Blog do José Cruz

Arquivo : abril 2014

Lars Grael: legado olímpico para a vela é próximo de zero
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José Cruz

Em entrevista ao” Esporte Essencial”, o velejador Lars Grael, duas medalhas olímpicas e ex-secretário nacional do Esporte, foi indagado sobre a possibilidade de, um dia, vir a presidir o Comitê Olímpico Brasileiro:

Não é um projeto de vida, nunca foi. Ainda mais sabendo da dificuldade que é ter acesso à candidatura ao COB. Estatutariamente criaram mecanismos de proteção, dentre eles você tem que ser presidente de uma confederação brasileira olímpica continuamente, adimplente durante cinco anos, para então estar elegível para tal. Eu sequer sou presidente da Confederação Brasileira de Vela (CBVela). Hoje o Marco Aurélio é presidente e provavelmente vai tentar uma reeleição, que está prevista no estatuto e agora na nova legislação. De forma que eu não sou elegível ao COB.”

Diálogo

Na excelente entrevista, em que dá ênfase à cidadania esportiva, Lars também sugeriu o diálogo entre todos os segmentos sociais para enfrentar os problemas do setor:

“Quando o atleta, o jornalista ou o cidadão comum tentam alertar quanto à falta de tomada de providência, é melhor que se antecipe o desgaste, fazendo um debate entre sociedade, comunidade esportiva e os organizadores. É sempre uma alternativa melhor do que a omissão, do que a gente não falar nada, fazer nada e esperar às vésperas dos Jogos Olímpicos a iminência de um vexame. Por isso que eu acho que, à medida que o Comitê Olímpico Internacional vê um planejamento e um cronograma descumprido, ele tenta, de alguma forma, intervir para fazer a coisa andar. Tomara que ande, porque a crítica não é concentrada em cima da prefeitura, do governo do estado, do governo federal ou do comitê organizador. É a constatação de que as coisas não estão acontecendo na velocidade adequada.”

Sugiro a leitura dessa entrevista, uma legítima aula de cidadania esportiva.

http://www.esporteessencial.com.br/entrevista/lars-grael-vela-2-3

 


Vergonha: CBF coloca deputados e governo de joelhos
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José Cruz

Depois de fragilizada no início do governo de Dilma Rousseff, inclusive com as portas do Palácio do Planalto fechadas à cartolagem, a CBF impôs o seu grande poder junto aos deputados e governo federais, esta tarde, em Brasília, quando abortou a votação do projeto de lei do Proforte, projeto de lei que trata da renegociação da dívida fiscal de R$ 4 bilhões.

A mobilização foi pesada, com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, entrarando em campo e determinando que os artigos que envolviam a CBF, incluídos no projeto pelo relator, deputado Otávio Leite (PSDB/SP), fossem logo retirados.

Em 2001, Aldo conduziu com dignidade a CPI da CBF Nike, quando identificou grande corrupção nas instituições do nosso futebol, evasão de divisas, enriquecimento ilícito, sonegação fiscal etc. O relatório, elaborado pelo deputado Silvio Torres (PSDB/SP) e assinado também por Rebelo foi exemplar, tornando-se documento histórico sobre os bastidores do nosso futebol.

Agora, o ministro do Esporte e o presidente da Câmara dos Deputados curvam-se às exigências da CBF, numa demonstração de fragilidade da autoridade e submissão institucionais como há muito não se observava nas relações entre o governo e aquela entidade esportiva.

Na Comissão Especial da Câmara, onde seria votado o projeto de lei, o ambiente retratava a imagem de uma triste tarde, em que a CBF colocou dois poderes da República, Câmara e governo federais, vergonhosamente de joelhos diante de seu poder

A reportagem com detalhes desse assunto está aqui.


CBF tem lucro, mas deputados querem juro especial para dívida dos clubes
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José Cruz

Enquanto o Palácio do Planalto tenta superar o escândalo da Petrobras e estancar a queda nas pesquisas da presidente Dilma Rousseff, um grupo de parlamenteres governistas, liderados por Vicente Cândido (PT/SP), ignora os graves problemas institucionais do governo e trabalha para aprovar um projeto de lei que beneficiará clubes de futebol, devedores de R$ 4 bilhões ao INSS, Receita Federal e Fundo de Garantia.

O projeto, conhecido por “Proforte”, que poderá ser votado nesta terça-feira na Câmara dos Deputados, também propõe renúncias fiscais e juros menores para os devedores, contrariando a política econômica do governo federal. Esses privilégios a caloteiros de ontem ocorre enquanto a entidade maior do futebol, a CBF, registra lucro recorde e cresciemento de 310% no faturamente, nos últimos 10 anos (veja aqui)

Há dez dias, quando conheceu o teor do Proforte, o secretário de Relações Institucionais do governo, Ricardo Berzoini, chamou os deputados Jovair Arantes (PTB/GO) e Vicente Candido, autor intelectual da proposta, e determinou o adiamento da votação, para que o governo se atualizasse sobre as propostas.

Jovair, vice-presidente do Atlético Goianense, amigo de Carlinhos Cachoeira, é um misto de deputado e cartola.  Já Vicente Cândido, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, é íntimo do novo president da CBF, Marco Polo del Nero. Assim, essa dupla utiliza seus mandatos parlamentares para defender interesses suspeitos do futebol, com apoio do ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), favorável ao Proforte, inclusive sugerindo anistiar 90% do calote, que não evoluiu.

Absurdo

Na prática, autoridades do Palácio do Planalto, o Ministério da Fazenda, Planejamento e Receita Federal, acharam “um absurdo não terem sido informados nem consultados” pelos deputados, pois o Proforte influenciará, também, na queda da arrecadação do governo.

É nessa turbulência que deputados governistas tentarão aprovar o Proforte nesta terça-feira e fazer o possível para que o projeto passe ainda hoje também pelo plenário da Câmara dos Deputados. A pressa deve-se ao esgotamento de prazo de algumas medidas provisórias, que passarão a trancar a pauta a partir de amanhã, isto é, impedindo a votação de qualquer projeto. Se isso ocorrer, o Proforte poderá ser votado só em agosto.

Propostas

O relatório do Projeto de Lei do Proforte, elaborado pelo deputado Otávio Leite (PSDB/RJ), está aqui, mas, resumidamente, as propostas são estas:

a)      ampliação do prazo do parcelamento da dívida dos clubes, de 240 para 300 meses ou 25 anos. A Receita Federal concede apenas 60 meses para o contribuinte em geral.

b)      substituição da taxa SELIC pela taxa TJLP, para correção e atualização dos juros da dívida dos clubes, reduzindo significativamente os valor do calote fiscal;

c)      criação do fundo, o IniciE, formado por verba pública, via loterias, e destinado a escolinhas de futebol em todo o país;

d)      Isençao do pagamento de imposto de renda para os prêmios da Timemania, a fim de tornar a loteria mais atrativa, ajudando os clubes devedores.  Mas isso é renúncia de receita, sem ser citada compensação, o que é proibido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

 Veja quem são os deputados que votarão o Proforte

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/54a-legislatura/pl-6753-13-proforte/conheca-a-comissao/membros-da-comissao


Receita da CBF cresceu 310% em 10 anos
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José Cruz

“Desde 2003, a receita da entidade cresceu 310%, e em 2013 a Confederação Brasileira de Futebol se consolidou como a maior entidade esportiva do Brasil em termos financeiros”

 

A CBF,  que dirige o futebol profissional brasileiro, teve receita de R$ 452 milhões em 2013, a mais expressiva de sua história, de 99 anos (completará 100 em agosto).

Esse valor é 277% maior que os R$ 120 milhões faturados em 2007, quando o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo, segundo análise de Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva. Ele divulgou esses números a partir do balanço da CBF de 2013, recentemente publicado.

“Desde 2003, a receita da entidade cresceu 310%, e em 2013 a Confederação Brasileira de Futebol se consolidou como a maior entidade esportiva do Brasil em termos financeiros”, disse Amir  Somoggi.

Receitas

Em 2013, os patrocínios renderam R$ 278 milhões à CBF, contra os R$ 236 milhões faturados em 2012.

Mas o faturamento que mais cresceu no ano passado foi a o dos “direitos de transmissão”, segundo Amir. Nesse quesito a renda chegou a R$ 113 milhões, aumento de 170% sobre 2012. Já as partidas amistosas da Seleção Brasileira significaram arrecadações de R$ 32 milhões.

Despesas

“Em 2013, a despesa total da CBF atingiu R$ 396 milhões, aumento de 21% em comparação com 2012. As despesas mais relevantes são as administrativas, custos com futebol, competições, impostos  e pessoal”, segundo o autor do estudo”, analisou o autor do estudo.

Conclusão

Observando  mais este estudo de Amir Somoggi, não há dúvidas de que a CBF representa a força de nossa principal cultura esportiva, o futebol.

Porém, esse poder financeiro concentrado não reflete a realidade dos clubes, também os que disputam as séries A e B do Brasileirão, a maioria com déficits acmulados. O mesmo acontece com outras modalidades coletivas, o vôlei e o basquete entre elas, sendo que essas são fortemente financiados pelo poder público.

No futebol, gestões desastradas, corrupção, enriquecimento ilícito, evasão de divisas entre outros crimes se acumularam impunemente por anos e provocaram, inclusive, dívida de R$ 4 bilhões dos clubes junto ao fisco (Receita, INSS e Fundo de Garantia).

É nesse contexto que uma comissão especial tentará votar hoje o “Proforte”, projeto de lei com normas para que os clubes renegociem essa dívida fiscal.

Abordarei esse assunto na próxima mensagem, mas não tenho dúvidas de que estão a caminho novas medidas, disfarçadas de “incentivos”, para fazer crescer a corrupção entre cartolas e políticos.

 


Sobre o futebol, as bananas e a inteligência humana
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José Cruz

A propósito da grande sacada de Daniel Alves,

… o sociólogo carioca, Eduardo Manhães, escreveu:

 

“Maravilhoso o ´danifesto´ antropofágico.
 
Nosso Daniel Alves mastigou e engoliu o racismo, deu uma banana pros caras
 
e transformou o tabu em totem.
 
Tupi or not tupi “
Ora, bananas!

A origem da banana é o Sudeste Asiático. Cada bananeira produz até 15 cachos da fruta, de uma só vez.

No Brasil, as espécies mais conhecidas são: nanica, prata, banana-terra e a banana maçã.

A banana é uma fruta rica em fibras, potássio, vitaminas A, B e C, e 70% do fruto é composto por água.

A banana pode beneficiar, mesmo consumida durante um jogo de futebol:

Úlceras do estômago, colite, raquitismo, hipertensão, combate á arteriosclerose, insuficiência renal, combate a insônia, o reumatismo etc.

Mas, cuidado!

A banana, rica em hidratos e carbono, não é recomendada para diabéticos e pessoas que sofrem de hepatite, dispepsia e icterícia.


Caso raro: ex-cartola livre de acusações
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José Cruz

Denúncias de irregularidades e de corrupção, também nas gestões esportivas, são comuns. Raras são as informações sobre finais de processos e, principalmente, os que demonstram a isenção dos acusados.

Por isso, publico sobre o arquivamento de uma denúncia, em São Paulo, que envolvia o então presidente da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), Celso Wolf Junior.

Por decisão judicial, Celso foi afastado em 2011 da presidência da CBBd, acusado de irregularidades na gestão.

Agora, três anos depois, a justiça paulista determinou o “arquivamento”  do processo, “após análise dos autos e das informações onde não constatarem nenhuma irregularidade nas prestações de contas de 2006, 207 e 2008”.

Desabafo

De Celso Wolf recebi a seguinte manifestação:

“Ouvi muitas insinuações e afirmações que eu havia sido retirado da CBBd por desvio de dinheiro, por irregularidades com verba pública, etc. Eu e minha família é que sabemos o que passamos. Demorou muito para sair o resultado da Justiça, mas, antes tarde do que nunca: oficialmente, nada de irregular lá foi encontrado.”

Perto de completar cinco anos neste espaço, esta é a primeira vez que publico uma notícia dessas.

Fico na expectativa de outras decisões judiciais na mesma linha para divulgar, principalmente, sobre o resultado das denúncias de irregulariades nas confederações de Tênis, Basquete, Vôlei, Ministério do Esporte… Lembram do Segundo Tempo, Orlando Silva etc? o espaço está disponível.

 


Governo aplica R$ 3,9 milhões em diagnóstico do esporte
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José Cruz

Ao custo de R$ 3,9 milhões, o Ministério do Esporte encomendou uma pesquisa nacional para “consolidar uma política de Estado” para o setor. O trabalho tem recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a primeira versão será apresentada entre agosto e dezembro deste ano.

Sob a coordenação da Universidade Federal da Bahia, outras cinco universidades participam da investigação, que abrange infraestrutura do esporte, legislação, financiamentos públicos federal, estadual e municipal, recursos humanos e contribuições científicas disponíveis para o setor.

O professor Ailton Oliveira, da Universidade Federal de Sergipe é o coordenador executivo da pesquisa, com autoridade de ser um mestre e doutor em diagnósticos esportivos.

Qual o objetivo específico desse projeto?

Ailton Oliveira – Esse projeto, de abrangência nacional, realizará um diagnóstico do Esporte, o “Diesporte”.  Visa conhecer o grau de desenvolvimento do sistema esportivo brasileiro, a fim de oferecer uma metodologia de avaliação permanente e uma cultura de estatísticas básicas para o setor, buscando a universalização das práticas esportivas, a democratização do acesso à prática esportiva, elevação do padrão esportivo dos brasileiros e melhores resultados em competições. ]

O que a pesquisa indicará, especificamente?

Ailton – Através desse trabalho vamos conhecer o grau de desenvolvimento dos elementos do sistema esportivo: o Sujeito que pratica esporte ou não (qualitativamente e quantitativamente); o financiamento existente para o setor; a legislação esportiva anteriores e atual no âmbito federal, estadual e municipal; a Infraestrutura esportiva existente e a gestão.

 Quais as instituições estão envolvidas no trabalho?

Ailton – A pesquisa está sendo realizada em rede por universidades públicas federais. A da Bahia faz a coordenação geral. As coexecutoras são as universidades federais de Sergipe (coordenadora executivo), do Rio de Janeiro (coordenação do sudeste), do Rio Grande do Sul (coordenação do Sul), de Goiás (coordenação do Centro-Oeste) e Universidade Federal do Amazonas (coordenação do Norte). O comitê gestor tem representantes do Ministério do Esporte, CNPq, IBGE e do Colégio Brasileiro da Ciência do Esporte (CBCE).

Em quanto tempo o trabalho será realizado e quando sairá a primeira versão?

Ailton – As primeiras reuniões preparatórias do pré-projeto foram em 2010. O projeto foi aprovado pela FINEP em 2011 e prazo para encerrar em 2014. A partir de agosto sairá a primeira versão.

Em que esse projeto difere do Atlas do Esporte, lançado em 2005, sob a coordenação do Professor Lamartine Pereira da Costa, também a pedido do Ministério do Esporte?

 Ailton – A visão do Atlas foi de buscar uma fotografia do que existia de esporte no Brasil, não houve uma metodologia que pudesse ser aplicada no tempo e no espaço e percebêssemos o movimento.  Analisando a tradição de estudos que objetivaram conhecer as práticas, os praticantes, a infraestrutura esportiva e o desenvolvimento esportivo no Brasil, em particular, nesses últimos 40 anos, verifica-se que foram realizados sete importantes estudos em escala nacional:

a) Diagnóstico da educação física e desporto no Brasil (DACOSTA, 1971), primeira análise abrangente sobre o esporte feito no Brasil;

b) Inventário da infraestrutura desportiva brasileira, realizado em 2.602 municípios (IBGE, 2000);

c) Atlas do Esporte do Brasil (DACOSTA, 2005);

d) Perfil dos municípios brasileiros (IBGE, 2006a);

e) Pesquisa do Esporte 2003 (IBGE, 2006b);

f) Dossiê Esporte – um estudo sobre o esporte na vida do brasileiro (IPSOS MARPLAN, 2006);

g) Análise Técnica de Estatística do Esporte: perfil dos brasileiros ao praticarem lazer (KASZNAR, 2010).

Esses estudos revelam fotografias, de olhar de um determinando momento, ainda assim, fragmentados e superficiais, sem fazer nexos e relações entre elementos que integram o sistema esportivo (praticante, infraestrutura, financiamento, legislação); apresentam abordagem teórica-metodologica diversificada, que não permite avaliações no tempo e espaço. O que mais aprofunda e tenta fazer essa relação foi o Diagnóstico de 1971, de autoria do professor Lamartine da Costa.  O Diesporte traz a experiências adquiridas com esses estudos e mais as experiências europeias como:

a) Compass European Network – Coordinated Monitoring of Participation in Sports (COMPASS), quando em 1996 vários países da Europa, iniciando com a Itália e a Inglaterra, depois envolvendo a Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Espanha, Suécia e o Reino Unido, realizaram um projeto que visava monitorar a participação nos esportes de maneira coordenada entre esses países;

b) Participation in Exercise, Recreation and Sport Survey 2009 (ERASS), este estudo teve início em 2001, sendo desenvolvido pela comissão de esportes Australiana, em conjunto com agências governamentais estaduais e territoriais, responsáveis pelo desporto e recreação;

c) Sport and Physical Activity (SPECIAL EUROBAROMETER 334), este estudo foi realizado em 2009, envolvendo 27 países da comunidade europeia e foi encomendado pela Direção-Geral da Educação e Cultura (DG EAC) da Comissão Europeia. Nesses estudos europeu observa-se o avanço da unidade metodológica que permite acompanha o movimento no decorrer do tempo e espaço.

Assim, o Diesporte adota uma nova perspectiva diagnóstica que não produz fotografia estanque, mais um filme, que pode ser analisado, seu desenvolvimento no tempo e no espaço em que as políticas esportivas são aplicadas. Com relações as variáveis pesquisadas, a ideia é que nesse primeiro momento serão analisados e captados os elementos básicos que permitam estatísticas básicas sobre os praticantes, a infraestrutura, o financiamento e a legislação. Assim, escolas públicas e privadas, clubes serão captados a partir do sujeito praticante ou não do esporte, bem como da infraestrutura esportiva.

Como o Ministério do Esporte aplicará os resultados desse diagnóstico?

Ailton –  O Diesporte não tem como objetivo só apresentar as informações captadas, ele tem como objetivo estabelecer uma política de estatísticas básicas para o setor e um sistema de avaliação permanente das políticas públicas de esporte. Assim, os resultados dirão o grau de desenvolvimento atual que estamos, apontará os entraves para universalização das práticas e oferecerá uma metodologia que pode ser aplicada a cada período, podendo o ministério do Esporte realizar avaliação das mudanças acorridas ou não a partir das políticas aplicadas, além de servir como ponto de comparação com as políticas esportivas na Europa, pois o Diesporte segue uma lógica metodológica internacional. Os resultados e os encaminhamentos  serão de grande valor ao Ministério do Esporte, bem como as secretarias estaduais de Esporte, porque oferecerá o que temos, como temos e permite avaliar as mudanças que ocorrerão. Ofereceremos indicadores de desenvolvimentos para cada elemento investigado, assim, o Ministério poderá acompanhar essas modificações.

Para saber mais: 

http://www.copedu.net.br/repositorio/wp-content/uploads/2012/05/Diagn%C3%B3stico-Nacional-do-Esporte-DIESPORTE.pdf

 

 

 

 


Atraso nos Jogos Rio 2016: Planalto concentra a liberação das verbas
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José Cruz

Está no Palácio do Planalto um dos entraves para o atraso nas obras aos Jogos Olímpicos Rio 2016. A liberação de recursos emperra, também, na subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, comandada por Luiz Antônio Tauffer Padilha, protegido da ex-minitra Gleise Hoffmann, que se manteve no cargo com a chegada do novo titular, Aloizio Mercadante.

Apesar de a organização dos Jogos contar com a estrutura técnica e administrativa da Autoridade Pública Olímpica, que coordena o trabalho entre os três níveis de governo – municipal, estadual e federal – as principais decisões sobre a liberação de recursos federais estão no gabinete de Tauffer Padilha, segundo um parlamentar petista com trânsito no Palácio do Planalto, confirmado por um executivo do governo.

Somente na semana passada, por exemplo, depois que o Comitê Olímpico Internacional anunciou a nomeação de um interventor no Comitê Organizador dos Jogos, é que a prefeitura do Rio publicou o edital para licitação das obras do Complexo de Deodoro, onde serão disputadas 11 modalidades olímpicas e quatro paraolímpicas. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), o atraso nesse projeto é de 14 meses.

Deodoro, que já tem boa parte das instalações prontas desde o Pan 2007, custará R$  853,5 milhões, com as obras do entorno. Desse total, o Ministério do Esporte participará este ano com R$ 49,3. Em dezembro de 2012, o Ministério já havia repassado R$ 39,3 milhões ao governo do estado do Rio “para elaboração do plano geral urbanístico e de projetos básico e executivo e de domínios comuns das instalações de Deodoro.” Para este ano, o Ministério do Esporte tem R$ 500 milhõe no orçamento para “implantação de infraestrutura aos Jogos 2016” e mais R$ 131 milhões para “preparação e organização dos Jogos Rio 2016”.

Agenda

Conforme agenda do Palácio do Planalto, Luiz Antônio Tauffer Padilha tem se reunido com autoridades que trabalham na organização dos Jogos 2016, entre eles o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o secretário executivo do Ministério do Esporte, Luiz Fernandes, o secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves e  outros.

Em 4 de abril, Tauffer fez reunião conjunta com representes dos ministérios do Desenvolvimento, do Esporte, da Autoridade Pública Olímpica e da Prefeitura carioca. A assessoria de Tauffer Padilha não se manifestou às perguntas sobre o assunto, que este blog encaminhou, há quatro dias.

Ministério

Apesar da preocupação das autoridades olímpicas internacionais com as obras de Deodoro, o Ministério do Esporte não vê esse problema todo:

“As novas obras no complexo de Deodoro são relativamente simples. Serão construídos um ginásio permanente para a esgrima do pentatlo e para as preliminares do basquete. Em estruturas temporárias ocorrerão as disputas de rúgbi de sete e as provas de hipismo e evento combinado (tiro e corrida) do pentatlo moderno. E os campos de hóquei sobre grama serão reformulados. Já em área contígua ao atual complexo será construído o Parque radical dos Jogos, para as provas de ciclismo (mountain bike e BMX) e canoagem slalom.”

Mais:

“Para os Jogos Olímpicos de 2016, as instalações de hipismo e tiro esportivo necessitam apenas de ajustes como aumento de capacidade de público, estruturas para áreas de televisão, mais baias para cavalos, entre outras obras simples. Para o pentatlo moderno, o centro aquático também já existe.”

À preocupação das autoridades internacionais com os atrasos, registrados também pelo TCU, o Ministério do Esporte responde de forma diplomática:

“O Ministério do Esporte considera que a avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) é uma contribuição para o trabalho de planejamento e de organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Os entes públicos e privados envolvidos nos preparativos do evento trabalham de forma integrada para que os prazos sejam cumpridos e as instalações esportivas passem pelos eventos-teste necessários.”

Atualizado às 23h50min

Da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República recebi a seguinte mensagem:

Informamos que a Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil é responsável pelo acompanhamento de programas e pela articulação entre diferentes órgãos do governo federal.  Sobre os Jogos Olímpicos de 2016, o Ministério do Esporte é o órgão do governo federal responsável pela coordenação das ações, por isso suas questões devem ser encaminhadas àquele órgão.”


Basquete: ação entre amigos financiada por verbas públicas
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José Cruz

Nos últimos 17 anos, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) teve apenas dois presidentes: Gerasime Grego (1997/2009) e Carlos Nunes, até hoje. Nesse tempo, um fez oposição ao outro e muitos acreditaram que isso era real.

Hoje, o companheiro Fábio Balassiano publica em seu blog, Bala na Cesta, especializado em basquete,  uma oportuna história sobre essa dupla, que repercuto aqui, porque a sujeira do esporte, financiada por muita verba pública, precisa ser escancarada. Só em dois anos, 2011/12, foram R$ 50 milhões de dinheiro oficial…

O primeiro capítulo (o segundo é mais estarrecedor)  é o seguinte, conforme o próprio Fábio escreveu:

1  – Grego é presidente da CBB entre 1997 e 2009. Seu vice, Carlos Nunes, presidente da Federação Gaúcha.

2 – Em maio de 2009, Carlos Nunes passa a ser “adversário” de Grego nas eleições e vence.

3 – Em março de 2013 há nova eleição. Quem é o candidato da “oposição”?  Grego.

4 – Em março de 2014, Grego, o tal candidato da “oposição” de meses antes, aprovou as contas de Carlos Nunes na qualidade de representante da Federação do Maranhão. Federação do Maranhão que o apoiou na eleição passada e que colocou uma liminar antes do pleito.

5 – Agora, abril de 2014, Grego e Nunes, mais unidos do que nunca, fazem parte da mesma chapa na Associação de Basquete da América do Sul (Abasu). E quem é o “vice presidente de Desenvolvimento?” Carlos Nunes. É o oficial retorno da dupla que comanda o basquete brasileiro desde 1997.

O futuro

Está claro que ao levar Carlos Nunes para a Abasu, Grego garantiu o apoio do cartola de hoje à sua candidatura, na eleição de 2017 na Confederação  de Basquete. E vencerá, porque Carlinhos não poderá se reeleger, mas apoiará Grego que ficará mais quatro anos no poder.

Assim, serão 24 anos da CBB nas mãos de apenas duas pessoas! Rodízio entre amigos, agora remunerados, porque a verba pública permite ser usada para pagar salário de cartola. Que tal?

Só no ano passado o Ministério reservou R$ 14 milhões par a CBB…

Segundo capítulo

Leiam a coluna de Fábio, aqui, para verem o que essa dupla, Carlinhos-Grego, é capaz de fazer “pelo bem” do basquete…


Copa 2014: “Todo mundo de olho no Brasil”
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José Cruz

O Tribunal de Contas da União avaliou que teve avanços na fiscalização dos gastos oficiais com a preparação do país para a Copa do Mundo. Mas a percepção de transparência pelo torcedor ainda é baixa, segundo uma pesquisa encomendada pela revista “Em Discussão”, do Senado Federal, que detalha, em 56 páginas de reportagens, sobre a realização do Mundial de Futebol no Brasil.

“Todo mundo de olho no Brasil” é a manchete da revista, lançada ontem. É  um relatório histórico para ser guardado, com informações valiosas e números oficiais dos investimentos públicos, por setor  – R$ 26 bilhões, até aqui.

Os editores tiveram o cuidado de fazer uma retrospectiva sobre o que ficou do primeiro grande evento esportivo no Brasil, os Jogos Pan-Americanos de 2007, e o que se projeta para a Copa.

“No que diz respeito ao legado, assim como no caso da Copa do Mundo, há dificuldades de apontar os benefícios do Pan para o Rio de Janeiro. Imediatamente, porém, as reclamações se concentram na falta de obras de infraestrutura de mobilidade urbana que melhorassem a vida da população”, escreveu o editor-chefe da revista, João Carlos Teixeira.

A íntegra da revista está aqui:

http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/emdiscussao/copa-do-mundo-no-brasil-2014.pdf