Blog do José Cruz

Arquivo : julho 2012

Megaeventos: o atraso irrecuperável
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José Cruz

Infraestrutura brasileira: Copa e Olimpíada dão o pontapé inicial 

José Roberto Bernasconi

Presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia – São Paulo

Se as obras de infraestrutura necessárias para a realização da Copa 2014 e Olimpíada 2016 fossem comparadas a um jogo de futebol, poderíamos dizer que os dois megaeventos darão o pontapé inicial nesses investimentos públicos e privados.

A analogia se justifica porque boa parte das obras públicas essenciais para a conquista de um legado à sociedade e ao país não ficará pronta a tempo para a Copa 2014 e, muitas delas, nem mesmo para os Jogos Olímpicos de 2016.

Em relação à mobilidade urbana, por exemplo, das 35 obras que deverão ser feitas nas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, somente oito já tinham contrato para execução assinado até outubro de 2011. Dessas, apenas em quatro o primeiro desembolso havia sido feito pela Caixa Econômica Federal, enquanto três tinham licitações em andamento e 24 não haviam iniciado sequer os processos licitatórios.

Em abril passado, a informação da Caixa Econômica Federal ao Tribunal de Contas da União (TCU) reportava que, apesar de faltar apenas quatro operações pendentes de contratação, somente oito já tinham desembolso efetuado, o que equivale a 5% do total previsto.

A análise completa está aqui


Promoção dos Jogos Olímpicos têm rombo médio de 252% desde 1960
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José Cruz

Lembram do orçamento do Pan 2007, que saltou de R$ 400 milhões para R$ 3,4 bilhões?

Pois há uma explicação olímpica  para o aquele estouro. O que não invalida a tese de planejamento falho, dos conflitos políticos e  pífia fiscalização que contribuíram para que os gastos fossem exorbitantes.

A reportagem sobre os históricos rombos olímpicos foi publicada na edição de Valor, ontem.

“Olimpíada de Londres ultrapassa custo inicial”

“O mesmo ocorrerá nos Jogos Rio-2016, admite Leonardo Gryner, diretor-geral do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”

Vitor Paolozzi

Valor – São Paulo

Um estudo de dois pesquisadores da Universidade Oxford afirma que os Jogos Olímpicos de Londres vão ter um estouro de 4,2 bilhões de libras (US$ 6,6 bilhões), ou 101%, em relação ao orçamento apresentado na candidatura da cidade em 2005.

Outro cálculo, de um órgão auxiliar do Parlamento britânico, aponta um custo final na casa de 11 bilhões de libras. O governo britânico, no entanto, está alardeando que as contas serão rigorosamente cumpridas.

Essa guerra de números mostra como podem ser múltiplas as maneiras de se computar, e interpretar, os gastos envolvidos em jogos olímpicos e serve como uma prévia do que virá pela frente em relação à Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Os pesquisadores Bent Flyvbjerg e Allison Stewart, da Said Business School, ligada à Universidade Oxford, fizeram um levantamento de todas as olimpíadas e jogos de inverno desde 1960 e concluíram que os eventos “ultrapassam o orçamento com uma constância de 100%.

Nenhum outro tipo de megaprojeto tem essa consistência no que se refere a estouro de orçamento. Os dados, assim, mostram que, ao decidir sediar os jogos olímpicos, uma cidade ou nação está empreendendo um dos tipos de megaprojeto mais financeiramente arriscados que existem”.

No Brasil

Leonardo Gryner, o diretor-geral do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, já admite que haverá alterações nos custos. “Quando você está se candidatando, você desenha um projeto com números aproximados, mas, quando vai se fazer a obra, esses números podem variar. A construção civil aqui no Rio está aquecida, você vê que os preços de materiais não se comportam da mesma forma [que no orçamento de 2008]”, diz.

Leia a reportagem


Uma bomba relógio está sobre a mesa de Blatter na sede da Fifa
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José Cruz

Não tenho dúvidas de que a FIFA é uma família do crime organizado e que Joseph Blatter mantém a sua influência distribuindo fartamente ingressos da Copa do Mundo.”

Mais:

Nas duas décadas foram pagos grandes subornos por uma empresa suíça de marketing esportivo por terem sido concedidos contratos lucrativos para a Copa do Mundo FIFA. Essa empresa, a ISL, foi à falência no início de 2001 e os gângsters na FIFA têm tentado desesperadamente, desde então, minar as investigações realizadas por promotores criminais.”

O autor

São textos do repórter Andrew Jenning, em entrevista ao blog do deputado Romário, já amplamente divulgado.

Mas repito as manifestações reforçando a campanha que cresce no país para eliminar o nome de “João Havelange” do Estádio Engenhão, no Rio.

Esse senhor, que sintetiza a corrupção do esporte no país, não merece ser lembrado.

Suspeitas

Jennings lançou em 1992 as suspeitas de que o esporte de alto rendimento escondia espetacular corrupção universal.

Os primeiros dados estão em “Os senhores dos anéis – Poder, dinheiro e drogas nas Olimpíadas modernas”.

Trata-se de pioneiro livro de jornalismo investigativo no esporte, com um capítulo exclusivo sobre como João Havelange chegou ao poder da Fifa.

Homenagem

Agora, apesar da vergonha e vexame internacionais de vermos dois brasileiros expulsos dos principais órgãos do esporte, Fifa e Comitê Olímpico Internacional, é a vez de festejarmos a vitória do jornalismo investigativo sobre a corrupção; da liberdade de imprensa e da transparência sobre os trambiques milionários, realizados mundo afora, à sombra das emoções do esporte.

Memória

Em 2001, o Congresso Nacional promoveu duas CPIs, na Câmara e no Senado, sobre os bastidores do futebol brasileiro. E não conseguiu, através da Justiça, um só indiciamento, apesar da farta documentação sobre evasão de dinheiro e sonegação fiscal nas operações de clubes, federações e CBF.

Portanto, se o Brasil político-esportivo acompanha a punição dos ex-poderosos cartolas através da Justiça estrangeira deve isso ao trabalho de duas décadas de Andrew Jennings (foto).

 

A democracia e a liberdade de imprensa saem fortalecidas dessa investigação que, com certeza, terá desdobramentos que baterão no atual presidente, Joseph Blatter, como revela Jennings no primeiro capítulo de seu livro, “Jogo Sujo”.

Havelange e Teixeira não são atores isolados nesse episódio. Uma bomba-relógio está sobre a mesa de Blatter, na sede da Fifa.

Para saber mais:

Jogo Sujo – O mundo secreto da Fifa, compra de votos e escândalo de ingressos – Andrew Jennings – Panda Books

Como eles roubaram o jogo – Segredos e subterrâneos da Fifa – David A. Yallop – Editora Record

 


Estádio de futebol em Brasília: o legado do desperdício
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José Cruz

Manutenção da arena do Gama, em 2011, foi de R$ 1.296.962,77, enquanto o GDF arrecadou apenas R$ 3.300,00 com a utilização do espaço

Do jornal Metro/Brasília

Ele foi reinaugurado em 2008 com pompa e circunstância. Custou R$ 50 milhões – com a promessa de servir como estímulo ao futebol local e a justificativa de que poderia abrigar grandes eventos musicais, hoje sem lugar no Distrito Federal.

O discurso vale para várias outras arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014.

O  Estádio Bezerrão, no Gama, porém, teve uma média total de público de apenas 3.574 torcedores, no acumulado de três anos depois da reinauguração – os dados de 2012 não foram divulgados. A capacidade é de 20 mil espectadores.

Em 2011, a arena gerou R$ 1.296.962,77 em despesas com manutenção. No mesmo período, o GDF arrecadou apenas R$ 3.300 com a utilização do espaço.

De 2008 a 2011, foram realizados no Bezerrão 64 jogos de futebol profissional e amador, que tiveram um público total de 228.740, incluído não pagantes.

Se forem excluídos os jogos com maior público – a partida inaugural de 2008 entre Brasil x Portugal (19.157 pessoas), Goiás x São Paulo, pelo Brasileiro do mesmo ano (17.064) e Dom Pedro e Botafogo (14.939) na Copa do Brasil de 2009 –, a média de público em três anos não chega a 3 mil pessoas.

Neste ano, o estádio seguiu com bilheterias irrisórias. Em 21 de março, pelo Campeonato Brasiliense, o duelo entre Botafogo-DF e Formosa teve apenas 36 pagantes.

A renda: R$ 180. Um mês antes, o mesmo Botafogo, que manda seus jogos no Bezerrão, levou ao estádio 57 torcedores (renda de R$ 610) no duelo contra o Brazlândia.

Ainda pelo Candangão, a partida de maior público na arena foi registrada em 3 de março último, no clássico entre Gama e Brasiliense (7.593 pagantes e renda de R$ 52.840).

A situação é reflexo de um futebol local precário, com clubes passando por dificuldades financeiras e com pouco espetáculo a mostrar para o torcedor.

Enquanto isso

É nesse panorama que se constrói um gigante para 71 mil pessoas…

Claro, haverá shows, espetáculos etc, etc, etc. Mas até agora isso é apenas plano, ideia.

De concreto só as colunas do novo Mané Garrincha.


Um novo patrono para o Engenhão
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José Cruz

Da série “Fora Havelange”

Por Élio Gaspari

O Globo

“A cada dia que passa e o estádio olímpico do Engenhão continua com o nome de João Havelange, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, confirma as palavras dos advogados da Fifa no processo que tratou do capilé de US$ 14 milhões recebidos pelo doutor e por Ricardo Teixeira: “Pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população na América Latina e na África.”

Havelange e Teixeira receberam, mas a galera que vai aos estádios e elege prefeitos leva a fama. A exposição da malfeitoria, treze anos depois das primeiras denúncias, mostra que os subornos, quando rolam no andar de cima, são protegidos por um sistema de salvaguardas especiais….

O texto completo está aqui


Estádio Mané Garrincha: Tribunal de Contas suspende licitação para placar eletrônico
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José Cruz

Seis dias depois de ter suspendido a licitação para a compra de cadeiras para o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, o Tribunal de Contas do Distrito Federal agiu da mesma forma com referência aos placares eletrônicos.

Uma empresa de tecnologia suspeitou da legalidade do pregão  e conseguiu suspender o processo, que envolve investimentos de R$ 5,9 milhões.

O edital exige a apresentação de “Certificado do Produto CE ou IL e ISO-9001”.

Segundo a representante da empresa recorrente, esses certificados só poderiam ser exigidos como pontuação para julgamento de proposta técnica, o que não se aplicaria numa licitação do tipo menor preço (leia mais sobre os tipos de licitação no fim do documento).

Informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Conas do Distrito Federal

SOBRE A LICITAÇÃO

Processo nº 15.071/2012

Modalidade: Pregão Presencial (nº 31/2012)

Origem: Novacap

Valor: R$ 5.960.000,00

Objeto: fornecimento e instalação de dois conjuntos de painéis eletrônicos para a exibição de multimídia no Estádio Nacional de Brasília, além de elaboração do projeto executivo e treinamento para a utilização dos equipamentos.

Para entender:

Há três tipos de licitação: melhor técnica; melhor preço; técnica e preço.

São eles que indicam a forma pela qual as propostas vão ser julgadas. No tipo melhor preço (que é o caso desse pregão proposto pela Novacap), o critério de classificação das propostas é o menor preço apresentado.

A opção melhor técnica é restrita aos casos de contratação de serviços de natureza intelectual, isto é, serviços técnicos profissionais especializados. Ex: elaboração de projetos e engenharia consultiva.

Já a reunião de técnica e preço só pode ser utilizada quando o objeto da licitação contemplar a contratação de bens e serviços de informática, bem como os serviços de natureza predominantemente intelectual. Nesse caso, há uma fórmula matemática para ponderar os critérios de preço e técnica.

 

 


O Velódromo do Rio e a especulação imobiliária
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José Cruz

César Maia, prefeito do Rio de Janeiro à época do Pan 2007, não tem dúvidas de que a proposta para derrubar o Velódromo, que custou R$ 14 milhões aos cofres públicos, atende aos interesses da especulação imobiliária. E encaminhou links que ajudam entender sua tese.

Diante de informações desencontradas sobre o assunto, no Relatório do Pan, elaborado pelo Ministério do Esporte, e  as do ex-prefeito do Rio encaminhei perguntas para esclarecer, que foram assim respondidas.

Entrevista

Confere a informação de que, em determinado momento, a Prefeitura do Rio teria esgotado seus investimentos no Pan 2007  e pediu socorro ao Governo Federal?

César Mais: Não. Fui chamado pela então ministra Dilma Roussef na presença de ministros Antônio Palocci e Agnelo Queiros para me dizer que tinha decidido participar das obras do Parque Olímpico e que disponibilizava 60 milhões de reais. Fiquei surpreso e agradeci e concentrei no Parque Aquático e no Velódromo.

Ao contrário do que diz o Relatório do Ministério do Esporte sobre o Pan 2007, o custo do Velódromo, R$ 60 milhões, foi pago integralmente pelo governo federal?

 César Maia – Os 60 milhões foram para o Parque Aquático e Velódromo e alcançaram uns 90% de cada.

A “especulação imobiliária” teria influenciado na decisão para derrubar o Velódromo a fim de liberar o valorizado terreno?

César MaiaNão tenho qualquer duvida. Trata-se de um negócio de mais de 1 bilhão de reais do valor dos terrenos. Pergunte ao consórcio e à Prefeitura o valor dos terrenos que os consórcios assumiram: R4 850 milhões ao qual se agrega este que é o mais valorizado de todos por ser frontal em duas frentes à lagoa.

O atual Velódromo poderia passar por reformas que atendessem as exigências do Comitê Olímpico Internacional?

 César Maia – Antes do projeto do Parque Olímpico prever os espigões e a saída do Velódromo para isso, deveria trazer comissão técnica da Federação Internacional de Ciclismo e divulgar um relatório. Agora já é tarde para isso.

Conclusões:

Está claro que ainda repercutem os confrontos políticos daquela época.

A certeza é que a conta desse confronto partidário será paga pelo eleitor-contribuinte.

 Para saber mais:

Informações enviadas por César Maia, para tentar entender o imbróglio do Velódromo:

Croquis distribuídos à imprensa, em agosto de 2011, com o projeto vencedor. Velódromo incluído.”

“Agora, veja no vídeo, quando aparece o Velódromo, aos 44 segundos. Siga e veja depois, em 2 minutos e 37 segundos até 2 minutos e 42 segundos. Surgem os espigões. Tudo silenciosamente previsto.”


Copa 2014: projetos de mobilidade urbana empacaram
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José Cruz

O programa “Mobilidade Urbana e Trânsito”, do Ministério das Cidades, ironicamente, não sai do lugar.

Dos 21,1 bilhões previstos para este anos, apenas 15,5% foram empenhados, isto é, dinheiro reservado para pagamento.

Pior: apenas 3% do dinheiro que o Ministério das Cidades dispõe foi desembolsado até agora, a um ano da Copa das Confederações.

Confira a reportagem de Paulo Victor Chagas, da Associação Contas Abertas

“Sem trocadilhos: Mobilidade Urbana não anda


Copa 2014: crise na saúde. Superbactérias matam em Natal
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José Cruz

Sem remédios e equipamentos hospital do Rio Grande do Norte tem surto de superbactérias e mortes

Por Aliny Gama e Carlos Madeiro

Do UOL

A contaminação de pacientes por superbactérias está preocupando médicos e pacientes do Hospital Estadual Ruy Pereira, em Natal (RN).

Por conta da crise na saúde –  com desabastecimento dos hospitais, greve dos médicos e falta de leitos nas unidades –  o governo estadual decretou calamidade pública na urgência e emergência de todo o Estado, no último dia 4.

Enquanto isso…

O governo do Estado do Rio Grande do Norte constrói um estádio para 45 mil torcedores ao custo de R$ R$ 417 milhões, sendo R$ 396 milhões financiados junto ao BNDES.

Para a Copa o governo se endivida com empréstimos.

Já para a saúde…

Em seus relatórios de fiscalização dos gastos com a Copa 2014 o Tribunal de Contas da União alerta que Natal é uma das quatro cidades-sedes que ficarão com um “elefante branco”, após o evento, diante da inexpressividade do futebol naquele estado.

Brasília, Manaus e Cuiabá completam o quadro do TCU de alertas sobre o desperdício de dinheiro público.


Lars indica prioridades para o desenvolvimento do esporte nacional
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José Cruz

A vela brasileira, a mais premiada modalidade do país, com 16 conquistas, vai para a sua segunda olimpíada consecutiva sem a participação de um integrante da família Schmidt Grael.

“Este fenômeno já ocorreu em 2008 e sentimos um tremendo vazio”, resumiu Lars Grael, nesta entrevista, mas de olho nos Jogos Rio 2016, quando seus sobrinhos, Martine e Marco poderão estar na equipe brasileira.

Em vinte anos, entre os Jogos de 1984 e 2004, os irmãos Torben e Lars conquistaram sete medalhas olímpicas para o Brasil. Não há registro no país de participação familiar tão expressiva.

Torben, em parceria com Marcelo Ferreira, nas classes Soling e Star, é o mais premiado atleta do país, com cinco conquistas, sendo duas de ouro. Lars tem duas medalhas de bronze: Seul, 1988, com Clínio Freitas, e Atlanta, 1996, com Kiko Pellicano.

 

Lars e Torben fizeram história na vela olímpica mundial

A entrevista

Fora das raias de competições, Lars participou da gestão do esporte. Foi secretário nacional no governo de Fernando Henrique Cardoso e Secretário Estadual da Juventude, Esporte e Lazer na gestão do paulista Geraldo Alckin, até março de 2006.

Leia a opinião do velejador sobre a vela e o esporte brasileiro em geral:

Depois da histórica participação olímpica e mundial, qual a tua sensação de não ver um “Grael” na delegação brasileira?

Lars – Este fenômeno já ocorreu em 2008 e sentimos um tremendo vazio. Em 2008, Torben estava na campanha da Volvo Ocean Race. Eu fui o segundo colocado na eliminatória da classe Star (vencida pela dupla Robert Scheidt/Bruno Prada) e meus sobrinhos ainda não estavam no nível olímpico. Este ano tanto Martine quanto o Marco Grael estiveram próximos da classificação. Não era o momento. Tudo tem a sua hora. É a chegada de uma nova geração da família Schmidt/Grael.

Qual tua expectativa para a sobrinha Martine Soffiatti Grael, para
2016?

Lars – A melhor possível. Martine terá que decidir entre as classes 470 ou 49er FX. Importante manter a parceria com a excelente proeira Isabel Swan. Martine está madura, tem muita raça, índole competitiva e uma rara perseverança. Esperança da vela brasileira.

O desenvolvimento da vela indica boa renovação?

Lars – Aquém do ideal, mas a renovação existe. Nomes como Matheus Dellagnelo; Alexandre Tinoco; Patricia Freitas; Jorginho Zariff; Henrique Haddad e Martine Grael, vão mostrar a nova cara da vela brasileira. Nomes que vão se misturar à experiência de Robert Scheidt e outros expoentes da atual geração.

Entre Sydney 2000 e Londres 2012 a grande diferença é o aporte de recursos públicos. Qual a tua avaliação?

Lars: De Sidney para cá, tivemos vários avanços no esporte brasileiro.

Leis – Agnelo/Piva; Bolsa Atleta; Lei de Incentivo do Esporte; Lei de Importação do Material Olímpico.

Eventos: Jogos Sul-Americanos (2002); Pan-Americanos (2007); Mundiais Militares (2011) e os eventos vindouros (destaque para a Copa do Mundo FIFA e Jogos Olímpicos).

Estrutura de Apoio Federal: Ministério (específico) do Esporte em 2003 e uma multiplicação de investimentos.

Tudo isto de alguma forma e ao seu tempo, impactará no desenvolvimento do esporte brasileiro. Por outro lado, o que falta realmente é uma política integrada de esporte e educação. Em 2000, o Governo Federal resgatou os JEB´s através da Olimpíada Colegial (atual Olimpíadas Escolares). O Programa Esporte na Escola não prosperou e o Programa Segundo Tempo deixou de ser prioridade. No Ministério da Educação, o esporte nunca mais entrou em pauta!!!

O Esporte na Escola era para ser o alicerce do Esporte Brasileiro que sonha em ser potência olímpica e paralímpica. Sem este alicerce, tratamos apenas do imediatismo no esporte brasileiro.

Indique, por favor, cinco prioridades para o Brasil se tornar um país esportivamente desenvolvido.

Educação Física e Esporte de qualidade e na quantidade necessária na Educação do Brasil. A compreensão desta questão e a decisão deveria vir da própria Presidente da República.

Promover a Olimpíada Escolar e Jogos Universitários com a mesma relevância que damos para a promoção dos grandes eventos internacionais.

Valorização do Programa Forças no Esporte (Forças Armadas engajadas no suporte ao esporte olímpico).

Apoio e engajamento dos clubes esportivos e da chamada rede “S”(SESI e SESC por exemplo).

Legislação que vincula a transitoriedade, transparência e metas na gestão, para entidades que recebem recursos públicos diretos ou indiretos (Lei de Incentivo; Bolsa Atleta; Jogos da CEF).