Blog do José Cruz

Arquivo : dezembro 2013

Bolsa Atleta: sem prazo para ser paga
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José Cruz

Notícia boa:

O Ministério do Esporte tem recursos financeiros para pagar a Bolsa-Atleta de 2012 e 2013.

Notícia ruim:

O Ministério não estipula data para fazer o pagamento. Pode ser este ano ou no ano que vem.

As informações são do responsável pelo setor, Ricardo Avelar, e do diretor de infraestrutura do Ministério do Esporte, Denner Zacchi.

Memória

Em maio deste ano o Ministério quitou as bolsas referentes a 2011. Em outubro, os bolsistas foram informados de que estava em curso a assinatura do convênio com a Caixa Econômica, que transfere os valores para as contas dos bolsistas, o que teria provocado o atraso no pagamento das parcela de 2012. Agora, a 18 dias de terminar o ano, Ricardo Avelar não quer mais fazer previsões.

“Não há data prevista para assinar o contrato com a Caixa. O processo de renovação de um contrato é lento, complexo, envolve pareceres da consultoria jurídica e tudo isso atrasa”, afirmou. “Por isso, não vamos criar falsas expectativas”, disse ele.

Orçamento

Conforme o Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), R$ 181 milhões foram aprovados no orçamento da União para atender aos bolsistas. Desse total, já foram gastos R$ 87 milhões. Os restantes R$ 94 milhões estão “empenhados”, isto é, garantidos para liberação assim que for resolvida a parte burocrática com a Caixa.

As folhas de pagamentos também estão prontas para serem liberadas à Caixa, logo que o Contrato, assinado, for publicado no Diário Oficial da União.

“A Caixa e o Ministério não terão recesso de fim de ano. Vamos desenvolver todo esse processo assim que estiver tudo resolvido”, afirmou Ricardo Avelar.

Porém, é possível que nem todas as parcelas de 2013 sejam pagas, pois a Bolsa consome em torno de R$ 5 milhões mensais. Ou seja, o saldo de R$ 94 milhões é suficiente para atender 19 dos 24 meses de 2012 e 2013.

Enquanto isso…

O problema é aflitivo para os atletas.  Eles assumiram compromissos ainda no ano passado e renovaram este ano contando com os valores mensais, conforme contrato assinado com o Ministério do Esporte.

E o dinheiro não sai por questões burocráticas, como se as autoridades do governo não soubessem que  o contrato com o  banco pagador deveria ser renovado a tempo de enfrentar a tradicional burocracia e evitar prejuízos reais para os beneficiados.

Como estamos falando de “benefícios do governo”…. paciência!


Prezado Ministro Aldo Rebelo, por que a Bolsa-Atleta não é paga?
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José Cruz

“Me chamo Adriana Azevedo, sou paratleta na modalidade natação. Antes de mais nada, gostaria de parabenizá-lo por sua atuação como Ministro do Esporte.

O motivo do meu contato, é o seguinte: Sou bolsista na categoria nacional do programa Bolsa Atleta. Nesse ano de 2013, recebemos duas bolsas. A de 2012 com resultados alcançados no ano de 2011 e a de 2013 com resultados alcançados no ano de 2012.

“A bolsa referente aos resultados de 2011, foi quitada no mês de Maio. E a bolsa referente aos resultados de 2012, teve sua primeira parcela paga em 10 de Setembro de 2013.”

No mês de outubro, por volta do dia 20, recebemos uma notificação na área restrita do Site do ME, com o seguinte texto:

 “O Ministério do Esporte comunica que, em virtude de renovação do contrato com a Caixa, não foi possível depositar o pagamento no prazo usual, até o quinto dia útil de outubro. A previsão é que a renovação ocorra até o final deste mês, o que permitirá fazer o pagamento na primeira quinzena de novembro. Importante lembrar que, por qualquer motivo, quando ocorre algum atraso no pagamento das bolsas, o beneficiado sempre recebe o valor retroativo. Não há prejuízo monetário aos bolsistas. Por fim, aproveitamos para informar que, já neste próximo pagamento, cada atleta irá receber mais de três parcelas de uma só vez. Isso porque o Ministério pretende, até o final do ano, quitar todas as parcelas de 2013. Esta mensagem é válida apenas para os atletas que não possuem nenhuma pendência com relação à prestação de contas ou qualquer outra documentação. Agradecemos a sua compreensão e estamos à disposição para mais esclarecimentos.

Atenciosamente,

Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento Coordenação da Bolsa Atleta” 

Isso deu-se no mês de Outubro. No mês de Novembro, novamente não houve pagamento e mais uma vez, perto do fim do mês, divulgaram o mesmo comunicado, alterando apenas as datas e que dessa vez o pagamento ocorreria até o fim desse ano.

Ministro, fazemos esforços imensos para treinar e nos manter no ranking entre os três melhores, para alcançarmos esse benefício. É um direito nosso recebermos em dia para honrar nossos compromissos. Temos direito de ter uma satisfação clara a respeito desse benefício como datas, etc.

No ano de 2009, 2010 e 2011, os pagamentos eram realizados até o segundo dia útil de cada mês. No ano de 2012, o pagamento passou a ser feito por volta do quinto dia útil e em 2013 por volta do dia 10 e com incerteza de que seria ou não depositado. Até que chegamos a essa situação.

Problemas 

Pois bem… Nesses três meses, fui impedida de pagar meu plano de saúde, de viajar para competições, estou devendo dinheiro e o pior de tudo: Estou sem pagar aluguel!

Sexta-Feira, dia 06/12/13, foi um dia muito difícil pra mim, porque fui convidada a deixar o apartamento que eu morava com minha família, por não pagar aluguel. Pagava, 850,00 de aluguel, mais R$ 300,00 de condomínio. O salário do meu esposo como professor, não dá para arcar com tudo sozinho.

Agora, estou em um quartinho apertado, nos fundos da casa da minha sogra, na subida do morro da Cruz (Rio de Janeiro), onde não tenho acesso para sair, porque é uma subida enorme.

Trabalhar, gostaria muito! Mas estou sob auxílio doença por causa de uma síndrome.

Então… Teria como o Ministério, por favor, nos informar se pelo menos no Natal estaremos com a Bolsa?

Poxa, eu tenho um filho de 3 anos que está dormindo em colchão de casal comigo e o pai. O Senhor pode até achar que tudo isso é drama ou conversa fiada, mas não é!

Essa situação pra mim é muito humilhante e não me agrada nem um pouco ter que expô-la. Queremos respeito e compromisso por parte dos profissionais que atuam na Secretaria de Aldo Rendimento.

Só peço qu nos deem uma satisfação de quando esse dinheiro estará disponível, e não enviem respostas copiadas e coladas. Não faz sentido, assim como também não faz mais sentido esse tal convênio não ter sido ainda renovado. SÃO TRÊS MESES!

No anexo, envio fotos da minha real situação hj: Um quartinho na casa da minha sogra.

Grata pela a atenção.  Feliz Natal!

Adriana Azevedo”

Meu comentário:

Solicitei informações ao Ministério do Esporte sobre o atraso na Bolsa e aguardo resposta.

 


Brasiliense lidera dívida para com a União: R$ 304 milhões
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José Cruz

Com um débito de R$ 304 milhões, o Brasiliense F.C é o maior devedor aos cofres da União, dentre os 100 principais clubes de futebol com dívidas federais. O Flamengo, com R$ 253 milhões está em segundo lugar.

As informações foram passadas hoje pelo coordenador geral da Dívida Ativa da União, Luiz Roberto Beggiora, à Comissão Especial do Proforte na Câmara dos Deputados que debate sobre a dívida dos clubes e entidades esportivas.

Rebaixado para a Série D do Campeonato Brasileiro, o time do senador cassado Luiz Estevão tem apenas 13 anos, mas com uma dívida que surpreendeu aos parlamentares. “Eu não esperava que um clube tão jovem devesse tanto à União”, disse o deputado Romário (PSB/RJ), cujo filho, Romarinho, é um dos jogadores de destaque do Brasiliense.

Do total devido pelo Brasiliense, R$ 296,8 milhões referem-se à Receita Federal e R$ 7,5 milhões de contribuição previdenciária.

Diante da surpresa provocada por sua informação, Luiz Roberto Beggiora entrou em contato com sua assessoria e confirmou:  “O dado está certo. O Brasiliense é o principal devedor”, disse ele. O blogueiro tentou contato com o presidente do clube, Luiz Estevão, mas seu telefone estava “fora da área de serviço”.

Os valores devidos pelos clubes em geral referem-se à contribuição previdenciária (INSS) e imposto de renda. Beggiora encaminhará à Comissão do Proforte os valores referentes ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para que se possa ter um valor mais real dos débitos dos clubes  de futebol.

Na planilha que apresentou, o coordenador da Dívida Ativa da União listou os cem principais devedores, que acumulam dívida de R$ 2 bilhões. Os seis principais devedores são:

 

CLUBE

VALOR – R$

Brasiliense FC

304.359.392,00

Flamengo

253.010.132,00

Corinthians

167.503.727,00

Botafogo

166.246.220,00

Vasco

135.973.620,00

Internacional

124.818.123,00

 

Na mesma exposição, Beggiora explicou que muitos clubes estão com seus débitos parcelados e aproveitando valores repassados pela Timemania. Porém, a maioria não honrou o acordo e acabou entrando na dívida ativa da União.

O volume crescente da dívida dos clubes de futebol, principalmente devido às correções dos valores e juros, provocou a criação de uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados para discutir sobre o Programa de Fortalecimento do Esporte Olímpico. Trata-se de um projeto de lei para regularizar os débitos de clubes, confederações e federações esportivas para com a União. A Comissão Especial que trata do assunto, presidida pelo deputado Jovair Arantes (PTB/GO), realizará as últimas audiências públicas do ano na próxima semana e reiniciará os trabalhos em fevereiro de 2014.


Paulo André defende uma proposta indecente
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José Cruz

O líder do movimento Bom Senso FC, Paulo André, sugeriu que o governo crie a Agência Nacional do Futebol, para “fazer cumprir os contratos de trabalho entre clubes e jogadores”.

Se é por isso, a coisa tá muito feia, pois querem uma estrutura de governo para obrigar os clubes a honrarem o pagamento de salários e direito de imagem, como se não houvesse legislação trabalhista, fiscal, tributária, Código Civil etc para impor o cumprimento de contratos.

A proposta foi apresentada na comissão especial a Câmara dos Deputados que debate sobre o perdão da dívida fiscal dos clubes, que chega a R$ 4 bilhões, outra barbaridade que o próprio governo, impotente, não consegue cobrar. Ao contrário, se alia aos caloteiros para, vergonhosamente, anistiá-los. Enfim, não cabe nem agência para o futebol nem para o esporte.

Seguinte:

Agência reguladora proposta por Paulo André é, resumidamente, uma entidade sob a forma de autarquia especial para regular e/ou fiscalizar a atividade de determinado setor da economia. Por exemplo, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) é uma agência reguladora.

Essas agências surgiram no governo FHC para regular a ação das empresas privatizadas. Tinham autonomia política para modernizar a administração do Estado. Porém, a partir de 2003 o então presidente Lula atropelou a autonomia das agências e interferiu na gestão delas, como já fazia nos ministérios.

Resultado

A invasão política do Palácio do Planalto sepultou os princípios de prioridade técnica que norteavam as decisões das agências. Passou a valer a interferência política de interesses  momentâneos, partidários e até eleitorais.

Mais: agências e ministérios passaram a tratar do mesmo assunto, batendo cabeças e provocando disputas de autoridades, dividindo decisões. Mas é essa confusão que, agora querem incluir o esporte, que garante o emprego de muita gente afilhada política. Uma vergonha.

Portanto, uma agência para o esporte ou para o futebol nestas condições seria um mais desastre. Seria, antes, novo recanto para acomodar desocupados amigos de políticos, como já ocorre no Ministério do Esporte, totalmente politizado e, por isso, sem quadro para realizar um projeto, uma fiscalização sequer.

Carências

Em vez de duplicar estruturas, o que falta –  e Paulo André não sabe –  é o Ministério do Esporte contratar os profissionais capacitados concursados há anos e se voltar ao cumprimento da farta legislação esportiva, há muito abandonada de fiscalização. Sem isso a aplicação de volumosos recursos públicos continuará com destinações suspeitas e muita corrupção comprovada.

Falta, também, um ministro menos ocupado com obras de estádios e mais centrado em seu gabinete para gerenciar o esporte como um todo, a partir de um programa, um plano, qualquer coisa –  “coisa” mesmo!  –  que dê rumos à desordem que domina o setor em meio ao desperdício de milhões de verbas públicas.

Falta um ministro mais técnico e menos político, algo impossível de se imaginar em governos que usam os ministérios para oferecer cargos valiosos em troca de votos no Congresso Nacional. É neste panorama, enfim, que uma agência reguladora não contribuiria em nada para o esporte em nível de gestão federal.

Reveja sua proposta, Paulo André. O Bom Senso que lideras tem unidade, tem força e pela primeira vez colocou a cartolagem contra a parede. Mas não embarques nessas propostas que duplicam a estrutura e já se mostraram inexpressivas em outras áreas. Lamentavelmente, tudo isso surge no momento em que outra aberração, o Proforte, ocupa deputados num debate que premia o caloteiro e, como a Agência do Esporte, também é uma proposta indecente e ofensiva ao contribuinte comum.


Agressões no futebol são extensão da rotina brasileira
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José Cruz

O Brasil realizará a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, mas, até agora,  não acertou quem tem o compromisso de dar segurança aos torcedores nos estádios. Imagina quando retornarem os movimentos de rua, no renovado pedido de “padrão Fifa” para educação e saúde, principalmente…

Enquanto isso…

… o Estatuto de Defesa do Torcedor é claro em seu artigo primeiro que nos estádios de futebol a segurança é responsabilidade do Estado, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas.

E quem fiscaliza isso? Não contem com o Ministério do Esporte, incapaz de acompanhar a correta aplicação das verbas que libera. Por isso, os desvios são gigantescos e as denúncias crescentes, acumulando processos, auditorias e tomadas de contas especiais.

Assim como em outros ministérios, os assuntos do esporte exigem discussão técnica, prioritariamente, mas predomina o debate político partidarizado. O resultado é desmando sobre desmando e a repetição de fatos cujas medidas para evitá-los foram anunciadas há anos.

Poranto, todos os discursos que ouvimos das autoridades sobre “providências para combater a violência nos estádios” são bobagens. Vão formar comissões, criar grupos de trabalho etc, mas sem resultados práticos, porque o esporte está sendo tratado exclusivamente com foco nos negócios, na renda, no lucro. Aí a eficiência é outra.

As agressões nos estádios são, na prática, extensão de tantas outras que começam na fragilidade dos serviços de  saúde, educação, trânsito, insegurança  pública etc.

Aqui em Brasília, por exemplo, o governo do Distrito Federal conseguiu aplicar este ano apenas 50% do que tinha previsto para a educação. Isso também é uma agressão. E não é que falte dinheiro. É que a grana foi desviada, em parte para socorrer outras secretarias que também tiveram suas verbas reduzidas para atender despesas do estádio Mané Garrincha. Não é isso uma agressão coletiva? Mas, como no Estatuto do Torcedor, o governo não está nem aí, confiante que a emoção do futebol faz esquecer tudo isso.


Barbárie, lei e omissão no futebol
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José Cruz

ESTATUTO DE DEFESA DO TORCEDOR

LEI No 10.671, DE 15 DE MAIO DE 2003

A farsa

Art. 41. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a defesa do torcedor, e, com a finalidade de fiscalizar o cumprimento do disposto nesta Lei, poderão …

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES Gerais

Art. 1o-A.  A prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores, inclusive de seus respectivos dirigentes, bem como daqueles que, de qualquer forma, promovem, organizam, coordenam ou participam dos eventos esportivos.

CAPÍTULO IV

DA SEGURANÇA DO TORCEDOR PARTÍCIPE DO EVENTO ESPORTIVO

Art. 13. O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas.

CAPÍTULO XI

DAS PENALIDADES

Art. 37. Sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de administração do desporto, a liga ou a entidade de prática desportiva que violar ou de qualquer forma concorrer para a violação do disposto nesta Lei, observado o devido processo legal, incidirá nas seguintes sanções:

I – destituição de seus dirigentes, na hipótese de violação das regras de que tratam os Capítulos II, IV e V desta Lei;

II – suspensão por seis meses dos seus dirigentes, por violação dos dispositivos desta Lei não referidos no inciso I;

III – impedimento de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal; e

IV – suspensão por seis meses dos repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta, sem prejuízo do disposto no art. 18 da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998.

Enquanto isso …

… o Ministério do Esporte fez uma “nota de repúdio” pedindo para identificar os agressores.

Mas os agressores preliminares são as próprias autoridades, que não agem preventivamente e fazem da lei um documento de prateleira, apenas.

A íntegra do Estatuto de Defesa do Torcedor está aqui

http://www.mpce.mp.br/nespeciais/nudetor/legislacao/Estatuto_do_Torcedor-Lei_10671.pdf

 


CBF aceita “invasão estrangeira”
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José Cruz

CBF autoriza o aumento de três para cinco jogadores estrangeiros por jogo nas competições nacionais a partir do ano que vem

Por Cássio Cruz

Profissionais do desporto brasileiro estão criticando a alteração no regulamento das competições da CBF, que aumentará o número de estrangeiros possíveis de serem utilizados nas partidas. A principal justificativa para as críticas é que esta decisão desvaloriza o jogador jovem brasileiro, pois diminui as oportunidades de atuarem nas equipes profissionais.

Assim também é o entendimento da maioria dos sindicatos, como o Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo (SAPESP), o Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio de Janeiro (SAFERJ), o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, como já veiculado pela imprensa.

A medida fora adotada por conta do pedido formal apresentado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, em nome do influente Presidente Fábio Koff. Ainda que fora tão somente declarada tal alteração, certamente valerá para o ano de 2014, em que ocorrerá a Copa do Mundo no Brasil.

Discordei, com o maior respeito, de quase todos os posicionamentos que alegam a diminuição de oportunidades para os jovens atletas brasileiros.

Não é limitando ou proibindo estrangeiros de atuarem no futebol brasileiro que teremos maiores oportunidades para os atletas das categorias de base.

Na verdade, este entendimento apenas tapa os furos e o descaso com as categorias de base dos clubes brasileiros. E isso por conta de clubes e também da CBF.

Não digo propositalmente por quem alega, longe disto. Até porque muitos profissionais de caráter e respeito estão tratando a matéria da mesma forma. Digo que tapa os furos, porque se sabe que no Brasil não há fortes investimentos, transparência nos trabalhos com os jovens atletas e principalmente qualificação profissional.

Ainda que o futebol seja o esporte mais popular e com maior giro econômico no País, infelizmente peca por esse lado. Talvez, o entendimento da maioria que se posicionou contra a alteração promovida pela CBF, se dá por conta do vício que, nós brasileiros, temos em sempre procurarmos a forma mais rápida de solucionar algo que poderá se tornar problema. E isto, justamente por sabermos que os trabalhos realizados no “coração” do futebol brasileiro, que são as categorias de base, seguirão sem maiores evoluções.

Alguns planejamentos podem ser realizados para a valorização dos jovens atletas brasileiros, sem que seja necessária a proibição ou algum tipo de limitação à atuação de estrangeiros no País, tais quais:

1. Se a CBF, como algumas associações nacionais européias já fazem, alterasse o regulamento para que ordenasse limitadamente na relação de cada partida (contanto os jogadores reservas) válida pelos campeonatos nacionais em, no mínimo, 3 (três) atletas oriundos das categorias de base do clube, obrigariam os clubes a qualificarem mais seus jovens atletas.

2. Se a CBF trabalhasse, com interesse, conjuntamente aos representantes do Poder Legislativo para a criação de determinados projetos de leis, que, se aprovados, determinassem um percentual mínimo e respeitável, em cima de determinadas receitas passíveis desta obrigatoriedade, para investimentos nas camadas jovens do futebol, teríamos maior qualidade nos jovens profissionais.

3. Se já tivéssemos leis de responsabilidade dos dirigentes desportivos, o lado profissional do futebol já seria tratado com maior transparência e seriedade.

4. Se os clubes trabalhassem de acordo ao que oferece a Lei 11.438 (Lei de Incentivo ao Esporte), também haveria maior valorização e qualificação dos jovens atletas.

5. Se os clubes trabalhassem para a qualificação dos jovens atletas ao invés de trabalharem para a conquista de títulos em competições de base, o crescimento qualitativo destes atletas faria, por si só, com que houvesse maior aproveitamento.

O Brasil não está revelando um número menor de jogadores, se compararmos com alguns anos passados, por acaso.

Limitando o número de estrangeiros no futebol brasileiro, estaríamos desperdiçando grandes jogadores, o que eu acharia uma péssima ideia, pois há muito talento no futebol da América do Sul. E estes, certamente cabem aqui no nosso futebol nacional.

Cássio Cruz trabalha na área jurídica e se especializa em Direito Desportivo

Polícia de Brasília ameaça parar na Copa do Mundo
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José Cruz

“Se a Policia Militar não for contemplada como os outros órgãos da segurança pública, o troco vem na Copa do Mundo”.

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, ouviu em silêncio uma indignada e ameaçadora bronca do sargento PM Gilson Maranhão, aplaudido pelos colegas ao pedir providências para os graves problemas da corporação.

Maranhão também enviou recado ao governador Agnelo Queiroz.

“… gostaria que “fosse ele que tivesse aqui …na época de pedir voto ele veio aqui….,” disse o sargento, referindo-se a Agnelo.

O episódio , que colocou de cabeça baixa toda cúpula do governo distrital, demonstra a gravidade da situação na segurança de Brasília, inclusive com quebras na hierarquia policial-militar.

Em operação tartaruga já há várias semanas, o que faz crescer a insegurança na capital da República, os militares se prepararam para cruzar os braços em plena Copa 2014.

A ameaça está no blog do jornalista Edson Sombra, que cobre os bastidores da política de Brasília, onde também pode pode-se ver o vídeo com a bronca do sargento Maranhão.

Confira: http://edsonsombra.com.br/post/o-gdf-e-a-crise-da-quebra-de-hierarquia#.UqIpv9JmN1A.twitter


Show da Copa: bolinhas e bilhões
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José Cruz

O sorteio das chaves dos Jogos da Copa do Mundo, hoje, é mais uma etapa desse show que o futebol é capaz de promover e parar o Brasil, em particular. E a Fifa, dona da bola e do jogo, sabe explorar isso como espetáculo para aumentar o seu lucro. Por exemplo, agora é o show das “bolinhas”.

Do lado de cá, o torcedor se emociona com o espetáculo que aquece o ambiente antes da chegada dos craques e esquece que a maior parte da conta já é paga pelo cofre do governo federal.

Lucro

Os números não são oficiais, até porque não interessa à Fifa tornar público quanto está faturando. Porém, estudos de especialistas estimam que o lucro na Copa 2014 será perto de R$ 10 bilhões, isto é, 110% a mais do que a Fifa ganhou na Copa da Alemanha.

A renda vem da venda de imagens para a TV, de valiosas marcas (Coca Cola, Adidas, Hyundai, Visa etc) que patrocinam a Copa, da venda de ingressos, do marketing de produtos. E, claro, da generosidade do governo brasileiro.

É bom lembrar que, em lei específica, está proibido cobrar qualquer imposto da Fifa e seus órgãos afins. Com isso, deixaremos de arrecadar em torno de R$ 1 bilhão.  Cerca de 900 contratos comerciais não recolherão qualquer tipo de imposto.

Como exemplo, nenhum funcionário que for contratado pelo Comitê Organizador Local recolherá imposto de renda ou INSS. Nem impostos estaduais ou municipais podem ser cobrados.

Mais

Recentemente,  o companheiro Aiuri Rebello, do UOL Esporte, publicou que o governo federal pagou R$ 31,6 milhões “para ajudar a Fifa e suas emissoras de TV parceiras nas transmissões das partidas da Copa das Confederações. Aí estão incluídos os “links” de satélite, todos os equipamentos de rede etc. O governo assumiu o custo de montar a estrutura de telecomunicações e pagar a conta de sua operação em 2007, quando se comprometeu com a Fifa a arcar com a infraestrutura necessária para o Mundial de 2014”.

Resumidamente, esta é a economia esquecida da Copa que gira o fabuloso negócio do futebol, enquanto as bolinhas são apresentadas ao emocionado e respeitável público.


Os escandalosos trambiques no Ministério do Esporte
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José Cruz

Oito anos depois –  quase uma década! –  de um esquema de corrupção desviar R$ 5 milhões (corrigidos) do programa Segundo Tempo, o Tribunal de Contas da União condenou sete funcionários do Ministério do Esporte a pagarem irrisórias multas de R$ 71 mil. Já o grosso da bolada roubada do cofre público continua sendo investigado para saber quem ficou com quanto. Já os ministros à época do escândalo, Agnelo Queiroz e, depois, Orlando Silva, continuam trabalhando muito pelo desenvolvimento do Brasil. Agnelo é governador do Distrito Federal e Orlando é vereador em São Paulo.

Os detalhes desse trambique milionário estão na ótima reportagem de Aiuri Rebello e Ricardo Perrone, do UOL Esporte, que sugiro a leitura.

Memória

Quando estava no Correio Braziliense, em 2006, publiquei sobre esses escândalos que já citavam, também, o hoje secretário de Saúde do Distrito Federal, Rafael Aguiar Barbosa. Por envolver empresas brasilienses, a polícia especializada do Distrito Federal fez uma varredura no que deveria ser o projeto Segundo Tempo. O resultado está em dois processos afins: no Tribunal de Contas da União, que ainda analisa a confusão, e outro sob “segredo de Justiça”, onde estão “cobras & lagartos”…

As informações que levantei à época indicavam que João Dias, dono de academias contempladas com a grana do Ministério do Esporte,  era amigo de Agnelo. João, inclusive, foi cabo eleitoral do hoje governador do DF.

Inicialmente, João recebeu R$ 2 milhões (hoje R$ 3,7 milhões, corrigidos) para projetos do Segundo Tempo que atenderiam cinco mil crianças. Mas o dinheiro desapareceu.

Inadimplente, João não podia assinar novos contratos, mas abriu outra empresa de esportes e pegou mais R$ 1,3 milhão (corrigido) também para nada!  Foi aí que a turma do Ministério pisou na bola, pois quem estava inadimplente era o sujeito “João Dias” e não a empresa. Tenho informações de que liberaram a nova grana sobre pressão de autoridades superiores, pois João era amigo da casa. A suspeita da Polícia Civil é que o dinheiro abastecia caixa de campanhas políticas, e é isso que ainda está sendo investigado.

Esse não é caso isolado de corrupção no Segundo Tempo. Há dezenas sob investigações, mas como se passaram apenas oito anos… não é preciso apressar os resultados, claro.