Blog do José Cruz

Arquivo : maio 2012

Governo do DF repete vexame em evento nacional de natação
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José Cruz

Brasília recebe até domingo o Campeonato Brasileiro Júnior de Inverno e o Campeonato Brasileiro Sênior. É a geração 2016 competindo: 400 atletas de 53 equipes do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais etc.

O evento, na piscina do Conjunto Aquático Cláudio Coutinho, provocou a ira de muitos nadadores devido a precariedade das instalações.

A falta de conservação inclui um péssimo serviço de som, placar danificado, iluminação precária, banheiros sem higiene para uso dos atletas etc.

E isso ocorre na cidade que receberá as Olimpíadas Escolares Mundiais, Gymnasiade, no ano que vem, com dois mil atletas de 45 países.

Memória

Em fevereiro deste ano o governo do Distrito Federal passou por um vexame internacional ao receber o Campeonato Mundial de Patinação Artística. Conforme noticiamos, várias provas foram suspensas porque a chuva que entrava pelas goteiras do Ginásio Nilson Nelson inundava a área de competição.

É em frente a essas áreas que o governo constroi um estádio de futebol para 72 mil pessoas.

Sobre mais essa irresponsabilidade do governador Agnelo Queiroz, leiam as observações de um ex-nadador olímpico, atualmente técnico, Marcelo  Tomazini. Paulista, ele está em Brasília acompanhando sua equipe, e publicou em seu blog os problemas que os atletas enfrentam na capital da República.

Para saber mais:

http://www.cbda.org.br/noticias/brasileiros-de-inverno-em-brasilia


Fifa já admite que “legado” da Copa é bobagem. A farsa escancarada
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José Cruz

O repórter Sérgio Rangel publica reportagem na Folha de S.Paulo, hoje, com uma declaração surpreendente de Jerome Valcke, o secretário da Fifa especialista em chutes no traseiro.

Copa não mudará o país”, disse Valke, para quem só as arenas e os aeroportos são prioridades.

A declaração é o oposto de tudo o que o governo discursou até agora – desenvolvimento e legados – e demonstra a farsa que se transformou o megaevento de R$ 38 bilhões.

Porque, “diante do atraso das obras, a Fifa já admite que os projetos ligados à Copa não terão um impacto que altere a cara do Brasil”. disse Valke.

O que precisamos, com certeza, são dos estádios. Precisamos também que os aeroportos funcionem, que as pessoas possam se locomover de uma cidade para outra. Mas não podemos pensar que um país mudará completamente em cinco, seis anos“, afirmou o dirigente.

Enquanto isso…

Ainda segundo o repórter da Folha, o ministro da Cidades, Aguinaldo Ribeiro, responsável pelos projetos de mobilidade urbana, afirmou que em outubro poderão ser excluídos do pacote da Copa projetos não iniciados.

Se em outubro não tiverem sequer projeto ou se não tiverem sido contratadas, vai haver debate no governo para decidir qual será o encaminhamento nessas obras. Não havendo a contratação, acho que não haverá condição de ter execução dentro do período próprio“, afirmou.

Há projetos que estão com dois anos de atraso, como já divulguei, com base em cobranças do Tribunal de Contas da União.

Em decorrência, não há matriz de responsabilidade, isto é, não se sabe de onde sairá o dinheiro, se do governo federal, estadual ou municipal.

É a desordem institucionaliada da Copa e, agora, reconhecida pela entidade maior, a Fifa, que faz o governo recuar e admitir não ser preciso tanta obra…

Ou seja, as obras foram projetadas – no discurso, claro – por conta do Mundial de Futebol. Não que seja uma necessidade dos brasileiros em geral.

A farsa do “legado” do Pan 2007 se repete na Copa 2014. Agora, com antecedência de cinco anos.


Copa 2014: Aldo Rebelo lança o “ritmo da fantasia”
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José Cruz

Nesta terça-feira, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de inquestionável desempenho como presidente da CPI da CBF Nike, em 2001, e, mais tarde, presidente da Câmara dos Deutados,  publicou artigo no jornal Correio Braziliense. Com elogios a Brasília  ele também debochou dos críticos, entre os quais me incluo, por discordarem da extravagante obra de construção de um estádio de 72 mil lugares, o Mané Garrincha. Custo pra lá de R$ 1 bilhão.

É um texto de ocasião, claro, como já fez em outros jornais, mas com argumentos ufanistas que contrastam a realidade de nosso paupérrimo futebol, de miseráveis 600 torcedores, como na recente final de Campeonato Candango.

Ao apoiar a obra do novo Mané Garrincha, que já consumiu R$ 880 milhões de verba pública, o ministro esqueceu que na mesma cidade ocorrem 56 assaltos por dia; e já se tornaram insuportáveis os “apagões”, cortes de energia que aproxima a Capital da República da precariedade interiorana.

Defender a construção de um gigante de 72 mil lugares numa cidade de esporte fragilizado, sem planos ou metas é incentivar o desperdício e escancarar as portas à corrupção. E que o contribuinte não conte com o Ministério Público do Distrito Federal para conter o abuso governamental. A omissão é real.

Enquanto isso…

– e preste atenção, Ministro Aldo Rebelo – o mesmo jornal onde está seu artigo alvissareiro, publicou editorial que revela dados alarmantes da rede pública de saúde do Distrito Federal. Assim:

Em 2010, das 2.246 pessoas que aguardavam cuidados radioterápicos apenas 764 atingiram o objetivo. Significa que 60% dos brasilienses que precisavam do tratamento ficaram no caminho”.

Morreram, ministro Aldo Rebelo, enquanto o dinheiro para investimento hospitalar era desviado para a obra do estádio que o Senhor aplaude.

E o quadro, hoje, é, sem exagero, pior, um horror que o Senhor desconhece porque visitar hospitais não faz parte de sua rotina ministerial. Bastam os estádios.

Coincidentemente, a Fifa divulgou ontem o slogan da Copa: “Juntos num só ritmo”.

Em entrevista, ao lado de Jerome Valcke, o chutador oficial de traseiros, o ministro Aldo Rebelo festejou o “ritmo do Brasil, o ritmo da fantasia”…

Agora ficou claro, fantasia…


Tênis fora dos Jogos de Londres? fartura de dinheiro e escassez de atletas
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José Cruz

Derrotado pelo sérvio Viktor Troicki, na primeira rodada de Roland Garros, o brasileiro Thomaz Bellucci perde 80 pontos no ranking “e pode ficar fora das Olimpíadas de Londres, já que a lista de participantes será feita com base na classificação internacional após Roland Garros

A informação está na página oficial da Confederação Brasileira de Tênis, e o próprio Bellucci admite ser difícil ir ao tradicional evento.

Repetindo:

O Brasil poderá ficar sem representantes masculino e feminino no torneio individual de tênis dos Jogos Olímpicos de Londres.

Qual a desculpa para esse fracasso?

Com a palavra o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, o presidente da ECT, patrocinadora, e, principalmente, o presidente da Confederação de Tênis, Jorge Lacerda da Rosa.

Explicações

Expliquem, por favor, sobre essa situação de retrocesso, depois de:

– 10 anos de vigência da Lei Piva

– Recursos da Lei de Incentivo

– Recursos do orçamento do Ministério do Esporte

– Patrocínio da ECT injetados na Confederação Brasileira de Tênis.

Quanto, afinal, foi investido na modalidade nos dois últimos ciclos olímpicos? Antecipo o dado mais recente: Só em 2011 a Confederação recebeu R$ 10 milhões dos cofres públicos.

Mas, afinal, quem são os destaques masculino e feminino profissionalizados?

Porque ficamos na dependência de apenas um nome, Bellucci, para representar o país numa olimpíada?

Qual o motivo do fracasso do projeto tênis diante dos recursos recebidos nos dois últimos ciclos olímpicos?

Repeteco

Senhor Jorge Rosa, insisto nas perguntas públicas, pois não obtive respostas dos encaminhamentos à sua assessoria.

Não  é oportuno apresentar o balanço das movimentações bancárias das seis contas correntes “laranjas” – nos bancos do Brasil, Itaú e Nossa Caixa –  operadas pela CBT em nome do Instituto Tênis, em São Paulo?

Essas movimentações foram contabilizadas pela CBT?

O Tribunal de Contas, o Ministério Público Federal, a Controladoria Geral da União e a Polícia Federal – que investiga denúncias de irregularidades na CBT – conhecem sobre essas contas laranjas, movimentadas por uma instituição fartamente beneficiada por recursos públicos?

Finalmente:

Porque Jorge Rosa não cumpre o estatuto da CBT e apresenta prestações de contas trimestrais?

Não foi com esse argumento – “transparência” – que ele liderou o movimento para afastar Nelson Nastás da CBT, prometendo dar novos rumos ao tênis brasileiro?

Pois aí estão os novos rumos, os novos tempos. Fartura de dinheiro e escassez de atletas …

O Ministério do Esporte questiona a CBT sobre essas questões?


Copa 2014: afinal, quem manda no COL?
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José Cruz

O Painel FC da Folha de S.Paulo, hoje, diz que Pelé, com apoio de Lula,  está cotado para assumir o comando do Comitê Organizador Local (COL), que já esteve nas mãos de Ricardo Teixeira e, agora, nas de José Maria Marin, presidente da CBF.

Incrível, mas a um ano da Copa das Confederações e a 745 dias da abertura da Copa do Mundo ainda se discute quem é o chefe do comitê organizador…

Isso demonstra que a “intervenção” do governo do COL foi, até agora, de fachada, para suíço ver, claro.

Pior:
Temas como segurança, telecomunicações, energia, tecnologia da informação, malha aérea, esquemas de saúde e de energia ainda não têm a matriz de responsabilidade, o documento de indica de onde virá o dinheiro e quem será o responsável pela execução dos projetos.

Mas nem tudo está perdido, pois técnicos do Ministério do Esporte discutem sobre esses temas… O atraso é de até dois anos.

É assim, com disputas políticas e planejamentos pífios que o governo investirá  de R$ 33 bilhões em obras de infraestrutura da Copa.

Já a transparência…


Romário: a Fifa é uma das entidades mais corruptas do planeta
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José Cruz

Depois de visitar as 12 sedes da Copa 2014, o deputado Romário tornou-se uma das referências políticas para a imprensa quando o assunto é sobre os gastos públicos para o megaevento.

Em reportagem escrita por Eduardo Sá, da revista “Caros Amigos”, o “Baixinho” saiu da crítica interna exclusiva e atacou a poderosa Fifa. Sem disfarces ou meias palavras, ele declarou:

A Fifa é uma das entidades mais corruptas que tem no planeta. E vai continuar corrupta internamente.”

A reportagem completa está disponível na loja virtual da Caros Amigos.

Sugestão

Para saber mais sobre os bastidores do futebol, um dos livros de referência é “Como eles roubaram o jogo – Segredos e subterrâneos da Fifa ”, de David A.Yallop.

O interessante é que o livro, da editora Record,  foi lançado em 2002, há 10 anos, portanto. Mas apresenta uma perspectiva sobre o que estamos vendo como se o autor fosse um visionário, o que torna a publicação histórica e atual.


Campeões do futebol são “heróis abandonados”
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José Cruz

Excelente reportagem de Gustavo Marcondes no Correio Braziliense deste sábado sobre os dramas de vários bicampeões mundiais de futebol – 1958/1962  –, esquecidos nestes tempos da valorizada mídia instantânea. “Heróis abandonados”, é o titulo da reportagem, em três edições – amanhã e segunda-feira tem mais.

A partir da premiação de R$ 100 mil que cada campeão receberá, conforme a Lei Geral da Copa, recentemente aprovada, Gustavo foi a campo e ouvir vários campeões.

A recompensa prometida é a mesma que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) oferecerá aos nadadores que ganharem medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres.

O ex-craque tricampeão,  Tostão – agora craque na crônica esportiva –  é contra o benefício governamental (aqui), alegando que em 1970 ganharam bom prêmio.

Mas não se pode ignorar que os bicampeões, principalmente, não tiveram prêmios milionários ou gratificação da TV e, hoje, efrentam dificuldades enormes para tratamento de saúde, antes de tudo.

Pior: o tempo se encarregou de colocá-los no esquecimento da fama que um dia tiveram, mesmo sem a poderosa exposição da mídia de nossos tempos.

Assim, velhos e doentes, estão desamparados, também, do carinho do torcedor, pois ao longo de 50 anos foram ignorados pela CBF.

“A CBF nunca fez nada. Deveria nos dar mais valor, mas eu não espero nada”, afirmou o bicampeão Djalma Santos que jogou na mesma Seleção de Nilton Santos, também autor de uma frase que se tornou famosa: “Eu fazia o que gostava e ainda me pagavam”…

Enfim, leiam a reportagem que recupera parte da historia da Seleção Brasileira que há 50 anos começou a dar nova visibilidade ao Brasil. Aula de jornalismo oferecida por Gustavo Marcondes.


Ministério do Esporte abre o cofre para o alto rendimento
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José Cruz

Mesmo com o bloqueio de R$ 55  bilhões no orçamento federal deste ano, economia de dinheiro conhecida por “superávit primário”, para ajudar a pagar a dívida pública, o Ministério do Esporte foi pouco atingido pelas restrições e manteve fôlego para continuar sustentando o esporte de alto rendimento.

Nos cinco primeiros meses do ano a pasta do ministro Aldo Rebelo já liberou R$ 35,2 milhões para 11 instituições esportivas, reta final da preparação das equipes olímpica e paralímpica, rumo aos Jogos de Londres, a partir de 27 de julho, de olho na Olimpíada Rio 2016. Nos Estados Unidos a preparação é financiada pela iniciativa privada.

Divisão dos bens

O principal beneficiado no rateio do Ministério do Esporte, até agora, foi o Comitê Olímpico. Além dos R$ 11,8 milhões recebidos em 2011, teve o caixa reforçado com R$ 13 milhões este ano.

O recurso, desta vez é específico para contratar “serviço de consultoria internacional em megaeventos, altamente especializada”, rumo aos Jogos 2016. País sem problemas sociais é outra coisa!

Para o Comitê Paralímpico foram R$ 12 milhões para preparação da equipe que vai aos Jogos de Londres.

Confira:

BENEFICIADO

R$

Assoc. Desp. p/Deficientes

657.150,00

Comitê Olímpico

13.027.335,00

Comitê Paraolímpico

12.057.292,00

Conf. Desportos Aquáticos

1.196.000,00

Confederação de  Taekwondo

3.082.350,00

Confederação de Esgrima

1.292.240,00

Confederação de Pentatlo

982.995,00

Confederação Desp. Escolar

554.000,00

Confederação Tiro com Arco

950.907,97

Minas Tênis Clube/BH

1.107.218,00

Tijuca Tênis Clube/RJ

341.031,00

T O T A L

35.248.518,97

E vem mais por aí. Em breve, novas divulgações.

Enquanto isso …

O Ministério da Saúde sofreu um bloqueio em seu orçamento  –  conhecido por “contingenciamento” –  de R$ 5,47 bilhões.

País saudável é outra coisa!

Essa é a questão. Desde 2003 o governo fez a opção por assumir o alto rendimento e nele aplica muito dinheiro das estatais, da Lei de Incentivo, das loterias, do orçamento, enfim.

Mas faz isso, insisto, sem um plano que contemplasse, prioritariamente o desporto para todos, o desporto na escola.

Vamos para o alto rendimento desperdiçando os indispensáveis projetos sociais em comunidades pobres e a aplicação da prática da educação física escolar que, reconhecidamente, contribui para a formação do caráter dos jovens e a melhoria do rendimento no ensino.

Mas somos um país olímpico… O esporte elitizado é privilégio de poucos.


Futsal terá R$ 20 milhões dos Correios
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José Cruz

Depois de oito anos de parceria, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) renovou seu patrocínio com a Confederação Brasileira de Futebol de Salão, por R$ 20 milhões, até janeiro de 2014.

Além da Seleção Brasileira,os recursos serão aplicados em competições, fomento nas categorias de base e projetos sociais em comunidades de baixa renda.

Modalidade não-olímpica, mas com forte apelo de torcedores e da televisão, principalmente nas regiões Sul e Nordeste, o futsal é modalidade que projetou alguns craques para o futebol profissional, como Ronaldinho Gaúcho, Robinho e o atual fenômeno Neymar, por exemplo.

Além dos Correios, a Confederação tem o patrocínio do Banco do Brasil e da Chevrolet, cujos valores não são divulgados.

Olímpicos.

Para o biênio 2011-2012 os Correios também patrocinam a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, com R$ R$ 16 milhões, e a Confederação de Tênis com R$ 5,7 milhões


Copa 2014: governo altera prazos e atrasa planejamento
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José Cruz

Temas como “segurança”, “energia” e “tecnologia da informação” estão com dois anos de atraso  na elaboração da matriz de responsabilidades

Uma semana depois que a Folha de S.Paulo publicou relatório da Fifa, manifestando “excesso de politização”  nas decisões nacionais e “atraso nas obras essenciais”, o ministério do Esporte respondeu com um balanço garantindo que está tudo em dia, motivando, inclusive, manifestação otimista do ministro Aldo Rebelo: “Temos o que comemorar”.

Não é bem assim. Os três ciclos de planejamento da Copa (abaixo) mostram que apenas o primeiro está com a matriz de responsabilidade fechada, o que ocorreu em 2010, final do governo Lula da Silva.

Os outros dois ciclos de planejamento tiveram prazos alterados, o que motiva preocupação dos órgãos de fiscalização do governo. (O documento original está aqui)

Comparações

No mesmo momento em que, na manhã desta quarta-feira, o ministro Aldo Rebelo apresentava seu relatório, em Brasília, no Tribunal de Contas da União (TCU) era entregue o balanço das contas do governo federal de 2011, com um capítulo específico sobre a preparação do país para o Mundial de Futebol.

Ao examinar a matriz apresentada pelo governo, o Tribunal constatou que um dos maiores problemas em relação ao documento (relatório de 2011) refere-se ao fato de não abranger todas as ações identificadas com o evento, o que prejudica a transparência da atuação governamental na realização do Mundial”.

Diz mais o amplo relatório do TCU, que aprovou as contas gerais do governo federal:

O monitoramento realizado pelo governo limitou-se às obras de mobilidade urbana, estádios, portos e aeroportos, não permitindo o acompanhamento completo de todos os gastos relacionados à Copa. Em prol da transparência, o TCU indicou necessária a inclusão de temas como segurança, saúde, hotelaria, telecomunicações, aspectos operacionais, convênios e contratos celebrados pelas diversas pastas ministeriais envolvidas nos preparativos do evento.”

Os alertas, feitos no final de 2011, continuam atuais se analisarmos os prazos de planejamento dos três ciclos de responsabilidades e o estágio em que se encontram.

Diferenças

O planejamento da Copa 2014 foi dividido em três ciclos, a seguir detalhados, com os respectivos prazos para a elaboração das matrizes de responsabilidades, mas já alterados no relatório do Ministério do Esporte, ontem apresentado.

Essas mudanças justificam as já antigas preocupações do Tribunal de Contas da União, principalmente no item “transparência dos gastos públicos”. Confiram as diferentes etapas e prazos:

1º Ciclo – 2010 – 2011: Projetos de Infraestrutura – Estádios, Mobilidade Urbana, Aeroportos e Portos.

Esse ciclo está com a matriz de responsabilidade assinada desde 2010, identificando quem assume cada obra (governos Federal, Estadual ou Municipal) e a origem dos recursos;

2º Ciclo – Projetos de infraestrutura de suportes e serviços –  2009 – 2010 – Em discussão, pois o prazo foi alterado para 2011-2012, isto é, dois anos de atraso: Segurança, Infraestrutura Turística, Telecomunicações e Tecnologia de informação, energia, sustentabilidade ambiental, promoção e comunicação do país.

3º Ciclo – Operações e ações específicas – 2011 – 2013A serem discutidos, mas o prazo passou para 2012-2013, ou seja, um ano de atraso:  Malha aérea, operações aeroportuária e portuária; Transportes e mobilidade urbana; Fornecimento de energia; Saúde, prevenção e pronto socorro; estruturas temporárias para a Copa.

Segundo o TCU, o Ministério do Esporte já encaminhou detalhes do planejamento do assunto “Telecomunicações”, que consta do segundo ciclo de planejamento. Que avanço!

Memória

É oportuno lembrar que no ano passado, ainda quando Orlando Silva era ministro do Esporte, o relator do assunto Copa 2014, Valmir Campelo, já alertava para o risco de atraso na discussão e distribuição de responsabilidades para cada etapa do planejamento.

Campelo buscava evitar – e citou isso, inclusive – a repetição da farra de contratações de serviços sem licitações ocorridas no Pan 2007, no Rio de Janeiro, a pretexto de “falta de tempo” para cumprir a legislação.

Se chegarmos a isso entraremos no ponto do “vale tudo porque o evento não pode ser prejudicado…”

Estranho

Sem dúvida, a um ano e um mês da abertura da Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho de 2013, torneio-teste com oito seleções, é muito estranho que ainda não se tenha o planejamento de fases importantíssimas do evento.

Desde outubro de 2007 sabemos que o Mundial de Futebol será no Brasil e, nesse aspecto, não se ter o elementar planejamento é vergonhoso.

Particularmente, não vejo o que festejar, mas lamentar o atraso que sugere desleixo na gestão do bem público.

Mas, como disse o ministro Aldo Rebelo, “o atraso faz parte da cultura brasileira” …

Então tá.