Como eles “roubam” o jogo
José Cruz
…E, assim, roubam o jogo, estimulados pela emoção do esporte e atuação do atleta, agente principal do negócio olímpico
Além de Andrew Jennings, que antecipou em dois livros o esquema de corrupção no futebol, agora desvendado pelo FBI, o norte-americano David Yallop contou em 1998 sobre os segredos e subterrâneos da Fifa, em “Como eles roubaram o jogo”. A festa continuou no mesmo “padrão Fifa”.
No Brasil sabíamos sobre os trambiques que o futebol esconde. As quebras de sigilos bancários e fiscal da CBF, clubes e federações, conseguidas pelas CPIs do Futebol e da CBF Nike, em 2001, mostraram como muitos ganharam dinheiro, guardado em paraísos fiscais. Mas os relatórios dessas CPIs foram ignorados.
A bola da vez é o futebol, mas o esporte olímpico também esconde milionárias falcatruas. No Brasil, até hoje não temos respostas a dezenas de desmandos no Pan 2007, no Rio de Janeiro. E já estamos na fase final de outro evento bilionário, a Olimpíada, que segue no mesmo rumo, consumido verbas públicas. E com a omissão do Ministério do Esporte. Sobre o Pan, ministro Marcos Vilaça, do Tribunal de Contas da União, escreveu em seu relatório final, de 2008:
“Lamento o excessivo tempo que o Ministério dos Esportes tem levado na análise dos contratos e convênios do Pan. Essa demora embaraça o trabalho do TCU e impede o trâmite mais ágil dos processos atualmente em curso nesta Casa…”
Esporte e política
Está claro que o ente político-partidário age de propósito para conturbar a fiscalização, porque outros fatos virão e aqueles ficarão no esquecimento.
Quem se lembra do escândalo do Segundo Tempo, por exemplo, que abasteceu contas de partidos, facilitando a eleição de políticos que hoje circulam com “imunidade” pelo Congresso Nacional? E, assim, roubam o jogo, estimulados pela emoção do esporte e atuação do atleta, agente principal do negócio olímpico
As fartas fontes de recursos para o esporte olímpico também contribuem para que os aproveitadores atuem sem temor de serem incomodados. A falta de punição aos roubos e fraudes é aliada histórica.
Em várias confederações, há licitações fraudadas, aquisições de equipamentos de empresas fantasmas, desvios de objetivos das verbas liberadas pelo governo, importações ilegais, enfim. Um pouco já foi revelado e outro tanto está sob investigação pelos Ministério Público e Polícia Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo e em breve teremos outra “surpresa”.
Mas, e daí?