Blog do José Cruz

Arquivo : março 2014

Os ídolos estão nos deixando…
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José Cruz

Djalma Santos, Vavá, Garrincha, Nilton Santos, Bellini.  Aos poucos os ídolos de uma geração histórica do nosso futebol vão embora e deixam saudades.

Foi uma geração de um tempo em que o uniforme da Seleção tinha uma única marca, a da CBD (Confederação Brasileira de Desporto), depois CBF. Vestir aquela camisa era, antes, assumir a representatividade do país, diferente de hoje, em que o marketing e os euros fazem a diferença.

Um tempo em que a maioria dos craques era “profissional com espírito de amador”, como dizia Nilton Santos.

Dessa turma campeã de 1958, que eu conhecia apenas pelas transmissões de rádio, convivi, mais tarde, com Nilton Santos, estive com Gilmar, quando se recuperava de uma doença num hospital, em Brasília, entrevistei Zagallo, Mazola e Zito.

Com Nilton, que morava em Brasília, depois foi para o Rio, conversava diariamente na sede da Associação dos Cronistas Esportivos. Ele se referia a Bellini como “nosso Capitão”.

Mas outros dois se destacavam na liderança da Seleção de 58: Didi e o próprio Nilton.

Bons tempos, bons tempos…


A pavonice do cartola
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José Cruz

Em entrevista ao Esporte Essencial (aqui), o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, disse a Lei Agnelo Piva foi conseguida por ele. Não é a primeira vez que Nuzman tenta essa paternidade. Falou isso numa audiência pública, na Câmara dos Deputados.

Conheci a história dessa lei quando Gil Castelllo Branco, assessor do então deputado federal Agnelo Queiroz, idealizou o projeto destinando 1,5% das loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos.

Aprovado na Câmara o projeto assinado por Agnelo foi para o Senado. Foi quando o senador Pedro Piva (PSDB/SP) apresentou proposta idêntica, mas em vez da destinação de 1,5 ele extrapolou: 10%.

Os projetos de Agnelo e Piva, foram “apensados” (bonito, né?) com relatoria do deputado Gilmar Machado (PT/MG), que fixou o percentual de 2%. Aprovado, o projeto se transformou em lei, sancionada por FHC. É a tal “Lei Agnelo Piva” que só no ano passado garantiu R$ 160 milhões ao COB.

A grande sacada desse projeto é que o governo não desembolsaria um só tostão, pois os 2% do total das loterias para os esportes olímpicos e paraolímpicos sai do prêmio das loterias. E assim é até hoje. Não fosse isso, FHC não teria sancionado o projeto.

Pérolas

Da entrevista ao Esporte Essencial, selecionei duas respostas de Nuzman a repórter Fabiana Bentes de Rengifo. Confiram:

Como o COB recebe recursos públicos, não seria prudente divulgar cargos e salários proporcionalmente ao recebimento destes recursos públicos?

Nuzman – A forma de divulgação de dados referentes à Lei Agnelo/Piva pelo COB atende às orientações do Tribunal de Contas da União.

Quem o senhor poderia considerar um opositor à sua altura, mesmo não estando dentro das normativas de eleição do COB?

Nuzman –  Eu adoraria conhecer (risos).

Duas questões:

O dinheiro da Lei Piva é “público”. Logo, deve ser pública a sua aplicação. É que não interessa a Nuzman divulgar esses “detalhes”, porque ele se considera soberano, como, um dia, João Havelange também se considerava o “rei sol”. Deu no que deu.

Nuzman reforça essa condição de “ser único” na resposta seguinte, quando diz desconhecer quem possa vencê-lo. Como se mais ninguém, Brasil afora, fosse capaz de presidir o Comitê Olímpico.

É a tal ditadura do cartola, que foge à norma democrática. A perpetuação no cargo vicia o dirigente, e ele age como se a inteligência humana se resumisse à sua cabeça.


Romário sugere CPI do dinheiro olímpico
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José Cruz

O deputado Romário (PSB-RJ) defendeu, nesta quarta-feira que a Câmara dos Deputados colabore com as investigações da Controladoria Geral da União nas contas da Confederação Brasileira de Vôlei, CBV.

Apesar da proximidade da Copa do Mundo, consulto os nobres colegas parlamentares sobre a oportunidade de uma CPI do Esporte Olímpico, a fim de passarmos a limpo a realidade das entidades gestoras que, ressalto, são todas financiadas por verbas públicas”, defendeu.

Com certeza, essa proposta de CPI arrepia os cartolas em geral. Como diz o ditado, “uma CPI a gente sabe como começa, mas não sabe como termina”.

Já imaginaram uma CPI com quebra de sigilo fiscal e bancário, como ocorreu nas investigações da CBF? Claro, deu em nada, mas fica-se sabendo quem é quem e onde estão as trapaças.

Mesmo difícil de emplacar devido o calendário político deste ano, uma CPI do Esporte Olímpico, como sugere o deputado Romário, é pra lá de oportuna.

Não uma CPI que se limite ao governo PT, que escancarou os cofres para o alto rendimento, mas sem qualquer controle ou fiscalização. Mas que retroceda aos tempos de FHC, de Itamar, Sarney, Collor (lembram da candidatura olímpica Brasília 2000?). O esporte precisa passar por essa lavagem de longo prazo para, quem sabe, tomar rumo da decência financeira.

A participação do Estado no alto rendimento é um processo mal elaborado. Não há uma boa fundamentação que sustente essa “intromissão” e, muito menos, um plano de esporte ou uma política para tal. É cada um por si! Estamos perdidos neste sentido.

Particularmente, tenho muitas suspeitas de desvios de grana. O governo não fiscaliza o que libera e nem analisa prestações de contas. Portanto, o campo é favorável à corrupção, ao desvio, ao esbanjamento, desperdício, à festa.

Enfim, a proposta do deputado Romário está no plenário. Vamos ver quem se manifesta a favor e como vai agir a tropa de choque olímpica. Ela existe e é poderosa. Já derrubou uma proposta no Senado, lembram? Logo…

O discurso do deputado Romário está aqui:

http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2014/03/romario-sugere-cpi-do-dinheiro-olimpico/

 


Vôlei: Confederação terá R$ 41 milhões do Ministério do Esporte
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José Cruz

A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), que passa por denúncias de irregularidades em sua gestão, garantiu, no final do ano passado, junto ao Ministério do Esporte, a aprovação de projetos que totalizam R$ 41 milhões para aplicar, este ano, na preparação das seleções de quadra e praia, de olho nos Jogos Rio 2016.

O surpreendente é que, ao se ler a destinação dos recursos, fica a dúvida: onde serão aplicados os R$ 60 milhões (valor de 2012) de patrocínio do Banco do Brasil, exclusivo para as seleções, se o Ministério já está suprindo a preparação das equipes?

Esta é a questão que coloco há mais de cinco anos: quem controla o uso das várias fontes oficiais captadas pelas confederações  – Lei de Incentivo, convênios do Ministério do Esporte, Lei Agnelo Piva (via COB) e patrocínio das estatais –,  se está havendo duplicidade de aplicação, etc?

O mesmo ocorre com a natação, por exemplo, que tem R$ 3,5 milhões da Lei Piva, capta mais de R$ 10 milhões da Lei de Incentivo e ainda tem o patrocínio dos Correios. Qual o órgão que fiscaliza a real aplicação dessa fartura de dinheiro público?

O Ministério do Esporte não é. Porque lá trabalham apenas oito funcionários no setor de prestação de contas. E não há fiscais para viajar pelo país e constatar, no local, se o projeto está sendo executado.

EVENTOVALOR R$
Preparação equipe vôlei de praia10.902.159,35
Campeonato de Seleções Estaduais5.069.029,34
Campeonato de Seleções Estaduais4.251.200,21
Infraestrutura técnica para jogos11.423.096,75
Seleção/treinamento novos talentos8.019.009,15
Preparação Selções Sub 19/21 vôlei praia1.925.684,00
TOTAL41.590.178,80

 

Veja aqui as demais propostas aprovadas pelo Ministério do Esporte para 2014.


Uma boa notícia
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José Cruz

Oito anos depois de interditado, o Parque Aquático da faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília foi, enfim, reinaugurado pelo reitor Ivan Camargo

Um salto do atleta olímpico Hugo Parisi simbolizou a entrega do espaço à comunidade acadêmica. São três piscinas: uma oficial (50m), uma de aquecimento e um tanque de saltos com plataformas de 5m e 10 metros. “O Brasil não tem um centro como este para receber atletas de alto rendimento”, afirmou Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

O “Parque Aquático William Passos” –  homenagem ao professor que por 40 anos se dedicou ao ensino da natação da UnB, morto em 2008 –  conta, também, com um ginásio com duas “piscinas secas” e camas elásticas, para treinos de iniciação. O conjunto será usado como centro de excelência para a formação de atletas, nessa modalidade em que Brasília é líder nacional.

Ainda serão instalados os blocos de partida, adquiridos da empresa Omega, com cronometragem eletrônica. A obra  de recuperação do Parque Aquático custou a bagatela de R$ 1,2 milhão, praticamente 10% da propina que a Confederação de Vôlei pagou para atravessadores fecharem contrato de patrocínio com o Banco do Brasil. O dinheiro foi do próprio orçamento da UnB, do Ministério do Esporte e de emenda de parlamentar do senador Rodrigo Rollemberg, que destinou 50% do valor da obra.

Desafio

O próximo desafio da UnB é a recuperação de duas pistas der atletismo. O piso já foi comprado e entregue, mas por questões burocráticas não foi elaborado o projeto para receber os recursos do Ministério do Esporte e, por isso, a UnB deixou de usar em 2013 R$ 14 milhões para a obra de revitalização do Centro Olímpico. A verba poderá ser realocada este ano, e a expectativa é que o trabalho seja concluído em menos de oito anos…


Auditoria chega ao vôlei com 17 anos de atraso
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José Cruz

 “Em relação às denúncias envolvendo a Confederação Brasileira de Vôlei, o Banco do Brasil esclarece que não irá compactuar com qualquer prática ilegal, ou que seja prejudicial ao esporte, eventualmente cometida pelas entidades com quem mantém contratos de patrocínio.”

A nota acima, distribuída ontem, é de praxe, normal em qualquer crise de parcerias com denúncias de irregularidades.  Da mesma forma que a CBV anunciou “auditoria independente”. Bobagem! “Auditoria independente” é conversa para boi dormir, não vai constatar nada contra aquele que está pagando o trabalho.

As denúncias que avançam sobre a gestão do ex-presidente Ary Graça já eram reveladas no distante 1997, quando o técnico Bebeto de Freitas afirmou que “só a CBV ganha com o vôlei”, no tempo em que Carlos Arthur Nuzman presidia a Confederação. A entrevista, publicada em O Globo, em 23 de janeiro de 1997, foi assinada por Renato Maurício Prado.

Contribuição

As revelações de Bebeto, recuperadas por Juca Kfouri, são contribuições valiosas aos auditores da Controladoria Geral da União (CGU) que analisarão os contratos da CBV com órgãos públicos, entre eles o Banco do Brasil, parceiro do vôlei desde 1991. Confira:

Gestão:

“Os dirigentes da CBV nunca se interessaram levar para os clubes a estrutura profissional que tem lá. Aqui tudo é para a CBV e umas migalhas para os clubes.”

Contratos:

“Todos os contratos (de parcerias) são feitos por uma agência que trabalha para a CBV (SportMidia). E ela cobra um percentual absurdo por isso (especula-se em torno de 40%). Do que sobra, a CBV fica com a maior parte e as migalhas são divididas entre os clubes. No ano passado (1996), teve clube que recebeu R$ 13 mil, R$ 20 mil por uma temporada. No ano anterior (1995), teve clube que não recebeu nada! E a CBV está cada vez mais rica.”

(Qualquer semelhança da CBV com a CBF não é mera coincidência. É a mesma escola de gestão do esporte, em que o Estado é o doador, mas sem ser o fiscalizador, como deveria.)

Imagem

É verdade que a CBV não paga direito de arena aos jogadores, pelos jogos que transmite pela TV?indagou Renato Maurício Prado.

“Não paga. E aí, de quem reclamar? E, no entanto, é lei: 20% do que for paga pelos direito de transmissão tem que ser repassado aos atletas. Quem entrar na Justiça ganha mole. O problema é que os atletas tem medo. O Nuzman não teve coragem de dizer na TV que, como advogado, desaconselhava os jogadores assinarem carteira como profissionais?”

Portanto, a preocupação do Banco do Brasil e a auditoria da CGU chegam à CBV com quase duas décadas de atraso. Nesse tempo, rolou a festa.

As seleções estão sempre em alta, prestigiadas, vitoriosas. O próprio Banco do Brasil ganhou com o fortalecimento de imagem, numa estratégia de marketing espetacular. Já as agremiações e competições internas …


Vôlei: expectativa para a atuação da CGU
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José Cruz

Fortemente amparada por verbas públicas de várias fontes, desde quando Carlos Arthur Nuzman iniciou o reinado na CBV, em 1974, a Confederação de Vôlei passará por auditoria da CGU, Controladoria Geral da União. Aos ilustres auditores apresento minha humilde contribuição.

Reservem um espaço para investigar sobre a receita de bilheterias dos jogos da Liga Mundial. Foram devidamente contabilizadas?  Os estádios estavam sempre lotados,  mas nunca se soube sobre a renda desses eventos e o destino do dinheiro. Essas rendas apareceram nos balanços da CBV, publicados anualmente? Afinal, quem se beneficiava da venda de ingressos dos jogos, que tinham, também, patrocínios de órgãos públicos?

Boa fonte para este assunto é Marcos Pina. Ex-produtor de eventos da CBV, foi demitido na semana passada ao ser denunciado por recebimento de comissão para intermediar contratos com o Banco do Brasil. Fábio Azevedo, hoje assessor de Ary Graça na Federação Internacional de Vôlei, também conhece sobre a “renda de bilheterias dos jogos da Liga Mundial no Brasil”.

Silêncio

Na semana passada, solicitei entrevista com o secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser Gonçalves para conversar sobre as denúncias na CBV. A assessoria de imprensa, exercida pela empresa FSB, não respondeu. Como de resto não me atende desde novembro do ano passado, apesar de ser uma instituição privada que ganha muito dinheiro para fazer a intermediação entre as autoridades do esporte e jornalistas. Estou levantando quanto o Ministério paga à FSB. Adianto que é muita grana!

Finalmente

Lembro às autoridades do esporte e dos órgãos de fiscalização que o escândalo no vôlei não é exclusivo. Outros estão escondidos em várias confederações, como a de Basquete, Tênis e Taekwondo, todas elas envolvendo verbas públicas.

Além de uma auditoria especifica, o esporte olímpico precisa de uma varredura rigorosa, que inicie nos repasses de verbas ainda no tempo do governo FHC. Mas uma varredura pra valer, com a participação da Polícia Federal, inclusive. Sem exageros o esporte de alto rendimento esconde negócios altamente suspeitos e milionário, e isso é em todo o mundo.

Porém, no Brasil, o governo federal não está nem aí para esta realidade. O próprio Leyser Gonçalves, sabedor de falcatruas no basquete e no tênis, manteve repassas de verbas para essas confederações. Por que? Por isso, as investigações precisam avançar sobre as ações do Ministério do Esporte.


O olimpismo no limite: chamem a Polícia!
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José Cruz

Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB ficou “surpreso” com as denúncias de corrupção na Confederação de Vôlei e disse que “os atletas merecem explicações”. Mas a Confederação foi reduto de Nuzman por 40 anos! Ali dominou com apenas um sucessor, Ary Graça, de quem é amigo.

Portanto, são esses, Ary e Nuzman, que devem explicações aos atletas do vôlei, à comunidade esportiva e aos órgãos públicos, pois foi daí que saiu a verba que sustentou a entidade da qual se apropriaram por quatro décadas, numa flagrante consolidação ditatorial e agressão à democracia.

A expectativa é para que se tenham investigações sérias para responsabilizar, também, os presidentes das federações estaduais. Eles aplaudiram e homologaram por décadas os balanços e planejamentos da CBV. São cúmplices da ilegalidade e precisam responder pela omissão, no mínimo de não questionarem os abusos poderosos.

Ora, se o vôlei, de resultados espetaculares mundo afora, vive essa situação, o que dizer de confederações menores?

Por isso, a CGU não pode centralizar suas investigações na Confederação de Vôlei. As Confederações de Tênis e a de Basquete, no mínimo, precisam entrar no rol das investigações. Nelas, há evidências, muitas comprovadas, de fraudes e má-fé na gestão do bem público. No entanto, seus presidentes, Carlos Nunes, do Basquete, e Jorge Rosa, do Tênis, continuam assinando contratos com os patrocinadores públicos.

Finalmente, o Ministério do Esporte é outro órgão que precisa urgentemente de uma auditoria. O secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves, sabe, há muito, dessas denúncias de falcatruas. No entanto, continua liberando verbas e mais verbas para os mesmos gestores flagrados em corrupção. Com que interesse Leyser age dessa forma? Que destino tem o dinheiro que ele libera e não fiscaliza?

Para que não se “surpreendam”, como Nuzman, é necessário que TCU e CGU atuem logo. Sem esquecer de chamar a Polícia Federal, pois há casos de “desaparecimento” de verbas, como os R$ 1,4 milhão de etapas de vôlei de praia não realizadas e outros R$ 440 mil que Jorge Rosa justificou os gastos com notas fiscais frias, falsas.


Vôlei: jornada de estrelas
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José Cruz

“FOI UMA SURPRESA PARA MIM”

 Presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, em entrevista à ESPN, sobre denúncias de corrupção na Confederação Brasileira de Vôlei no Vôlei

Nos últimos 40 anos a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) teve apenas dois presidentes: Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça. E um vice-presidente, Walter Pitombo Laranjeiras, atual presidente em exercício.  São esses que precisam explicar sobre as denúncias de corrupção na entidade sob os seus comandos por quatro décadas, numa estrutura sustentada por verbas públicas, quase que totalmente sem fiscalização!

Por que Nuzman e Graça nunca permitiram a renovação na presidência da CBV? Teriam transformado o vitorioso esporte nas quadras num negócio particular, exclusivo, para poucos?

Considerando que nessa jogada tem dinheiro público e envolve um valiosíssimo patrimônio da cultura esportiva brasileira não caberia uma investigação minuciosa da Polícia Federal, para que não fiquem dúvidas sobre a lisura de todos os negócios ali realizados?

Por exemplo, onde foram aplicados R$ 1,4 milhão repassados pelo Banco do Brasil à CBV, em 1997, para sete etapas de vôlei de praia não realizadas?

E o que diz Ary Graça? Deixará hoje a presidência da CBV, na assembleia que se realiza no Rio, ou continuará dando as cartas, com Walter Pitombo de laranja? A propósito, os cartolas das federações também precisam se manifestar. São eles que, em assembleia, dão sustentação ao sistema e aprovam, há duas décadas as contas da CBV. São fiscais ou cúmplices?

Outro nome que pode contribuir é o de Leonardo Gryner, braço direito de Nuzman desde 1990 e, hoje, diretor dos Jogos Rio 2016. Leo, como é conhecido, foi dono da SportsMedia, a empresa que terceirizou contrato da CBV com o Banco do Brasil e faturou 40% de comissão, conforme constatação do Tribunal de Contas da União.

Os sócios de Leonardo foram Sergio Villela, amigo de Nuzman, e Carlos Roberto Osório, que foi o  Secretário Geral do Pan 2007. Depois do Pan, estranhamente Osório se afastou do movimento olímpico e assumiu a Secretaria de Transportes do Rio de janeiro.

Novidade?

As denúncias não são de hoje, mas de anos, décadas!

Em 1997, Bebeto de Freitas levantou suspeitas sobre os negócios do vôlei. Foi perseguido por Nuzman e deixou o país. De volta, está desempregado até hoje. O “sistema” fechou as portas para esse técnico campeão mundial pela Itália, campeão europeu e por aí vai, escancarando a ditadura dos cartolas no agora Brasil olímpico.

Nesse tempo, o vôlei tornou-se potência e referência mundial, e enquanto conquistava pódios de eventos olímpicos também se transformava em valiosa moeda para atrair negócios, suspeitos, como estamos vendo.

Por isso, é preciso definir, até que ponto o governo federal deve investir em equipes de representação esportiva e qual o limite, a fronteira para o “esporte espetáculo”, “esporte negócio”.

Finalmente

O episódio da CBV não é exclusivo. TCU e CGU, principalmente, deveriam fazer uma varredura nas finanças das demais confederações, principalmente as de Basquete, Tênis, Taekwondo, Ginástica e por aí vai. Todas são sustentadas por muita verba públicas. E, agora, com os cartolas recebendo salários.


Vôlei de praia: BB pagou sete etapas que não foram realizadas
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José Cruz

Há 19 anos, Confederação de Vôlei já pagava 40% de comissão à agência que negociava patrocínio com o Banco do Brasil

 

Em decisão de plenário de 3 de dezembro de 1997, o Tribunal de Contas da União poupou de constrangimento público os ex-presidentes da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça.

Naquele ano, quando Ary já havia substituído Nuzman na presidência da Confederação, mesmo recebendo do patrocinador (Banco do Brasil), valores idênticos aos de 1995 e 1996, a CBV realizou sete etapas a menos no Circuito de Vôlei de Praia: apenas dez, mas o banco pagou os mesmos R$ 3,5 milhões dos anos anteriores.

Na ponta do lápis, sobrou grana, em torno de R$ 1,4 milhão, que não foi devolvida. O ministro do TCU e relator do processo, Adhemar Paladini Ghisi, tinha afinidades com o COB. O genro de Ghisi, Bernard Rajzman, o campeão de vôlei que criou “jornada nas estrelas” é, ainda hoje, um dos braços fortes de Carlos Nuzman no Comitê Olímpico.

Processo

A história está no Processo 925/97-7, do TCU, “sigiloso” até a votação, instaurado a pedido do deputado Augusto Carvalho, que desconfiou de irregularidades na parceria BB/CBV.

Por exemplo: era taxa de mercado os 40% pagos pela CBV à Sport Media Empreendimentos Esportivos Ltda, para intermediar o contrato? Como se observa, o pagamento de “comissões” na CBV nessa relação como Banco do Brasil é antiga e onerosa aos cofres públicos, claro.

Os auditores que trabalharam no processo até que questionaram sobre o uso do dinheiro público, diante da inexistência de fiscalização, conforme o processo ao qual tive acesso,:

“Como garantir o uso apropriado dos recursos com a ausência de instrumentos efetivos de controle e acompanhamento?” – indagaram. “Indispensável, portanto, que o Banco exija um relatório que comprove de forma minuciosa o uso adequado dos recursos”.

Etapas

O contrato de patrocínio assinado em 1994, entre a CBV e o Banco do Brasil, quando Nuzman presidia a Confederação – ele saiu em 1995 – previa para aquela temporada a realização de 19 etapas no circuito vôlei de praia masculino e 14 no feminino. Para tanto, o BB pagou R$ 3,5 milhões. As etapas para as temporadas seguintes – 1995 e 1996 – seriam definidas em termos aditivos ao contrato, mas isso nunca aconteceu. E em 1997 a CBV decidiu reduzir para apenas 10 etapas no masculino e 10 no feminino, mesmo recebendo outros R$ 3,5 milhões anuais.

Prejuízo

“É preciso que se diga, com ênfase, que houve uma alteração no objeto do contrato, em evidente prejuízo ao Banco do Brasil, que acabou pagando mais e aparecendo menos. É certo, ainda, que o número de etapas tem relação direta com o retorno obtido pelo Banco do Brasil , em espaço de mídia e de negócio. Assim , quanto menor for o número de etapas, menor será o retorno ao Banco do Brasil” — disseram s auditores.

Relatoria

O relator do processo sobre essa parceria da CBV com o BB era o ministro Fernando Gonçalves, que acatou as denúncias do deputado Augusto Carvalho, deu crédito ao trabalho dos auditores e propôs ouvir explicações dos envolvidos. Mas o ministro adoeceu nas vésperas de apresentar seu relato, sendo substituído por Lincoln Magalhães da Rocha, que também por motivo de saúde se afastou do processo.

Em sorteio, a relatoria do processo foi parar nas mãos de Adhemar Paladino Ghizi. Baita coincidência!

E o que disse o ministro Ghizi é inacreditável:

“... o cerne das questões suscitadas pelo deputado Augusto Carvalho escapa à competência desta Corte (TCU), uma vez que não nos cabe fiscalizar o funcionamento da Confederação Brasileira de Vôlei….

Ora, mas a auditoria foi sobre os repasses do Banco do Brasil e sua omissão em fazer cumprir as cláusulas contratuais.

Disse mais o senhor Ghizi

Na verdade, sendo tais verbas recebidas pela CBV a título de pagamento de contrato, não tem este Tribunal qualquer poder fiscalizatório em relação à utilização futura das verbas”.

E, ao negar audiência com os envolvidos, a fim de esclarecer sobre a drástica redução de sete etapas no Circuito de Vôlei de Praia, assim se manifestou Ghisi, de forma simplista:

“Na verdade, o que ocorreu foi a ausência de previsão contratual para o número de etapas a serem disputadas nos anos de 1995 e 1996, o que possibilitou sua redução.” E encerrou o processo, que foi aprovado. Nem o Banco, ninguém, ficou sabendo onde foram parar R$ 1,4 milhões das sete etapas não realizadas (média de R$ 200 mil por etapa).

Mas o ministro Ghizi colocaria Carlos Nuzman, amigão de Bernard, ou Ary Graça, amigão de Nuzman e que adora Bernard, em situação constrangedora?

Passa o tempo e, 18 anos depois daquele episódio, Bernard Rajzman foi contemplado, em 2013, como representante do Brasil  junto ao Comitê Olímpico Internacional.

Como reza a tradição, “o movimento olímpico é uma grande família”, mas quem paga a conta…

Com esta revelação do TCU insisto na tese de que as investigações sobre as denúncias de irregularidades na Confederação de Vôlei não podem ficar na gestão de Ary Graça. É preciso retroceder aos tempos de Carlos Nuzman e assessores, para que não fiquem dúvidas sobre a atuação de ninguém no trato com verbas públicas.