Blog do José Cruz

Um Mané genial

José Cruz

 

Quando morava em Brasília, Nilton Santos ia diariamente à sede da Associação dos Cronistas Esportivos. Ouví-lo  era aprender sobre a história do nosso futebol. Imperdíveis suas narrações. Nilton contava passagens que não se repetiam, menos uma, sobre Mané Garrincha, “o Compadre”.

Mais tarde, soube que todos 20 de janeiro Nilton levantava mais cedo e ia para sua chácara, perto de Brasília.

Lá, dedicava a manhã rezando por Mané, seu maior amigo. Num pequeno canteiro, acendia algumas velas. E ali ficava, quieto. Quando voltava ao convívio da família, seu rosto não escondia que o choro tinha sido companheiro naqueles momentos de isolamento.

Sabe-se lá o que passava na cabeça desse grande bicampeão que tinha um carinho enorme por ''Mané”. Logo ele, o ''torto'', que ao fazer treino-teste no Botafogo passou pelo gigante e consagrado Nilton Santos com um drible pelo meio das pernas. Começou ali a amizade entre eles.

“Garrincha era diferente de tudo e de todos”, escreveu Nilton, em seu livro, “Minha bola minha vida”. Disse, também:

“Mané era uma pessoa como eu fui. Simples, ingênua, sem experiência, veio de um lugarejo tão pobre e pequeno como o meu. Havia afinidades entre a gente. Ele precisava de orientação, eu o defendia como se fosse um irmão mais velho. Mais tarde, Zezé Moreira e Sandro Moreyra perceberam isso e foram outros amigos e conselheiros do Mané”.

Simples e talentosos

“Eu fazia o que gostava e ainda me pagavam”! – dizia Nilton, rindo daqueles tempos, quando tínhamos um genial ''Mané'' em campo…

 

A foto, sem crédito, que ilustra este texto está no ''Almanaque da Bola'', de Diego Salgado