Blog do José Cruz

CGU mostra primeiras provas de corrupção que Orlando Silva pedia

José Cruz

Quando foi demitido do Ministério do Esporte, em outubro, por não ter, entre outros compromissos, fiscalizado o dinheiro que liberava, o ex-ministro se disse “injustiçado”.  Pedia “provas” de fraudes na sua pasta.

Agora, cinco meses depois da demissão, as provas estão surgindo.

A Controladoria-Geral da União (CGU) divulga as entidades que receberam dinheiro federal e desviaram a grana.  Entre elas, oito, por enquanto, conveniadas do Ministério do Esporte. Total do calote esportivo: R$ 7,2 milhões. Serão realizadas tomadas de contas especiais para saber o destino do dinheiro público.

Dos R$ 7,2 milhões, R$ R$ 3,1 milhões foram para apenas uma entidade, o Instituto Contato, de Florianópolis. Atenção!

Memória

Até aqui, isso não é nem a ponta o iceberg do volume de irregularidades que foram praticadas na gestão Orlando Silva. E o atual ministro, Aldo Rebelo, chegou à pasta com essa missão: limpar a área.

Nessa lista do CGU não consta, por exemplo, o convênio de R$ 5 milhões do Ministério do Esporte com a Federação Paulista de Xadrez, denunciado neste blog, em 2010.

O dinheiro seria para projetos do Segundo Tempo, mas até a Polícia Federal precisou entrar em campo para investigar, a pedido da procuradora federal Heloisa Maria Fontes Barreto, de Piracicaba (SP).

Instituto Cidade

E tem o caso do Instituto Cidade, de Juiz de Fora (MG), que deveria desenvolver o projeto Pintando a Cidadania, mas o dinheiro também desapareceu e até a Polícia Federal foi chamada para tentar achar o rumo da corrupção.

Um dos casos mais rumorosos que envolve ONGs – ainda não foi liberado pela CGU – é o que aproxima ex-ministro do Esporte, e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, ao policial João Dias. À época, Orlando Silva era secretário executivo do Ministério, imediato de Agnelo. A confusão envolve desvios de R$ 3 milhões.

Provas

Depois que foram exibidos vídeos do ex-governador do Distrito Federal, Roberto Arruda, recebendo grana por baixo dos panos, provas de corrupção passaram a ter a imagem como referência.

Foi nisso que o ex-ministro Orlando Silva se baseou para dizer que a pasta que dirigia era transparente, pois faltavam “imagens”.

Porém, o corrupto público se identifica, também, pela omissão. E no caso do Ministério do Esporte isso é farto. O Segundo Tempo não tinha controle do dinheiro que liberava, faltava fiscalização.

Ranking

Não é novidade: a corrupção no Brasil é fartíssima. Estamos em 73º lugar num ranking de 183 nações. Os casos são tão freqüentes –  e cada um maior que o anterior –  que acabamos nos esquecendo da história recente de vários escândalos.

Porém, no caso do esporte, esse assunto não sairá da pauta deste blog.

Espero que os órgãos de fiscalizam consigam demonstrar, ao final das investigações, como o dinheiro público financia espertos de ocasião, inexperientes gestores e candidatos políticos que usam a máquina federal em benefício próprio.

A lista da CGU das entidades sob investigação está aqui