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O negócio do esporte
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José Cruz

Resposta de Oscar Brandão, do vôlei de praia, ao “Esporte Essencial”

 Para você, qual o maior desafio do vôlei de praia?

0scar brandao  O maior desafio, para todo atleta, não só para mim, é a parte de patrocínio. Realmente é muito complicado. Para ser um atleta hoje no Brasil, você tem que gostar muito do que faz e ser muito dedicado. Realmente o Brasil não dá a estrutura para você ser um atleta de elite. São poucos os que têm patrocínio e conseguem ficar tranquilos financeiramente. No vôlei de praia, por exemplo, são muitos gastos. Um atleta que está começando, acaba se complicando. Porque ele paga estrutura para treinar, viagens, alimentação, suplementação… Enfim, é bem complicado.

Investimentos

Essa manifestação é de Oscar Brandão, parceiro de Thiago, no vôlei de praia. A dupla conquistou um sul-americano e dois quintos lugares em campeonatos mundiais.  Se para esses falta “estrutura”, “apoio”, “patrocínio”, imagine a situação de quem está mais abaixo, iniciando. 

O desabafo de Oscar é um reforço para a necessidade de se repensar sobre os limites do Estado no esporte de alto rendimento e o patrocínio público, estatal.  Para quem não recorda, o governo federal aplicou R$ 6 bilhões só na preparação das equipes de todas as modalidades, no penúltimo ciclo olímpico (2008/2012).

Enquanto isso…

…temos atletas de ponta com patrocínios de várias empresas, bolsas de estatais, verba da Lei de Incentivo ao Esporte, Bolsa Atleta, bolsa do seu estado de origem e ainda estão no quadro das Forças Armadas, com salário.

E é em nomes, prestígios e resultados desses atletas que os presidentes de confederações recebem verbas da Lei de Incentivo, da Lei Piva, de convênio do Ministério do Esporte e patrocínios das estatais. É muita grana! Sem controle!

A manifestação de Oscar Brandão é o ingrediente da miséria diante da fartura, sem exageros ou dramas. É a realidade em todas as modalidades. Todas! Fartura que pode ser comprovada com facilidade!

O negócio do esporte

Mas não se pode ignorar que o vôlei de praia, como o tênis, a natação, o judô,o atletismo, o basquete, e por aí vai, tornaram-se negócios, business. Os torneios internacionais pagam prêmios valiosos. No tênis, nossos atletas de ponta chegam a acumular US$ 400 mil por ano. E qual o limite da participação do Estado para o esporte desse nível, diante das carências do desporto escolar?

Essa é a discussão que não temos, nem no Ministério do Esporte, reconhecidamente preocupado com a elite, porque resultados se transformam em votos valiosos para o ministro de plantão.

A entrevista completa de Oscar Brandão ao Esporte Essencial está aqui


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