Blog do José Cruz

Arquivo : outubro 2012

Coaracy Nunes deverá ter opositor em sua sétima campanha de reeleição à CBDA
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José Cruz

Um quarto de século depois de ter assumido a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), em 1988, o presidente Coaracy Nunes deverá ter, enfim, um opositor na eleição de março.

Por iniciativa de Julian Romero, editor do site de natação www.swim.com.br/index.php, apoio do ex-atleta olímpico Eduardo Fischer e competidores das cinco modalidades aquáticas está sendo organizada uma chapa de oposição para tentar interromper o mandato de Coaracy Nunes, que em 2013 completará 25 anos consecutivos.

O grupo já lançou, inclusive, a marca para incentivar a renovação.

Os atletas das cinco modalidades aquáticas estão reféns de uma gestão que se preocupa em atender muitos interesses privados, internos ou próximos da Confederação, além de gastar muito dinheiro – em sua grande maioria proveniente de leis de incentivo – sem dar qualquer satisfação àqueles que tornaram a CBDA naquilo que é hoje: uma instituição que lucra – e muito – na base dos pouquíssimos talentosos atletas que surgem anualmente e espontaneamente dentro de clubes, academias, escolas de natação, sustentados pelo apoio interminável de seus pais e de uma motivação incrível para superar as dificuldades de infraestrutura diárias com que convivem” – escreveu Julian Romero.

 

Julian é irmão de Rogério Romero, atleta das seleções olímpicas de 1988 a 2004. Eduardo Fischer esteve nos Jogos de Sydney e Atenas.

O site  www.mudacbda.com.br, em criação, incentivará a comunidade aquática a protestar e, principalmente, fomentar uma candidatura de oposição contra o atual presidente Coaracy Nunes Filho, que tenta vencer sua sétima reeleição consecutiva. A oposição que se anuncia é inédita nesse quarto de século, o que demonstra que a CBDA tornou-se até agora reduto exclusivo de uma só pessoa.

“Em princípio, a eleição está marcada para março de 2013, mas poderá ser antecipada a qualquer momento graças a poderes a ele atribuído constantes no estatuto da entidade”, denunciou Romero.

Para saber mais:

https://www.facebook.com/MudaCbda
http://www.twitter.com/mudacbda

jromero@swim.com.br


No Vasco, Dinamite se aproxima de Eurico Miranda
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José Cruz

Pressionado em sua gestão diante da decadência do time em campo – está a oito pontos do G4 –, o presidente do Vasco, Roberto Dinamite dará explicações à imprensa, hoje.

Um dos principais pontos da entrevista, conforme reportagem de Roberto Wagner, do Correio Braziliense, será sobre o atraso de três meses nos salários dos jogadores e o balanço financeiro de 2011, ainda pendente de aprovação.

Agora, observem o seguinte enredo:

Calote da venda de Diego Souza – Seduzido pelas cifras do clube saudita Al-Ittihad, o Vasco decidiu vender, durante o Brasileiro, os 33% dos direitos que tinha sobre Diego Souza. O problema é que os R$ 5 milhões prometidos pelo clube estrangeiro nunca foram depositados. O cruz-maltino acionou a Fifa para resolver o caso. A entidade internacional cobrou do Al-Ittihad uma resposta até 8 de novembro”.

Faço este comentário porque rendeu bom debate a gestão dos clubes, com destaque para o Fluminense, que não revela quanto recebe do patrocinador.

Lavanderia

Também publiquei sobre a “lavanderia internacional” de dinheiro sujo, escondida pelas negociações do futebol.

Essa transação de Diego Souza demonstra como os negócios milionários são realizados em nome de um clube com a tradição do Vasco.

É assim  nos demais clubes, não há ilusões sobre isso.

Portanto, os torcedores apaixonados que me perdoem, mas essa é a realidade do nosso futebol “profissional”!!!

Patrocínio

O Vasco é patrocinado pela Eletrobras. Mas desde 2010 não recebe as parcelas correspondentes.

O último repasse foi em 2009, R$ 91 milhões.  Clube “inadimplente”, isto é, em débito com o fisco, não pode receber recursos públicos.  Olha o prejuízo aí!

E o que fez o presidente Dinamite diante de tudo isso: buscou o apoio do ex-opositor, Eurico Miranda, diz Roberto Wagner em sua reportagem.

Algo assim como o PT, que se aliou a Maluf. Dá para entender?

Mas é o que tenho escrito: o futebol imita a política, porque, de comum, há o jogo de interesses.

E o torcedor que se iluda…


Futebol, a lavanderia internacional para limpar dinheiro sujo
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José Cruz

O Relatório de 2009 do Grupo de Ação Financeira (GAFI) sobre lavagem de dinheiro no futebol diz  o seguinte:

“A indústria do esporte é um dos muitos setores atraentes para os criminosos, com o objetivo de legitimar ativos, e merece maior reflexão dada a ampla gama de transações monetárias e aumento do número de pessoas envolvidas.

Em junho de 2008, o GAFI decidiu investigar lavagem de dinheiro através do futebol a fim de entender melhor o processo de legitimar capitais, as formas em que o crime pode estar ligado com as atividades econômicas e como o dinheiro sujo pode ser  infiltrado em atividades legítimas”.

Estas operações estão relacionadas com a propriedade de clubes de futebol ou jogadores, o mercado de transferência, apostas, direitos de imagem e acordos de patrocínio ou publicidade.

Outros casos mostram que também se usou o futebol para cometer atividades criminosas como o tráfico de pessoas, tráfico de drogas (doping) e infrações fiscais.

O Grupo de Ação Financeira – GAFI –   é uma organização intergovernamental criada em 1989, por iniciativa do G7, com sede em Paris.

O objetivo do GAFI é desenvolver e promover políticas nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.  O Grupo congrega atualmente 34 países, entre eles o Brasil.

Enquanto isso…

Torcedores do Fluminense não gostaram da entrevista na CBN, que ontem repercuti, sobre as dívidas fiscais do clube. E  baixaram o sarrafo.

Discordar é do jogo, claro, mas confundem a liderança do Flu no Campeonato Brasileiro com gestões desastrosas de cartolas que já saíram de cena e deixaram a bomba para o atual presidente.

Como disse Amir Somoggi, o consultor que analisa a nebulosidade nas finanças do futebol, “os torcedores ainda não entenderam que gestão transparente não tem relação com a posição dos clubes na tabela do campeonato.”

E insiste na pergunta:

“Alguém tem ideia quanto, de verdade, é movimentado pelo investidor do Fluminense”?

E o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, conhece esta realidade da falta de transparência nas finanças do futebol, pois foi relator da CPI da CBF Nike, em 2001, quando investigou este assunto a fundo. Está no seu relatório.

História

Desde 2001 sabe-se oficialmente sobre tais calotes dos clubes ao fisco brasileiro.

O problema não é exclusivo do Tricolor carioca como mostrou a reportagem. Mas tornou-se mais rumoroso porque o atual presidente Tricolor teve coragem de reconhecer a sonegação, publicamente.

Certidões

Outro dia pedi aos 20 clubes da Série A do Brasileirão a certidão negativa junto ao fisco. Apenas o São Paulo FC respondeu exibindo os documentos.

Ou seja, o calote é real os clubes devedores não podem ser beneficiados por verbas públicas nem isenções fiscais!

O  Ministério Público que se manifeste.


Fluminense é o pior clube do país em transparência financeira
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José Cruz

Líder do Brasileirão e perto de erguer a taça de campeão 2012 o Fluminense é “disparado o clube menos transparente do Brasil”.

A revelação é do consultor em finanças do futebol, Amir Somoggi, que analisa o assunto a partir dos balanços financeiros dos clubes.

Entre 2007e 2010, a diretoria do Fluminense não recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte e o INSS.

Falsa acusação?  Nada disso! São revelações do presidente do clube, Peter Siemsen, ao companheiro Leandro Lacerda, que realizou excelente reportagem para a Rádio CBN.

“Isso (a falta de recolhimento dos impostos) é apropriação indébita, isto é, não pode ser negociada, parcelada. Nada”! – revelou Peter.

“O Fluminense é disparado o clube menos transparente do Brasil. Ou alguém tem ideia quanto, de verdade, é movimentado pelo seu investidor?” – questionou Amir Somoggi, consultor e especialista em gestão do futebol.

“No caso do Corinthians, o caso do Fielzão é o exemplo claro como transparência vai muito além do balanço. Esse estádio virou uma caixa preta…”, disse Amir.

Essas revelações reforçam a tese que o futebol profissional é uma da maiores lavanderias de dinheiro a céu aberto do mundo, conforme relatório da Organização das Nações Unidas sobre o assunto.

E é nesse negócio nebuloso e altamente suspeito que o governo federal e muitos estaduais estão metidos, na medida em que destinam recursos financeiros e isenções fiscais para financiar a falcatrua explícita.

É o tal calote oficializado. O governo cobra os ipostos, os clubes fingem que pagam e o mesmo governo abre o caixa financeiro para o devedor.


Desafio ao Galo
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José Cruz

 

Por Bernardo Scartezini

Do Correio Braziliense

Tu bem podes dizer que o Atlético Mineiro tentou dar uma incendiada no Brasileiro-2012.

Verdade. A vitória do Atlético sobre o Fluminense, no domingo passado, em Minas Gerais, foi um daqueles momentos sublimes do desporto. O triunfo da vontade. Um épico em noventa minutos que contou com todos os ingredientes das memoráveis batalhas futebolísticas: arbitragem polêmica, alternância no placar, bolas na trave, entrega coletiva, torcida em delírio e um gol de antologia no ultimíssimo instante.

Uma partida que, por uma justiça poética não muito comum aos campos de futebol, teve atuações destacadas & decisivas dos três melhores jogadores desta temporada: o arqueiro  Cavalieri, o artilheiro Fred e o renascido Ronaldinho Gaúcho.

Foi lindo. Mas, me diz, quanto tempo durou esse incêndio? Três, quatro dias?

Logo na quinta-feira, o Flu recebeu o alquebrado Coritiba em casa e conseguiu mais uma de suas vitórias apertadinhas e exatas: 2 x 1. Pronto. Quando nem Fred, nem Deco aparecem para decidir, Thiago Neves e Wellington Nem dão conta da parada.

Chegamos a um momento tal, amiguinho, que não adianta o Atlético voltar a jogar o fino da bola. Não basta ao Atlético pastar o capim do Independência.

O Fluminense também tem que perder alguns de seus jogos daqui pra dezembro. Perder pontinhos não apenas para o Atlético ou para o Grêmio, como perdeu nas últimas semanas, em duas sensacionais pelejas. Agora, o Fluminense precisa perder pontinhos semanais, perder pontinhos constantemente, perder pontinhos até nesses joguitos meia-boca de meio de semana, perder pontinhos até diante de um Coritiba…

Danou-se, né?

De toda forma, diante dos últimos acontecimentos, uma perguntinha se impõe… Não seria, então, o momento de o Gaúcho voltar à Seleção?

Nunca foi simples a relação entre Ronaldinho Gaúcho e a Seleção Brasileira. Tomemos as duas últimas Olimpíadas como exemplo…

Para Pequim-2008, o Gaúcho foi convocado pelo excelentíssimo doutor Ricardo Teixeira em pleno Jornal Nacional. E o gentil Dunga teve de engoli-lo gostosinho, sem cara feia, por conta daquele seu exacerbado & contagiante senso de hierarquia.

Para Londres-2012, com a CBF sob “nova” direção, o Gaúcho foi praticamente banido pelo senhor José Maria Marín numa entrevista coletiva. E o cordato Mano Menezes, que até então vinha convocando o caboclo, teve de ligeiro mudar de ideia.

Se tu me perguntares, sempre direi que sou a favor do craque. Mas, depois dessas e de outras, me parece estar claro que fatores técnicos não são o suficiente para certos jogadores.

(Em tempo… Causa espécie a notícia de que os clubes do Rio de Janeiro não poderão concorrer na licitação pública que entregará o “Novo Maracanã  à iniciativa privada depois de sua “reforma” drenar uma enormidade de dinheiro público. Quem mais do que Flamengo e Fluminense poderia se credenciar ao estádio? Não estaria o governo abrindo um flanco para atravessadores e oportunistas? E por que essa decisão só foi apresentada após a reeleição do atual prefeito do Rio, heim?)

Bernardo Scartezini escreve aos sábados no Super Esportes do Correio Braziliense


O mensalão, os políticos e as emoções do esporte
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José Cruz

Volto ao Mensalão, o fato histórico do Supremo Tribunal Federal (STF), e repercuto no nosso ambiente de discussão, como fiz há alguns meses: há mensalão no esporte?

Por “mensalão” entenda-se não só o dinheiro pago a parlamentares para que se curvassem diante das vontades do Palácio do Planalto, mas a roubalheira de grana pública por “quadrilhas”, como concluíram os ministros do Supremo Tribunal Federal.

Por exemplo:

A Controladoria Geral da União determinou a devolução de R$ 50 milhões do programa Segundo Tempo porque o dinheiro não chegou ao seu destino. Então, quem ficou com a grana? Quem pagou o quê com o dinheiro que não lhe pertencia?

E se a Polícia Federal de Juiz de Fora constatou que R$ 2 milhões do programa Pintando a Cidadania foram desviados, quem se beneficiou dessa quantia?

O cara da “quadrilha” de lá foi encontrado? Quem é ele? Quando conheceremos o sujeito que embolsava a grana que não era sua, mas do poder público?

E os R$ 2 milhões da Federação Paulista de Xadrez, para o Segundo Tempo, que não foram aplicados como previa o programa, já voltaram ao Ministério do Esporte?

E quando o Tribunal de Contas da União concluirá o relatório sobre falcatruas no Pan 2007? Relembrando, aquele derrame de R$ 3,4 bilhões, há cinco anos, levou o ex-relator, Marcos Vilaça, a declarar que “faltou planejamento motivando improvisos e desperdícios”.

Mas até agora tá tudo limpo, e a discussão principal, hoje, é sobre a proximidade do título do Fluminense e a queda iminente do Palmeiras. As emoções estão aí, no esporte.

O Brasil, lamentavelmente, é farto em corrupção e não há tempo para se acompanhar caso a caso, porque outro, maior, estrondoso, surge em seguida.

É o que os ministros do STF chamam de “trama criminosa”. Sem fim, como se vê.

E tudo isso que narrei ocorreu apesar de o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, ter afirmado que não havia provas de corrupção em sua gestão. Como se as constatações e determinações da CGU e TCU não fosse provas oficiais.

O crime está, também, em ser frouxo  na fiscalização, facilitando a ação dos gatunos.

Se o ex-ministro tivesse tempo, suas explicações sobre esses casos seriam oportunas.

Mas não! Orlando Silva, derrotado nas urnas para a Câmara de Vereadores de São Paulo, está em campanha para eleger o prefeito do PT.

Com isso, ele poderá se candidatar a um espaço na Secretaria de Esportes e, lá, fazer campanha para a próxima eleição à Câmara dos Deputados, atrás de bom salário e imunidade parlamentar.

Política é assim, dinâmica.

Depois, o STF que se vire.

 


Confederação de Tênis lança título de capitalização para resgate próprio
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José Cruz

A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) vende títulos de capitalização – Capital CAP, Brasília e Região, a fim de obter mais recursos, além dos que já recebe do governo federal.

Cuidado, pois o dinheiro aplicado nesses títulos não poderá ser resgatado!

Títulos de capitalização são cartelas numeradas vendidas ao preço de R$ 3,00 cada uma, com duas promessas: sorteios de vários prêmios e resgate  a longo prazo do valor atualizado dos títulos adquiridos. É um tipo de aposta comum, regulada por lei federal.

Nesse caso, os títulos são emitidos pela Sul América Capitalização S.A em favor da CBT, mas  o “investidor-apostador” não poderá resgatar o valor aplicado. Ao comprar a cartela, numerada, ele “cede o direito do resgate do título à Confederação Brasileira de Tênis”.

Esse alerta está no regulamento, mas passa despercebido do comprador, atraído mais pela chamada “capitalização”.

Exemplo

Fui a uma lotérica e comprei um título. A vendedora falou sobre as vantagens desse “investimento”,  incentivando-me, inclusive, a fazer uma “poupança de longo prazo”, isto é, prometendo o resgate das aplicações ao final de um ano. Mentira!

E é a Confederação Brasileira de Tênis, presidida por Jorge Rosa, que empresta sua marca para um negócio que não existe. O dinheiro vai para o cofre da CBT.

Alerta

Esta semana, a prestigiada jornalista Mara Luquet, da TV Globo e Rádio CBN, fez comentário sobre “títulos de capitalização” que iludem humildes apostadores.

“Título de capitalização não é investimento, mas um tipo de armadilha financeira, pois não há retorno do que a pessoa investiu”, afirmou Luquet.

Ela citou exemplos de que muitos bancos tentam empurrar esses produtos a seus clientes, com vantagens que não existem, cobrando, inclusive, taxas que camuflam o ganho que o investidor teria.

Portanto, fica o alerta.

Lamentavelmente, a Confederação Brasileira de Tênis, uma instituição olímpica já enredada em denúncias de irregularidades em suas contas, fartamente contemplada com recursos federais dos Correios (patrocinador oficial), da Lei Piva, do Ministério do Esporte e da Lei de Incentivo, vale-se também do “Capital CAP” da ilusão.

Segundo a cartela que comprei, são 66 semanas de sorteios já realizados.

Quando a Confederação de Tênis já arrecadou por conta do Capital CAP?

Esses valores foram apresentados à assembleia como reforço de seu caixa financeiro?

Que projeto do tênis está se beneficiando do dinheiro arrecadado?


Mulheres contempladas com Bolsa-Atleta fazem antidoping na presença de um homem
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José Cruz

As mulheres contempladas com Bolsa Atleta do Ministério do Esporte que se submetem a exame de controle de dopagem coletam a urina diante de um homem e não de uma mulher, como é praxe nesse procedimento de intimidade feminina.

“Ele (o homem) fica de costas, mas no mesmo ambiente em que estamos e isso é constrangedor”, comentou uma atleta que não quis se identificar.

Indagado sobre o assunto, o diretor executivo da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Marco Aurélio Klein, não revelou o nome do fiscal, limitando-se a um resumido comunicado e informando que, oportunamente, dará detalhes.

O Oficial de Controle de Dopagem que está fazendo este controle é médico, com 25 anos de experiência em controle de dopagem”.

Português

Segundo denúncias, o tal médico oficial de dopagem é de origem portuguesa.

Os exames estão sendo realizados numa sala do Clube do Exército, em Brasília. Uma das atletas indagou se em Portugal ele agia da mesma forma com suas conterrâneas. A resposta foi ríspida e ameaçadora:

“Isto (a coleta de urina) é um procedimento médico. Quem não se submeter coloco na ficha que houve recusa”.

No caso de recusa a exame antidoping o atleta pode pegar até dois anos de suspensão.

Grave

Para um programa “educacional”, como esse lançado pelo Ministério do Esporte, considero muito grave submeter mulheres ao constrangimento da presença de um homem no momento do exame, independentemente de sua formação profissional.

Nos eventos internacionais esse procedimento é feito por mulheres, sempre que preciso.

Lançado em novembro do ano passado, a ABCD não tem, ainda, uma equipe para desenvolver o seu programa.

Indaguei ao diretor da ABCD sobre o médico estrangeiro, mas a resposta virá oportunamente.

Sorteios

A iniciativa do Ministério do Esporte faz sentido, pois já houve casos de pagar as parcelas mensais da Bolsa Atleta para competidores punidos por uso de doping.

Até o fim do mês, a ABCD realizará 100 exames de controle de doping em atletas de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, um número ainda muito distante dos quatro mil contemplados com a Bolsa Atleta.

Em entrevista ao portal do Ministério do Esporte, Marco Aurélio explicou que os 100 atletas que passam por exame foi por sorteio:

“O sorteio dos atletas foi aleatório, levando como base somente o tipo de modalidade. Existe um padrão internacional no número de testes definidos, como modalidades que tem menos praticantes, casos de atletas pegos na dopagem. Determinadas modalidades por padrão histórico internacional tem uma referência internacional de proporção nos testes. Você tem modalidade que vai ter poucos. O futebol, por exemplo, está fora desses primeiros 100, porque já existe uma prática regular de controle de dopagem dentro desse esporte.”


Copa e Olimpíada: governo investirá R$ 1,2 bilhão em 2013
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José Cruz

 

Os megaeventos esportivos no Brasil  – Copa do Mundo, Olimpíada e Paraolimpíada – consumirão R$ 1,2 bilhão do orçamento do Ministério do Esporte, em 2013. É  três vezes mais que o destinado para o esporte educacional, de lazer e de inclusão social.

Já a Bolsa-Atleta terá seu orçamento triplicado no ano que vem, passando dos atuais R$ 56 milhões para R$ 183milhões, crescimento de 226,8%.

Por Dyelle Menezes, no portal Contas Abertas