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Vôlei: divulgação de auditoria divide grupos na CBV
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José Cruz

 

Há uma disputa interna na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), entre os que querem esconder e os que desejam dar transparência à auditoria da Price Waterhouse, que investigou sobre denúncias de irregularidades nas finanças da entidade, que divulguei, em março.

Recentemente, a CBV contratou assessoria da Fundação Getúlio Vargas para formular proposta de gestão transparente no vôlei. É um recurso para, de forma discreta, tentar ajudar esquecer problemas.

Apoiado pelo Banco do Brasil há 23 anos, o vôlei conquistou 19 medalhas olímpicas e mais de 50 títulos mundiais na quadra e na areia, em todas as categorias. Estamos falando de uma potência esportiva dentro e fora das quadras.

Segredo

Mas, o que apurou a auditoria da Price? Segredo, como sugere a assessoria da CBV:

“O relatório foi entregue oficialmente à Confederação e está nas mãos do departamento jurídico da entidade. Algumas providências já foram tomadas e outras estão sendo analisadas. O relatório é interno”.

Memória

Em quatro décadas, entre 1975 e 2012, a CBV teve apenas dois presidentes, Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça. E o atual, Walter Pitombo Laranjeira, foi vice-presidente desses dois dirigentes. Pitombo conhece muito bem os bastidores e a história desse esporte. Silenciará diante das denúncias, permitindo que seu nome figure entre os suspeitos de práticas ilegais, como as já denunciadas?

Enquanto isso…

Em março, por ocasião das denúncias, a direção do principal patrocinador assim se manifestou:

“A direção do Banco do Brasil condicionou a manutenção do apoio ao vôlei ao pronto esclarecimento dos fatos denunciados e à imediata adoção de medidas corretivas” … “Apesar de não ter responsabilidade legal ou contratual para fiscalizar a aplicação dos recursos do patrocínio, o Banco do Brasil entende que é necessário a CBV adotar novas práticas de gestão que tragam mais transparência para a aplicação dos recursos…”

Agora, ao ser indagado sobre os resultados da auditoria da Price, disse o Banco:

“O Banco do Brasil entende como positivas a contratação da auditoria externa e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e permanece acompanhando atentamente as ações decorrentes das apurações realizadas.”

Indagado, o Ministério do Esporte não se manifestou.

Finalmente

E o que dizem os atletas e o próprio técnico Bernardinho, modelo de liderança e caráter, sobre essa questão?

Afinal, são eles que, por seus resultados, dão sustentação à parceria da CBV com o Banco do Brasil. Ficarão omissos nessa questão, contrastando os brilhantes resultados no esporte com suspeitas de desmandos de bastidores?

 

 

 


Atletismo: o que esperar da nova geração?
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José Cruz

Com uma delegação de 23 atletas, o Brasil retornou do Mundial de Atletismo Júnior de Eugene, nos Estados Unidos, com duas medalhas, ouro, com Izabela Silva, no lançamento do disco; e bronze, com Matheus de Sá, no salto triplo. Ficamos em 13º lugar dentre os 168 países participantes e os 34 que conquistaram pódio.

Já no “Placing Table”, que classifica os países atribuindo pontos da primeira à oitava colocação em cada prova o desempenho do Brasil foi ainda mais tímido: 17º lugar, atrás do Quênia, da Etiópia, Cuba e Bahrein. E empatados com as superpotências esportivas Trinidad e Tobago e Uganda.

O atletismo é modalidade totalmente financiada por verbas públicas e em 2013 encerrou o ano com R$ 31 milhões de receita, entre convênios, patrocínio da Caixa e repasses das loterias federais. Cerca de 200 atletas recebem Bolsa do Ministério do Esporte.

O Mundial de Atletismo Júnior, para competidores de até 19 anos, é a vitrine da nova geração, e no evento desfilaram atletas que deverão estar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas o Brasil, apesar de ter 40 milhões de estudantes disponíveis para a prática esportiva, patina na formação de atletas devido à falta de políticas públicas.

Fora do pódio, os melhores resultados do Brasil foram os quarto lugares de Thiago André,  nos 800 e 1500m, e o oitavo de Núbia Soares, no salto triplo.

Velocistas

Nas provas de velocidade, no programa individual, o Brasil não esteve em uma só final. Principal esperança, Tamiris de Liz, bronze no Mundial Juvenil de Barcelona, há dois anos, ficou em sexto na semifinal, atrás de uma equatoriana, uma venezuelana e uma da Guiana. Nos 100m rasos masculino, Vitor Hugo Silva dos Santos, finalista da prova no último Mundial Sub-17, no ano passado, também ficou em sexto e não avançou à final. E nos 200m rasos, Vitor Hugo, que havia conquistado a prata na prova no último Mundial Sub-17, ficou em último na sua bateria semifinal.

Esperança

Thiago André terminou em quarto lugar nas duas provas de meio fundo, 800m e 1.500m. Está aí um nome para dar seguimento à dinastia da década de 1980, com Agberto Guimarães, Zequinha Barbosa e Joaquim Cruz.

Fundo

Nas provas de fundo não qualificamos nenhum atleta para as finais. Nos 10.000m masculino, por exemplo, desde 1996 (e lá se vão 18 anos) o Brasil não sabe o que é colocar um atleta em uma final de Mundial, em todas as categorias! O interessante é que o calendário de corridas de rua no Brasil é farto em competições, mas isso não ocorre na pista onde cada vez os nomes são mais escassos.

Revezamentos

Nessa prova estivemos em apenas uma final, o 4x100m feminino. Mas, a exemplo das Olimpíadas, nossas atletas acabaram errando na passagem do bastão e foram desqualificadas.

Cabe aqui ressaltar um interessante dado:  Botsuana (país da África Meridional, com apenas 2,1 milhões de habitantes) qualificou suas duas equipes de revezamento masculino para o Mundial Juvenil, ao passo que o Brasil (200 milhões de habitantes) não conseguiu revelar e formar oito atletas com um nível razoável para disputar as provas de revezamento em Eugene.

Pistas

Atualmente, o Ministério do Esporte está investindo na construção de pistas de atletismo, Brasil afora, mas assim como em outras modalidades o país carece de técnicos, equipamentos, calendário farto de competições etc. Continuamos com os mesmos problemas de 1980, quando Joaquim Cruz deixou Brasília para ir treinar nos Estados Unidos. Com a diferença de que desde 2003 há muitos recursos financeiros disponíveis, mas isso não tem contribuído para a formação de equipes altamente competitivas.

Continuamos dependentes de revelações esporádicas, como o ouro de Izabela Silva. Federações falidas, clubes desinteressados, falta de gestores e de definições entre as competências da União, estados e municípios e o interesse do governo e COB de investirem no atleta de ponta fecham esse ciclo de problemas, que dura décadas.


Olimpíadas Rio 2016, entre a realidade e a esperança
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José Cruz

Por Aldemir Teles Dema

 Professor de Treinamento Esportivo, na Escola Superior de Ed. Física da Universidade de Pernambuco

O título deste artigo é uma homenagem ao saudoso escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna que sentenciou:

“O otimista é um tolo. O pessimista é um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

É assim, com esse pensamento, que devemos encarar as chances do Brasil ter sucesso nos próximos Jogos Olímpicos no Rio de janeiro em 2016. Assim estaremos precavidos de decepções semelhantes à sofrida com a campanha da seleção de futebol na recente Copa do Mundo, quando vendedores de sonho, especialmente a mídia e patrocinadores do evento, iludiram a muitos brasileiros, fazendo-os acreditar que o Brasil seria hexacampeão mundial.

Embora não seja tarefa fácil, é possível elencar alguns fatores que possam prever futuros resultados do país nos Jogos Olímpicos 2016. Por exemplo, a vantagem de competir no próprio país, os investimentos, a qualidade da participação das equipes nacionais nos campeonatos mundiais, nos períodos que antecedem as olimpíadas, as medidas e ações governamentais realizadas e a evolução do quadro de medalhas em olimpíadas a partir da confirmação da cidade sede.

Vamos focar, por enquanto, a evolução do quadro de medalhas do Brasil nas três olimpíadas recentes – 2004, Atenas; 2008, Pequim e 2012 em Londres – a seguinte após a confirmação em 2009 do Rio de Janeiro como sede em 2016.

Brasil

A evolução do quadro de medalhas do Brasil será comparada com a evolução dos países sede China e Grã-Bretanha. Se alguém sugerir que estou mal intencionado ao escolher duas potências esportivas para a comparação, posso dizer que a forma com que outros países sede evoluíram é semelhante às apresentadas neste exemplo, embora com outros números.

A meta do Ministério do Esporte, definida em 2010, na construção do Plano Decenal de Esporte e Lazer, tem o pomposo titulo de 10 PONTOS, EM 10 ANOS PARA PROJETAR O BRASIL ENTRE OS 10 MAIS. Na quarta-feira recente, dia 23 o Comitê Olímpico Brasileiro anunciou que a meta do país para os Jogos de 2016 é entrar no top 10 da classificação geral e, para isso, quer subir ao pódio 27 vezes. Os dirigentes do COB admitem que o objetivo seja ousado. Eu diria improvável, no momento atual, mesmo assumindo que o pessimista é um chato, mas a realidade aponta para incertezas.

Para atingir a meta de estar entre os 10 primeiros colocados, o Brasil deverá obter entre 30 e 35 medalhas no total, sendo oito ou nove de ouro. Esses são os números aproximados de medalhas obtidos pelos países na 10ª posição em olimpíadas recentes. Ou seja, é preciso mais que dobrar o número de medalhas de ouro em relação a Londres (três ouros). China

Recomendo aos gestores públicos e privados do esporte o importante estudo publicado em 2009, do respeitado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre a eficiência da participação dos países nas Olimpíadas de Beijing, 2008.

Segundo esse Estudo do IPEA, de acordo com o nosso potencial, o Brasil deveria ter conquistado 20 medalhas de ouro, 18 de prata e 26 de bronze. Dessa forma teríamos conquistado a sexta colocação e não a 20ª no quadro de medalhas.

Comparacao

A avaliação considera a riqueza econômica do país, o tamanho da população e a esperança de vida ao nascer. O estudo revela a discrepância entre viabilidade econômica e a efetividade da política de esporte. Ou seja, temos potencial para muito mais. O problema está na equivocada política nacional de esporte, ou a falta dela.

O autor é Especialista em treinamento esportivo, pela Universidade Gama Filho e Mestre em neurociências pela UFPE.


Atletismo de ouro: ah, essas mulheres!
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José Cruz

disco

 

Depois de nove finais, o Brasil conseguiu um valiosíssimo pódio no Campeonato Mundial de Atletismo Juvenil, no Estádio Hayward Field, em Eugene, nos Estados Unidos.

O feito foi da lançadora do disco, Izabela Rodrigues da Silva (foto), da equipe BM&F/Bovespa, de São Paulo. Ela marcou 58,03m. Izabela nasceu em Adamantina (SP), em 1995. Ela tem 118kgs e 1,76m de altura. Valerie Allman, dos Estados Unidos, com 56,71m, ficou com a medalha de prata, e a indiana Navjeet Dhillon com o bronze (56,36m).

O Mundial de Atletismo Juvenil reúne 1.500 atletas – até 19 anos – de 167 países, e termina neste domingo.

Depois de Maurren Maggi, no salto em distância, e Fabiana Murrer, no salto com vara, a geração feminina continua escrevendo algumas linhas na história do atletismo internacional, agora com a novata Izabela.

As brasileiras terão hoje nova chance de pódio, com o revezamento 4x100m, às 21h20, de Brasília. O quarteto é formado por Letícia Cherpe de Souza, Vitória Cristina Rosa, Mirna Marques da Silva e Tamiris de Liz.

No masculino, o Brasil está na final do salto triplo, com Mateus Daniel Adão de Sá. Ele se classificou com 16,15m, sua melhor marca, para a disputa decisiva deste domingo.

O Mundial de Atletismo Juvenil é a sala de apresentação da nova geração do esporte, estágio final para os competidores que estão chegando à categoria adulta e se candidatando à vaga para os Jogos Rio 2016.

História

A medalha de Izabela é a 11ª do Brasil e a terceira de ouro em todas as competições mundiais juvenis. As outras duas douradas foram ganhas por Clodoaldo Gomes da Silva, na corrida de 20 km (Lisboa 1994) e Thiago Braz, no salto com vara (Barcelona 2012).

 

 


Dilma recebe cartolas: sonegação oficial e explícita da dívida fiscal
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José Cruz

Como o Botafogo ganhou muito dinheiro e não honrou o compromisso fiscal

Depois dos jogadores, hoje à tarde a presidente Dilma receberá cartolas do futebol. Discutirão sobre o projeto de lei da gestão do futebol e a renegociação da dívida fiscal de R$ 4 bilhões.

O projeto de lei, elaborado por deputados-cartolas e apoiado pelo Ministério do Esporte, quer:

 Parcelar o débito em 300 meses (contribuinte comum tem só 60 meses);

Baixar os juros de 11% (taxa Selic) para 5% (taxa TJLP).

 Sugestão

A presidente Dilma poderá conhecer junto aos devedores como boa parte da dívida não é paga. No bom português, sonegada.

Basta indagar ao presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, por exemplo, sobre o acordo judicial que não honrou, mesmo com muito dinheiro em caixa.

Dados oficiais da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro, revelados inicialmente no jornal Extra, pela repórter Marluci Martins, mostraram que, entre 2009 e 2013, o Botafogo faturou R$ 627.191.242,50.

Conforme sentença judicial, pagaria R$ 125.438.248,50 da dívida fiscal e trabalhista. Porém, honrou apenas R$ 30.344.015,87.

Ou seja, míseros 5% da receita! Sonegação explícita de R$ 95.094.232,63.

Herança em dia

Com isso, a diretoria do Botafogo, que herdou do ex-presidente, Bebeto de Freitas, uma dívida consolidada e negociada, com todas as certidões negativas em mãos, tornou-se inadimplente, mesmo tendo faturado muito.

É importante que a assessoria do Palácio do Planalto informe a Presidente Dilma Rousseff sobre essa realidade. As informações e valores aqui publicados estão no Processo – público – 0011.22800-71.2010-5.01.000, de 14 de junho de 2013. Da 1ª Região do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro e foram obtidos nos balanços contábeis do clube.

Finalmente

Está evidente a má vontade de muitos dirigentes em não honrar seus compromissos com o fisco, na esperança de que o governo, “bonzinho”, atenda aos apelos das “dificuldades” dos clubes.

Mas a realidade é outra. E quantos clubes agiram como o Botafogo de 2009 para cá? O Ministério do Esporte, tão presente nessa parceria com os cartolas, tem esses dados para passar a presidente Dilma?


Polícia Federal investiga denúncia de corrupção no taekwondo
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José Cruz

Depois de uma série de reportagens de Marcelo Gomes, da ESPN Brasil, denunciando suspeitas de irregularidades na Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKd), a Polícia Federal entrou em campo e fez as primeiras apreensões de documentos para prosseguir nas investigações.

São originais dos processos de licitações, no valor de R$ 3 milhões, liberados pelo Ministério do Esporte, que sabia sobre as denúncias, mas não agiu. Para a Polícia Federal, há suspeita de inidoneidade das empresas contratadas pela confederação. Nos últimos anos, a CBTKd recebeu R$ 15 milhões do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro, principalmente. Em nota oficial, a diretoria da Confederação contesta as irregularidades.

Memória

Acompanho, desde 2011, os programas produzidos sobre o tema, produzidos pelo repórter Marcelo Gomes e equipe.

Paralelamente, confirma-se a falta de fiscalização do governo no uso do dinheiro que libera. Do Ministério do Esporte, em especial, que é freguês de ficar sabendo sobre irregularidades através da imprensa, pois, além de não ter funcionários suficientes e capacitados para fiscalizar, ignora as denúncias que recebe.

Tênis

No ano passado foi confirmado o desvio de R$ 440 mil na Confederação Brasileira de tênis, que antecipei, com provas! Só então o Ministério do Esporte entrou em campo e comprovou a desordem com o dinheiro que havia liberado. O presidente da entidade, Jorge Rosa, foi obrigado a devolver a grana, corrigida. A Confederação de Tênis continua sob investigação do Ministério Público de São Paulo, sobre outras denúncias, mas em processo que está em “segredo de justiça”.

Para saber mais:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2014/07/policia-federal-deve-indiciar-dirigentes-do-taekwondo-por-desvio-e-fraude-de-licitacoes-4558384.html

Na ESPN Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=_XqTn7BX7xk


Tá difícil!
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José Cruz

“A humanidade se divide em dois grupos, os que concordam comigo e os equivocados.''

ariano

Ariano Suassuna

Que ano, heim? Bah!


Para entender o calote do futebol
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José Cruz

“Existem indícios de crime de apropriação indébita, que ocorrem quando a contribuição previdenciária é descontada do empregado e não é recolhida à Previdência. Em cerca de 32 clubes fiscalizados, 25% apresentaram problemas desta natureza”.

 

Os cartolas afirmam que o principal problema para os clubes é a dívida fiscal. Com essa pendência, não recebem dinheiro público, e a coisa fica feia. Por isso, a forma apressada como foi elaborado o projeto de lei que parcela em 300 meses o calote fiscal de R$ 4 bilhões. Os deputados-cartolas até tentaram aprová-lo logo, sem sucesso. O assunto foi parar na mesa de Dilma, provocado pelo Bom Senso F.C.

Pior:

O tal projeto permite reduzir em até 50% o valor das primeiras 36 prestações mensais, jogando o saldo, os outros 50%, para o fim da fila, isto é, depois dos 300 meses ou 25 anos…

E é com o clube devedor – ou caloteiro, como mostrarei adiante – que a presidente Dilma se reunirá, em breve. O diálogo é próprio da democracia, tem que conversar, e estamos em campanha eleitoral, futebol tem apelo, etc e tal. Até porque, a dívida não foi feita por muitos dos que hoje dirigem o futebol. Os de agora querem acertar! E juram que vão honrar o acordo!

Além disso, a proposta que está no projeto de lei empacou no Ministério da Fazenda, que não concorda com (imagine!) a redução dos juros da dívida, que é de lei!. E aí, quem vai desatar o nó é a dona da chave do cofre.

Registro histórico

“A Previdência Social tem dedicado atenção especial ao aperfeiçoamento da fiscalização e da arrecadação das contribuições dos clubes de futebol profissional. Neste setor, a sonegação e a inadimplência são problemas generalizados. A maioria dos clubes não possui patrimônio próprio e, além disso, os responsáveis pela administração têm mandato temporário. Por serem constituídos como associações, seus dirigentes não respondem pessoalmente pelas dívidas dos clubes, tornando-se o recolhimento da contribuição devida à Previdência uma obrigação secundária”.

Isso foi escrito em 2000, há 14 anos, no “Informe nº 10” do Ministério da Previdência. Documento oficial!

Estarrecedor

Será que isso também vai “estarrecer” a presidente Dilma?

Apesar de serem significativamente beneficiados pela legislação em relação às demais empresas, os clubes de futebol, sem qualquer justificativa, constantemente valem-se de vários artifícios para reduzir a base de incidência de sua contribuição, inclusive mediante a prática de ilícitos como sonegação fiscal, evasão de renda dos espetáculos desportivos e fraudes”.

Isso está no mesmo artigo oficial “daquele tempo, 14 anos …”

Finalmente:

Existem indícios de crime de apropriação indébita, que ocorrem quando a contribuição previdenciária é descontada do empregado e não é recolhida à Previdência. Em cerca de 32 clubes fiscalizados, 25% apresentaram problemas desta natureza”.

Na prática, muito cartola esperto ficou com o dinheiro que era recolhido do empregado ou jogador. E o ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, disse mais ou menos isso, num depoimento na Câmara, que está gravado:

Todos nós sabemos como essa dívida – os tais R$ 4 bi… – foi criada. A gente recolhia as taxas dos empregados e jogadores e não repassava para o fisco”.

E agora, vai?

O projeto de lei sobre a dívida dos clubes está aqui


Em dia de Dunga, Dilma entra em campo
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José Cruz

Ao receber os atletas do Bom Senso F.C e anunciar que o governo incluirá alterações no projeto de lei sobre a renegociação da dívida fiscal dos clubes, Dilma enfrenta, sim, a poderosa CBF.

Porque, o tal projeto de lei foi elabora e aprovado, inicialmente, por deputados-representantes de José Maria Marin, a partir do idealizador da peça, Vicente Cândido (PT/SP), que é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol. E a CBF agiu, ostensivamente, por seus representantes, na tramitação do projeto. Uma vergonha! Vem briga política por aí, com boa parte da bancada do PT do lado dos cartolas, afrontando o Palácio do Planalto

Claro que não foi nada combinado, mas, à “renovação” da CBF anunciando o retorno de Dunga, o governo respondeu, coincidentemente, com uma proposta mais democrática, o diálogo, para tentar melhorar o nosso cambaleante futebol.

Interferir nos suspeitos negócios do mundo do futebol é uma jogada ousada da presidente Dilma Rousseff, mas está em jogo, também, um calote de R$ 4 bilhões dos clubes aos cofres fiscais.

Ao receber os atletas do Bom Senso F.C e anunciar que o governo incluirá alterações no projeto de lei sobre a renegociação da dívida fiscal dos clubes, Dilma enfrenta, sim, a poderosa CBF. Porque, o tal projeto de lei foi elabora e aprovado, inicialmente, por deputados-representantes de José Maria Marin, a partir do idealizador da peça, Vicente Cândido (PT/SP), que é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol. E a CBF agiu, ostensivamente, por seus representantes, na tramitação do projeto. Uma vergonha! Vem briga política por aí, com boa parte do PT do lado dos cartolas.

Memória

Não lembro de ter visto, no Executivo, ação tão ousada, de qualquer governo democrático, na tentativa de interferir na rotina do futebol, como agora. Vamos ver até quanto o Palácio do Planalto poderá avançar, diante da independência das confederações e limites do próprio Estado de interferir nas instituições privadas.

Mas, com a derrota da Seleção nas nossas barbas, logo na “Copa das Copas”, foi uma mulher que entrou em campo para, primeiro, se “estarrecer''  com as barbaridades do mundo da bola. E, em seguida, colocar a estrutura do governo em campo para tentar dar rumos à gestão do futebol. E, em plena campanha eleitoral, esse diálogo é pra lá de oportuno e simpático…

Mudanças?

Porém, a presidente Dilma está mexendo em questões pontuais, como atraso no pagamento dos jogadores, falta de transparência etc. Mas não toca na origem do problema, que é antigo, viciado, suspeito e corrupto. É dessa mudança que precisamos para o esporte em geral, e não para o futebol, exclusivamente. Não temos uma política de esporte de Governo. E o Plano Decenal do Esporte nunca saiu do papel.

A cada derrota surpreendente altera-se a legislação. Mas, governos afins, neste, inclusive, não definiram o que se quer com o a prática esportiva em todas suas manifestações.

Mais: o que compete ao Estado (o principal doador financeiro), aos estados e municípios? Qual a fronteira entre o Ministério do Esporte, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e as confederações?

Nosso atraso é tão grande que o gestor do “desporto escolar” é o COB, responsável pelo alto rendimento. E isso há mais de 10 anos, sem qualquer ação do  Conselho Nacional de Esporte. A propósito, esse “Conselho” é chapa branca, apenas de concordância. Por isso, dispensável.

Mas, a bola da vez é a do futebol, e as “novidades” são Dunga e Dilma no campo de jogo.

Agora vai!


Dilma dá sinal verde para mudanças na gestão do futebol
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José Cruz

Está nas mãos dos advogados do Palácio do Planalto a melhor forma de encaminhar mudanças na gestão do futebol, se por projeto de lei ou medida provisória. O encaminhamento à área jurídica foi feito pela presidente Dilma Rousseff, depois de se reunir por três horas com representantes do Bom Senso F.C. e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, hoje à tarde, em Brasília.

Três pontos básicos foram debatidos: a responsabilidade fiscal dos dirigentes de clubes, a democratização da gestão esportiva e a elaboração de um “plano nacional de desenvolvimento do futebol”.

A reunião, no Palácio do Planalto, teve como documento básico de discussão o projeto de lei que está para ser votado na Câmara dos Deputados, com normas para a renegociação da dívida fiscal dos clubes e compromisso que deverão ser assumidos pelos clubes.

“Em princípio, concordamos que serão necessárias mais responsabilidades dos dirigentes, além das que estão no projeto de lei”, disse Enrico Ambrogini, diretor de Planejamento e Marketing do Bom Senso FC. “A presidente acenou com a possibilidade de sancionar o projeto de lei, desde que incluídas cláusulas que representem maior responsabilidade dos dirigentes”.

Os advogados vão estudar a legislação para saber até onde o Governo pode avançar para promover as mudanças. Assim que as propostas estiverem concluídas, a presidente voltará a se reunir com os dirigentes do Bom Senso FC.

O projeto de lei que está em votação na Câmara prevê o parcelamento em 300 meses da dívida fiscal dos clubes, atualmente estimada em R$ 4 bilhões. Segundo o projeto, relatado pelo deputado Otávio Leite (PSDB/RJ), os clubes terão que apresentar, a cada início de temporada, a Certidão Negativa de Débitos (CND) emitida pelos órgãos fiscais (INSS, Receita Federal etc). O clube que não tiver essas certidões cairá automaticamente para a divisão seguinte do Campeonato Brasileiro.

Atualizado às 22h