Blog do José Cruz

Arquivo : janeiro 2013

Fifa alerta para atraso do Mané Garrincha
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José Cruz

Escondida na declaração de Jérôme Valcke – “ainda há muito trabalho a fazer” –   nota-se a preocupação do dirigente da Fifa diante do atraso nas obras dos estádios. O Maracanã entre eles.

Em Brasília, o governador Agnelo Queiroz afirma que 87% das obras estão concluídas.

Não é bem assim.

“Vimos um dos estádios em que ainda há muito trabalho a fazer, que é o de Brasília. Apesar disso, temos o compromisso de que o estádio estará pronto no dia 21 de abril e acreditamos nisso”

A declaração é do Jérôme Valcke, ao se despedir de mais uma visita ao Brasil, ontem, no Rio de Janeiro. (Aqui)

Estamos a apenas 79 dias da inauguração. E chove há duas semanas em Brasília, porque a época é de muita água.

Promessas

Em janeiro do ano passado, o chefe da Copa, em Brasília, Cláudio Monteiro, prometeu que o estádio seria entregue à Fifa em 31 de dezembro de 2012…  Isso está gravado.

Agora, a nova data está ameaçada de na ser cumprida.

Além do acabamento da estrutura de concreto e cobertura faltam a limpeza da área, plantio do gramado, instalação elétrica, iluminação do campo, contratação de serviços para tratamento acústico, comunicação visual, heliponto, instalação do sistema de energia solar, compra de móveis…

Começo a desconfiar que falta dinheiro. Sem transparência nas contas dessa ousada investida é difícil conhecer a realidade.

O próprio Agnelo tentou empurrar para o Palácio do Planalto algumas contas, como as instalações temporárias. Não teve sucesso.

É claro que o estádio receberá o jogo Brasil x Japão na abertura da Copa das Confederações, em 15 de junho. Mas não estará totalmente concluído.

Nos arredores do Mané Garrincha não há qualquer obra de revitalização da área. Ali, instalações esportivas públicas, sem manutenção e com aspecto de abandono, contrastam com a modernidade do novo estádio.


Tribunal de Contas investiga superfaturamento de R$ 112 milhões na obra do Mané Garrincha
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José Cruz

O mais recente relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) sobre o novo estádio Mané Garrincha registra “pagamento indevido de serviços não executados e sobrepreço em alguns itens”.

Pedi detalhes ao TCDF, pois este assunto já vem sendo tratado há bom tempo. Assim que receber as informações voltarei ao tema.

Preços superiores

A 80 dias da inauguração do estádio, em 21 de abril, o  conselheiro Manoel Andrade, relator do processo, adiantou que há problemas:

Está em análise uma possível prática de preços superiores àqueles praticados no mercado, da ordem de R$ 112.389.641,69″

Elegância

Como se observa, o conselheiro foi elegante em sua revelação. Ele não usou a expressão “superfaturamento”, mas “preços superiores aos praticados no mercado”.

Em entrevista à rádio Band News, ontem, o conselheiro Manoel de Andrade afirmou:

“Apesar dessas constatações, não acredito que tenha havido maracutaias”.

Mas se pagamentos a mais forem confirmados é sinal que teve maracutaia”. E a conversa será outra. Já os resultados…

Problemas

As auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas identificaram, ainda, os seguintes problemas na obra do estádio:

– Duplicidade de custo de alguns equipamentos que estão sendo alugados

mensalmente;

– Lentidão no detalhamento dos custos relacionados à mobilização e

desmobilização;

– Utilização indevida de encargos trabalhistas;

– Valor de vale transporte superdimensionado; e

– Pagamento indevido de serviços não executados e sobrepreço

em alguns itens.

Transparência

São muito importantes esses relatórios periódicos do Tribunal. Além de serem realizados por fiscais, especialistas em gastos públicos, contam com o apoio de profissionais, como engenheiros, que conhecem bem o mercado da construção.

Já o GDF não abre as contas como prometeu. Assim, não se sabe quem recebeu quanto dos mais de R$ 800 milhões até agora desembolsados. Transparência zero.

O Tribunal de Contas não é órgão judicial, mas fiscalizador. Os resultados das auditorias  serão encaminhados ao Ministério Público. Mas isso levará muito tempo. O processo é demorado mesmo e as emoções do esporte se encarregarão de sufocar os possíveis desmandos financeiros.

O Tribunal de Contas da União, por exemplo, ainda analisa auditorias referentes ao Pan 2007, no Rio de Janeiro.  É possível que o documento final seja divulgado antes dos Jogos Olímpicos de 2016, quando o ambiente do país será de euforia pela realização do megaevento.


Orçamento do estádio Mané Garrincha cresceu 48,43%. Obra final deverá ficar em R$ 1,5 bilhão
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José Cruz

O novo estádio Mané Garrincha teve aumento de R$ 337  milhões no valor do contrato original, que era de R$ 696,6 milhões.

O último levantamento feito aponta que foram celebrados 19 aditivos, os quais geraram um aumento de R$ 337 milhões no valor do contrato”, diz o mais recente relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

Com esses acréscimos, o valor inicial do contrato passou de R$ 696.648.486,09 para R$ 1.008.475.107,42, uma diferença de 48,43%”.

O Núcleo de Fiscalização de Obras do TCDF, que conta, também, com o trabalho de engenheiros, acompanha a construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, desde o lançamento dos editais de licitação.

O custo do estádio, até agora

Cobertura

173.912.916,00

Assentos

11.046.932,00

Paineis

3.297.000,00

Gramado

5.909.382,00

Outros contratos

1.008.475.107,00

TOTAL

1.202.641.337,00

 

A contratar

O mesmo relatório do TCDF informa que estão previstas as contratações de Tratamento acústico, Comunicação visual, heliponto e mobiliários.

“Além disso, as obras de melhorias no entorno do estádio (urbanização e paisagismo) consumirão R$ 360 milhões”, diz o relatório oficial.

Com esses números, o custo final do estádio e urbanização da área chegará a R$ 1,5 bilhão. Isso confirmará o Mané Garrincha como o estádio com o assento mais caro dos 12 construídos para a Copa. Até agora, cada assento está orçado em R$ 16,9 mil, o mais caro do país, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal

Atualização

Referente ao texto anterior, o valor do assento (R$ 16,9 mil) é considerando o custo total da obra e não o valor unitário, como me referi, dando interpretação errada. M


Assento do estádio de Brasília custou R$ 16,9 mil cada um. É o mais caro do país
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José Cruz

Os assentos que vão receber os 70 mil torcedores no novo estádio Mané Garrincha tiveram custo unitário de R$ 16.938,00.

No total foram gastos R$ 11 milhões só em assentos. É o dobro do que custará o gramado.

Aproximadamente 40% acima do custo do assento adquirido para o Itaquerão, em São Paulo. Fortaleza tem o menor preço dos 12 estádios: R$ 7,7 mil cada assento.

A constatação é do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) em relatório de auditoria divulgado hoje.

O mesmo relatório mostra que o preço total da obra em Brasília será de R$ 1,2 bilhão, o dobro da proposta original e o mais alto de todas as sedes.

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiros, sugeriu hoje, em visita ao novo estádio, que a medição das obras para efeito de cálculos seja “em milímetros”.

Só assim, segundo sele, pode-se ter o valor real das construções dos estádios.

Nesse novo tipo de medição Agnelo afirmou, sério, que o estádio Mané Garrincha “é o mais barato do Brasil”.

O TCDF não informou sobre os valores dos estádios do Internacional e do Atlético-PR.

 

                                           ARENAS NO BRASIL

                                    CUSTOS COMPARATIVOS

ESTÁDIOEM R$ milhões CAPACIDADER$/assento
Mané Garrincha1.206,6071.00016.938,61
Arena Corinthians820,165.00012.615,38
Arena Amazônica532,244.31012.010,83
Arena Pantanal518,943.60011.901,38
Arena Fonte Nova591,750.00011.834,00
Arena Pernambuco529,546.00011.510,87
Estádio Mineirão695,164.50010.775,19
Estádio Maracanã808,476.00010.636,84
Arena das Dunas417,145.0009.266,67
Estádio Castelão518,667.0007.740,30

Fonte: TCDF/www.portal2014.org.br

Atualização (1h15)

A forma como escrevi a mensagem sugere entender que o valor de um assento é R$ 16,9 mil.

Na verdade esse é o valor considerando o custo total da obra.

Fiz essa correção na mensagem seguinte, em que abordo o aumento do orçamento do estádio, segundo o TCDF.

De qualquer forma não se pode ignorar a exorbitância que o Governo do Distrito Federal está gastando nesse empreendimento, superando,  inclusive, o Maracanã e Mineirão.


Polícia Federal identifica fraudes no Segundo Tempo: nove são indiciados
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José Cruz

A ONG Pra Frente Brasil, de Jaguariúna (SP) recebeu em torno de R$ 30 milhões entre os anos de 2007 e 2011 para o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte

Mas…

Investigações da Polícia Federal (PF) indentificaram  nove pessoas sob suspeitas de desvio de pelo menos R$ 4,2 milhões do programa.

A notícia é da Folha UOL.

Entre os indiciados está a ex-vereadora da cidade e ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues (PC do B), gerente da entidade.

Segundo a PF, Karina usava dinheiro desviado da ONG para despesas pessoais, como para pagar dentista e empregada doméstica.

Em algumas planilhas a Polícia encontrou repasses para “partido”.

Memória

A denúncia sobre esse caso partiu da Associação Contas Abertas, em 2008.

Quando elaborava novo programa de pesquisa sobre verbas públicas, Gil Castello Branco, diretor do Contas Abertas, deparou-se com uma volumosa transferência do Ministério do Esporte para a ONG de uma pequena cidade do interior paulista, Jaguariuna.

Os R$ 8,5 milhões transferidos eram metade do que recebeu todo o estado de São Paulo, em 2008, para desenvolver o Segundo Tempo.

Em 2009, novos valores foram repassados, e a repórter Izabelle Torres fez uma ampla reportagem reforçando as denúncias que originalmente divulguei na coluna que assinava no Correio Braziliense.

Agora, quatro anos depois de vários desmentidos, inclusive do então ministro do Esporte, Orlando Silva, a Polícia Federal conclui, com provas, que o desvio de verbas era real.


Com medo de apagão, Fifa exige geradores nos estádios
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José Cruz

Bem antes de explodir a “crise do apagão” – que não teremos, garante a Presidente Dilma Rousseff  –  a Fifa já se preparava para enfrentar o pior.

Há seis anos, quando o Brasil conquistou a sede do Mundial de 2014, o Caderno de Encargos da Fifa já previa a contratação de geradores de energia.

“Para evitar o atraso ou o cancelamento de eventos devido à falta de energia, a Fifa recomenda a instalação de geradores de energia alternativos e de um sistema ride-trough, que mantém o suprimento de energia estável enquanto o gerador começa a operar. O sistema alternativo deve ser capaz de funcionar por três horas”.

Esta “recomendação” tornou-se exigência. Os gastos vão crescer.

Outras despesas terão que ser feitas próximas dos estádios, todas por conta dos governos das cidades-sedes.

As “construções temporárias”, por exemplo, destinadas às autoridades, convidados VIPs, voluntários etc, com custos em torno de R$ 80 milhões.

Um deputado próximo ao gabinete do governo distrital afirmou que Agnelo Queiroz tentou passar essas contas para o Palácio do Planalto. Não deu certo.

“Que cada estado pague as suas despesas”, foi a resposta.

Mas, afinal, o Estádio Mané Garrincha não estará equipado com sistema de energia solar, tão badalado pelo próprio governo?

E a Fifa ainda quer geradores?

Conheça outras exigências da Fifa:

http://www.portal2014.org.br/noticias/1125/CONHECA+AS+EXIGENCIAS+DA+FIFA+PARA+OS+ESTADIOS+DA+COPA.html


Eficiência
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José Cruz

Ex-atacante e campeão mundial, Bebeto será o coordenador das categorias de base da CBF.

Aceitou o cargo mesmo sendo deputado estadual (PDT/RJ) e membro do Comitê Organizador da Copa.

Eficiência é isso aí…


Domingo triste
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José Cruz

Minha solidariedade aos gaúchos, em particular amigos de Santa Maria, tradicional cidade universitária, pela tragédia ocorrida na boate Kiss.


Cadê o espírito esportivo do COB?
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José Cruz

Na Folha de S.Paulo, 18 de janeiro

Por Barbara Gancia

O fato de o comitê não ver o uso da palavra como homenagem já deveria cheirar a mercantilismo

O sr. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olím­pico brasuca, merece uma medalha. Não bastasse a evolução ocorrida no panorama esportivo nacional ao longo do seu breve mandato (o que são duas decadazinhas no poder, afinal?), ele ainda poder se jactar de uma edição im­pecável dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007.

Não é à toa a enor­me pressão para vê-lo sair candida­to a presidente do país, não? Ué, ninguém nunca pressionou para que ele virasse o Romney tapuia? Como assim?

Das piscinas do Complexo Aquá­tico Maria Lenk, como bem sabe­mos, desfrutam todas as crianças provenientes das comunidades pa­cificadas. Passamos a produzir campeões olímpicos aos borbo­tões, a mudança a partir do Pan do Rio foi notável. E a pulverização do autódromo de Jacarepaguá, patri­mônio do esporte nacional, é outra medida merecedora de loas.

Pois esta magnífica entidade, que não viu as contas do Pan carioca de 2007 aprovadas pelo TCU até hoje e vive cercada por denúncias, resol­veu nos agradar de novo.

O COB está tomando medidas judiciais -veja que beleza!- para prevenir que universidades e associa­ções de pesquisa usem a palavra “o­limpíada” em suas competições educacionais -como Olimpíada de Matemática ou de História. Alega o Comitê Olímpico Brasileiro que o uso das palavras “olimpíada” e “jo­gos olímpicos” é privativo” seu.

Do latim “olimpiade” e do grego “olimpiados”, genitivo de olímpias, o termo era usado pelos gregos como indicador de unidade de tempo. Foi revertido ao uso moderno em 1896 pelo amigo Coubertin.

Ser olímpico, por outro lado, significa pertencer ao Olimpo, ser um deus grego ou, de novo, quando re­vertido ao uso moderno, ser al­guém que compete em Olimpíadas. Há ainda outros três ou quatro usos e formas, uma ligada ao Monte Olimpos da província de Elis e ou­tra ao Monte Olimpos da Tessalô­nica. Mas, calma, o objetivo aqui não é causar um ataque de narco­lépsia para provar o meu ponto.

O COB justifica sua atitude gulosa alegando que a exclusividade do uso do termo “olimpíada” tem um “caráter educativo” para não “vin­culá-lo a questões comerciais”.

O mero fato de o comitê não en­xergar no uso da palavra por enti­dades educativas uma homenagem ou tentativa de emular o espírito olímpico, que deveria ser jogar lim­po e não meter dinheiro no meio da história, já deveria cheirar a mer­cantilismo arregaçado.

Quem é que está tentando garan­tir todas as vantagens para si da for­ma mais ganaciosa possível? Onde estão a camaradagem, a tolerância, a ética, a nobreza que o esporte re­quer e todas as qualidades mais ca­ras à formação do indivíduo? Cadê a parte educativa nesse gesto grosseiro e tão típico da perda de valores dos tempos atuais que está sendo perpetrado pelo COB?

Ou será que… Peraí… Será que es­tamos diante de um novo “Corte de cabelo do Ronaldo”?

Na Copa do Japão, para desviar o foco do seu desempenho, Ronalducho apareceu em campo com um novo corte de cabelo, e todas as lentes e flashes se concentraram no seu cocuruto. A partir daquele momento, ninguém mais falava de jo­go, só do corte “Cascão” do Ronaldo. Objetivo alcançado.

Se for essa a manobra que o COB está tentando (não duvido de mais nada) ao querer se apropriar da pa­lavra “olimpíada”, eu também exijo tomar posse de alguns termos. Quero para mim, desde já “orça­mento quadruplicado”, “equipa­mentos inutilizados” e “denúncias de superfaturamento”. Bora alugar a orelha do juiz!


Apesar da má gestão, o basquete se dá bem
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José Cruz

Na mensagem anterior, comentei sobre a ousadia do ex-ministro Orlando Silva, que ignorou auditorias da Controladoria Geral da União e autorizou contratos financeiros para uma entidade acusada superfaturar contratos e desviar dinheiro, o Instituto Contato, de Florianópolis. Até a Polícia Federal age no caso.

Agora, é o ministro Aldo Rebelo que repassa R$ 14,8 milhões par a Confederação Brasileira de Basquete, uma entidade suspeita de má gestão da verba pública.

O balanço de 2011 mostrou que, fosse a CBB uma entidade privada estaria falida, tais os desmandos ali praticados. Fez empréstimos bancários com juros altíssimos, apesar de ter patrocínios da Eletrobras, Bradesco, Nike, verbas da Lei Piva, etc.

Neste aspecto, associo-me à indignação do companheiro Fábio Balassiano, que detonou em seu blog, Bala na Cesta

Há vários aspectos que podem ser questionados a partir desse contrato de R$ 14,8 milhões: compete ao governo federal se envolver numa atividade profissional como o basquete, que por má gestão, não consegue andar com as próprias pernas?

Em segundo lugar, os assessores do ministério analisaram os balanços da Confederação de Basquete para liberarem esse volume de dinheiro?

Que projetos a CBB desenvolveu nos últimos anos para massificar a modalidade?

Depois de 10 anos criado, o Ministério ainda não apresentou um  projeto consistente de esporte para o país. Mas mantém o cofre aberto para satisfazer candidatos, como Carlos Nunes, que disputará mais um mandato este ano para continuar à frente da Confederação de Basquete.

O ministro Aldo Rebelo ignora o artigo 217 da Constituição, que determina a aplicação prioritária de verbas no desporto escolar. E privilegia o profissional, o rentável, o esporte de gestão duvidosa, inclusive.