocêncio que foi finalista em nos 110m com barreiras nos Jogos Olímpicos de Sidney e no Mundial de Helsinki. Está claro que o nível das provas é fortíssimo na Universíade. Brasília passa por um momento complicado, com salários atrasados em diversos setores do serviço público, falta de medicamentos e acessórios nos hospitais, trânsito caótico e um estádio que vale mais do que um elefante branco. Mas Brasília perdeu um grande evento ao abrir mão dos Jogos Mundiais Universitários de 2019.”


Crise financeira obrigará Brasília abrir mão da sede da Universíade 2019
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José Cruz

Um dos primeiros atos do governador eleito do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, ao assumir em 1º de janeiro, será informar oficialmente à Federação Internacional de Esporte Universitário (FISU) que Brasília declinará da realização dos Jogos Mundiais Universitários, as tradicionais Universíades, em 2019.

Motivo da desistência: o contrato de 23 milhões de euros (R$ 75 milhões), que seriam pagos à FISU pelo governo de Agnelo Queiroz, encerrando o mandato, não foi honrado.  A informação, obtida pelo blog, foi confirmada pelo jornalista Hélio Doyle, chefe da Casa Civil do futuro governador.

“Lamentamos tomar esta decisão, pois sabemos sobre a importância desses Jogos e o que isso poderia significar para a cidade. Mas enfrentamos uma situação financeira muito grave. Os problemas do Distrito Federal são muito sérios e merecem outras prioridades”, disse Doyle. DFFFFF

A direção da FISU foi informada, extraoficialmente, sobre a futura decisão. Porém, na página da entidade Brasília ainda aparece como cidade-sede para 2019.

A sede

Em 9 de novembro de 2013, Brasília conquistou a sede da Universíade. O anúncio foi na Bélgica, na presença do governador Agnelo Queiroz e do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A cidade não teve concorrente, pois Baku, no Azerbaijão, e Budapeste, na Hungria, retiraram suas candidaturas.

A dívida

Conforme a reportagem apurou, na data do anúncio a cidade-sede o governo do Distrito Federal deveria depositar 23 milhões de euros em favor da Fisu. O governador Agnelo Queiroz negociou para atender a essa exigência tão logo retornasse a Brasília, o que não ocorreu. No início deste ano houve novo acerto e o valor foi parcelado: 8 milhões de euros (R$26 milhões) este ano e 15 milhões de euros (R$ 16,3 milhões) no ano que vem, já sob novo governo.

Segundo uma fonte da área financeira do Governo do Distrito Federal, os 8 milhões de euros foram disponibilizados, mas o valor não chegou a ser repassado à Fisu, porque não havia garantias no orçamento de 2015 para pagar o saldo de 15 milhões de euros.  Se o repasse fosse realizado, o gestor responsável pela operação poderia ser enquadrado na Lei de Responsabilidade Fiscal, disse a mesma fonte.

O tempo passou e a dívida foi consagrada. Na eleição de outubro, Agnelo não chegou ao segundo turno, e os problemas financeiros do Governo do Distrito Federal se agravaram.

Desabafo

“Mais uma vez o esporte será sacrificado, e quem perde são os atletas, professores e a sociedade do Distrito Federal. Porém, temos que ter consciência de que o senhor Rollemberg está recebendo um governo com déficit de R$ 3,8 bilhões, e que não será fácil administrar a cidade sem dinheiro”, disse, a presidente do CREF 7 (Conselho Regional de Educação Física), Cristina Calegaro. Ela também vice-preside o Conselho de Educação Física e Desporto do Distrito Federal, órgão da Secretaria de Esportes.

Descontrole

A situação financeira de Brasília é de “descontrole”, afirmou o Ministério Público do Distrito Federal, e até a festa de réveillon, na Esplanada dos Ministérios, foi cancelada.

Conforme a imprensa tem noticiado, Rollemberg herdará de Agnelo um déficit de R$ 3,8 bilhões e gravíssimos problemas nas áreas de saúde, educação e transportes, principalmente. Há um mês a capital da República tem manifestações diárias de servidores que estão com salários atrasados até três meses. Faltam médicos, remédios e materiais básicos para cirurgias nos hospitais.

Os Jogos

Realizadas desde 1923, a Universíade é disputada a cada dois anos por até 12 mil atletas, inscritos em 16 modalidades. Nas edições mais recentes, 166 países enviaram delegações. O Brasil recebeu o evento apenas uma vez, em 1963, em Porto Alegre.

A reportagem tentou contato com autoridades do GDF, com o presidente da Confederação de Desporto Universitário e com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para comentarem sobre o assunto, mas não obteve retorno.


O desafio das águas
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José Cruz

Encerramos o ano esportivo no pódio internacional do surfe, feito inédito de Gabriel Medina, novo brasileiro campeão do mundo. 

Foi o quinto título mundial nesta temporada, fora dos ginásios, pistas e tatames. Allan do Carmo e Ana Marcela Cunha venceram na maratona aquática. Martine Grael e Kahena Kunze são as melhores velejadoras do mundo.

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Rota dos descobridores, temos história no mar. “Mas o tratamos com desdém”, diz Lars Grael, duas medalhas olímpicas, das 17 que o Brasil conquistou na vela.

“O brasileiro paga caro para viver à beira da Lagoa (Rodrigo de Freitas, no Rio) ou de frente para o mar;  admira a paisagem, mas a cultura não passa da arrebentação das praias, ”  disse em entrevista ao Esporte Essencial.

Faz sentido. Mas, até na alimentação esnobamos o mar. Mesmo com essa imensidão de 8 mil quilômetros de litoral, o peixe ainda não faz parte da rotina de nossa dieta alimentar. Nem da merenda escolar de nossas escolas…

O título de Gabriel Medina chega como um alerta. Indica o desafio do potencial à nossa frente e incentiva nova escola no esporte marítimo.

Para saber mais:

Conheça a trajetória de Gabriel Medina