Blog do José Cruz

Arquivo : outubro 2015

Jogos Mundiais Indígenas, sinais de muita fumaça…
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José Cruz

“A desorganização aqui tá geral e a Prefeitura e o Comitê Intertribal já estão em conflito. Ontem (domingo) mandaram embora um dos membros do Comitê porque ele reclamou da Prefeitura (de Palmas) abertamente, na nossa frente (voluntários)”    

Indios

O relato é de um voluntário do Norte do país, que está em Palmas para trabalhar na primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. O evento começa na sexta-feira, com 2.200 indígenas de 40 países e estimativa de gastos em torno de R$ 100 milhões, segundo o secretário extraordinário dos Jogos Indígenas da Prefeitura de Palmas, Hector Franco.

Desabafos

“… A Prefeitura, que ficou responsável pela gestão dos recursos do Ministério do Esporte, para aplicar na infraestrutura, inclusive para os voluntários, colocou a gente num camping que não dava pra dormir: muito calor, sem árvore nenhuma e em cima de asfalto… E sem água nos banheiros. Fora a alimentação que é só uma. Eles disseram que se a gente quisesse mais de uma refeição a gente tinha que trabalhar em mais de um turno. Difícil, né?”

“Tem gente que veio trabalhar sem ter como bancar as refeições. Estamos tentando que eles (a organização) disponibilizem café da manhã”, continua a mensagem do voluntário, que pediu para preservar a identidade. Em novembro de 2014 a Prefeitura de Palmas recebeu R$ 4 milhões do Ministério do Esporte

Dúvidas

Na semana passada, o senador Álvaro Dias solicitou informações ao Ministério do Esporte sobre a licitação para as obras de estrutura dos Jogos, pois as suspeitas são de que o processo tenha sido direcionado.

Desistências

Segundo a BBC Brasil, as etnias Apinajé e Krahô, do Tocantins, não aceitaram o convite para disputar os Jogos. “Não é o momento de festejar”, disseram, argumentando demoras na demarcação de terras, conflitos com fazendeiros, invasões de territórios etc. O governo quer de usar os Jogos para desviar o foco desses problemas”, afirmaram.

Custos

O secretário Hector Franco estima que do total investido nos Jogos (R$ 100 milhões) entre R$30 milhões e R$35 milhões vieram de patrocínios de empresas como Odebrecht Ambiental, Oi, EHL e Energisa. A Prrefeitura de Palmas participou com R$ 4 milhões, e o Ministério dos Esportes repassou R$ 4,3 milhões para a prefeitura e mais US$13 milhões (R$50 milhões) para o PNDUD, órgão da ONU, que participou do projeto e parte de sua execução.


Brasil na Série B: o time das missões impossíveis
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José Cruz

 XavantteAlguém duvida que em outubro de 2016, a Torcida Xavante faça novo carnaval para festejar a classificação à Série A do Campeonato Brasileiro?

Em Brasília, ponto de partida

Nos piores momentos, o Brasil é capaz de missões impossíveis! É quando entra em campo a já tradicional “garra Xavante”. Há um ano, em 19 de outubro, o time “Xavante”, de Pelotas/RS, eliminou o Brasiliense, na capital da República, classificando-se para a Série C do Campeonato Brasileiro deste ano. Ontem, já pelas quartas-de-final, segurou um sofrido empate contra o Fortaleza (0 x 0), diante de 62 mil torcedores que lotaram a Arena Castelão, e garantiu uma das quatro vagas na Série B do próximo Brasileirão.

Comandantes

Técnico do time há três anos, Rogério Zimmermann é o grande comandante da campanha Xavante. Mas o responsável pelo empate em Fortaleza foi o goleiro Eduardo Martini, revelado no Grêmio, com quatro sensacionais defesas, que garantiram  a classificação.

Depoimento Xavante

“O Brasil, minha gente, foi terceiro colocado no Campeonato Brasileiro de 1985 – e ninguém explica até hoje porque não foi mantido na Série A. O Brasil ganhou do Uruguai, campeão do mundo de 1950, em pleno Estádio Centenário! Ele é de Pelotas, sim; pode ser de Pelotas, mas está em cada cidade do Rio Grande e do Brasil onde bate um coração xavante”

Do consagrado jornalista e escritor gaúcho, Aldir Garcia Schlee, criador da “Camisa Canarinho”, adotada pela Seleção Brasileira em 1954, em depoimento ao jornal gaúcho Zero Hora

Vagas

Na outra semifinal da Série C, o Vila Nova-GO derrotou a Portuguesa por 2×1, e também garantiu vaga na Série B de 2016, pois venceu a primeira partida por 1 x 0. As outras duas vagas estão sendo disputadas por Londrina-PR x Confiança-SE (0x0 no primeiro jogo), hoje;  Asa-AL x Tupi-MG (0x2) jogarão amanhã.

Enquanto isso…

Coritiba, Goiás, Vasco e Joinville, brigam para não cair para a Série B…

Memória

… faz 142 dias  que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso na Suíça.

… faz 117 dias do lançamento da primeira de cinco pesquisas do Diagnóstico do Esporte. E as outras?


J.Hawilla detona cartolas e explica como ocorria a corrupção na CBF
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José Cruz

Confirma-se a tese de que o principal patrimônio esportivo-cultural do país, a Seleção Brasileira, é valioso produto para subornos, enriquecimentos ilícitos, evasão de divisas e sonegação fiscal. A cada negócio tendo a camisa Canarinho como disfarce, cartolas e empresário aplicavam no fisco um desmoralizante “drible da vaca”

É devastador o depoimento de J. Hawilla à Justiça dos Estados Unidos, sobre as relações comerciais de sua empresa, a Traficc, com a CBF, em mais um capítulo que revela, lá fora, o submundo do futebol, aqui dentro. À transcrição do depoimento, em dezembro de 2014, o jornalista Jamil Chade teve acesso, e publicou detalhes na edição de hoje de O Estado de São Paulo.

Para driblar a “democrática” concorrência entre empresas e conquistar direitos sobre um determinado evento de futebol, J.Hawilla tinha um recurso simples: pagava  “propina” a Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo del Nero. Fez isso desde 1991!

Salve-se quem puder

O depoimento de J.Hawilla – que devolverá R$ 575 milhões para ficar livre da cadeia – reforça o desmonte da máfia de cartolas que tinha a CBF como carro-chefe.

Agora mesmo que Del Nero não sai mais do país, e está explicado o porquê de Ricardo Teixeira ter deixado os Estados Unidos, onde morava, para voltar a viver no Rio de Janeiro: aqui, a possibilidade de continuar impune e longe da cadeia e real.

Enquanto isso…

… Marin que se lixe!


Nove anos depois, governo investiga prestação de contas do Segundo Tempo
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José Cruz

Pelo Diário Oficial da União, hoje, o Ministério do Esporte pede que a senhora Rosa Malvina da Silva, “em local incerto e não sabido”, se apresente, até 5 de novembro próximo, para explicar sobre “inconsistências apuradas na prestação de contas do Convênio 317/2006”, celebrado com a ONG Bola pra Frente, no interior de São Paulo.  Nove anos depois da liberação da grana?

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O convênio 317/2006 liberou R$ 987 mil para o programa Segundo Tempo, em Jaguariúna e outros quatro municípios paulistas. Investigações oficiais mostraram que em alguns municípios onde a ONG afirmava ter 6.500 crianças foram encontradas apenas 1.500…  Ação do Ministério Público de São Paulo estimou prejuízos gerais do Segundo Tempor em torno de R$ 13 milhões, só nesse estado.

O programa

“Segundo Tempo” surgiu com o ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, que se enrolou num processo de R$ 2,5 milhões, até hoje sem explicações convincentes. E “Bola pra Frente” era uma ONG dirigida por Karina, ex-jogadora de basquete, coincidentemente do PCdoB, partido dos ex-ministros Agnelo, Orlando Silva e Aldo Rebelo.

As denúncias de irregularidades no Segundo Tempo cresceram quando Orlando Silva substituiu Agnelo, em 2006. Em 2008, Orlando liberou R$ 8,5 milhões ao Bola pra Frente, de Karina (foto), para atender “18 mil crianças”. Em dezembro de 2010, novo convênio, de R$ 12 milhões, cuja liberação não foi totalmente concretizada. Mas, diante das denúncias de corrupção, a presidente Dilma Rousseff acabou demitindo Orlando Silva, em outubro de 2011. Orlando entrou em campanha e, em 2014, elegeu-se deputado federal por São Paulo, o estado mais beneficiado por verbas do Segundo Tempo.

Corrupção

A convocação da senhora Rosa Malvina da Silva, uma década depois de executar projetos com verbas públicas, comprova: o Ministério do Esporte não tem estrutura para fiscalizar as milhares de prestações de contas de convênios. Esta realidade já foi comprovada pelo Tribunal de Contas da União que alertou, inclusive, para “riscos de corrupção”.

O mesmo ocorre com os convênios da Lei de Incentivo ao Esporte. Atualmente, uma auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) tenta desatar o nó de um processo que aprovou R$ 6,5 milhões para um show de hipismo em São Paulo. Em 2009!

Para saber mais

http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2013/01/policia-federal-identifica-fraudes-no-segundo-tempo-nove-sao-indiciados/

Memória

… faz 139 dias  que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso na Suíça.

… faz 114 dias do lançamento da primeira de cinco pesquisas do Diagnóstico do Esporte. E as outras?


Atletas recebem Bolsas de até quatro fontes de verbas públicas
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José Cruz

A proliferação de programas contempla milhares de atletas com Bolsas de até quatro fontes de verbas públicas: do município, do estado, do Ministério do Esporte e da empresa estatal patrocinadora da modalidade esportiva

Depois do Distrito Federal, em 1999, e do Ministério do Esporte, em 2004, a concessão de bolsas ganhou impulso. Hoje, são nove estados praticando o programa, cada um com seus critérios e valores:  Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e Santa Catarina.

Além disso, alguns municípios reforçam estes investimentos públicos no esporte, como Manaus (AM), Erechim (RS), Blumenau (SC) e Campos (RJ). O levantamento é da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal.

Manaus tem o programa mais em conta, pois a Bolsa mensal é de R$ 4 mil para todas as categorias, escolar, estadual, nacional, internacional e olímpica/paralímpica.  Já em Santa Catarina, a bolsa olímpica/paralímpica é de R$6.304,00/mês.

Fartura

Em muitos casos, a Bolsa é “apenas” uma parcela de outros ganhos públicos, como ocorre com os atletas acolhidos pelas Forças Armadas, que também recebem patrocínios de estatais (Caixa, Petrobras, Banco do Brasil, Infraero, BNDES e Correios).

Outros bolsistas do governo federal recebem valiosas premiações em dólares – comparadas com a realidade brasileira e com os baixos valores (R$ 370,oo)  destinados aos que estão em início de carreira. E o caso dos tenistas Marcelo Melo, terceiro do mundo em duplas, Thomaz Bellucci (34º em simples) e Teliana Pereira (46ª em simples), todos já contemplados com a  “Bolsa Correios”, cujo valor não é revelado.

Marcelo Melo já faturou US$ 585 mil (R$ 2,3 milhões) este ano. Bellucci, US$ 670 mil (R$ 2,6 milhões), e Teliana já foi premiada com US$ 314 mil (R$ 1,2 milhão). Os valores estão nas respectivas páginas das associações internacionais de tênis. É preciso registrar que, até se destacar no ranking internacional, a partir de 2014, Teliana não tinha apoio financeiro oficial, nem da Confederação Brasileira de Tênis.

 


Esporte também quer “porteira fechada”, para ministro nomear apadrinhados
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José Cruz

Dez meses depois de dividir diretorias e cargos funcionais com o PCdoB, o Partido Republicano Brasileiro, do ministro George Hilton, quer “porteira fechada” no Ministério do Esporte.

Em política, “porteira fechada” é o preenchimento de todos os cargos com nomes do partido do titular da pasta, como ocorre com o PMDB na Saúde, Agricultura, nas Minas e Energia etc.

E daí?

No Esporte, isso significaria o afastamento de servidores ligados a outros partidos, como o atual secretário-geral, Ricardo Leyser (foto), remanescentes do PCdoB, do tempo dos ministros Aldo Rebelo, Orlando Silva e Agnelo Queiroz, o primeiro e trágico. O cargo de secretário-geral tem status, pois é o substituto imediato do ministro. Como explicar aos fiéis e correligionários que, na ausência do ministro, da Igreja Universal, responde um comunista do histórico PCdoB? Pois o esporte está metido, também, nessa disputa!Ricardo_Leyser

Leyser já foi o Secretário Nacional de Alto Rendimento. Ganhou a Secretaria Executiva por imposição do Palácio do Planalto, no início do segundo governo de Dilma Rousseff, quando o deputado George Hilton foi nomeado ministro. Sem conhecer nada sobre esporte e sem quadros para o cargo, Hilton precisava de alguém com experiência para concluir o projeto Jogos Rio 2016. Leyser cumpre esta missão há anos e, agora, está na iminência de ser detonado da poltrona.

Exigência

Segundo um político, com trânsito no Palácio do Planalto, a exigência de “porteira fechada” foi encaminhada ao secretário-geral e articulador político da Presidência da República, Ricardo Berzoini, com o seguinte argumento: o PCdoB é fraco, numericamente. Tem apenas onze deputados federais, depois da saída do gaúcho João Derly, que foi para a Rede. Já o PRB tem 20 parlamentares. Esta diferença é significativa na hora do voto em plenário. E como o governo precisa de apoios …

Mas, quem iria para o lugar de Ricardo Leyser, que domina a liberação de convênios milionários e tem boas relações com as autoridades dos Jogos Olímpicos? Um leigo amigo do partido ou fiel da Igreja Universal, braço forte do PRB?

Risco

A prática tem demonstrado que o estilo “porteira fechada” facilita os partidos a tratarem os ministérios como propriedades particulares. Lembram do Pan 2007, com dezenas de obras sem licitações?

O interesse dos apadrinhados, de olho nos cargos, são os projetos milionários, os pedidos de amigos, as licitações suspeitas, as execuções orçamentárias fraudadas, as relações com empresas de fachada e por aí vai. E como todos os partidos rezam na mesma bíblia, todas as falcatruas ficam em casa, até a chegada da Polícia Federal, já rotineira em ações junto a órgãos do governo.

Sem exageros, “porteira fechada” é o ponto de partida para escândalos, principalmente quando o Esporte está sob o comando maior de leigos no setor e oportunistas políticos.

O que diz o Conselho Nacional do Esporte sobre isso?


Corrupção na Fifa: para entender o escândalo anunciado
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José Cruz

“A distribuição de dinheiro e a troca de favores são o lubrificante dos 14 anos de Blatter à frente da Fifa, o que levou a entidade a uma espiral de escândalos e ao descrédito mundial. Pode ser que a sua prática de “molhar a mão”de todo mundo não funcione por muito mais tempo”.

Esportes - Andrew Jennings - autor do livro Jogo Sujo - Livraria Cultura do Shopping Bourbon - São Paulo SP - 05/07/2011 - Foto Fernando Dantas/Gazeta Press

…”No final de janeiro de 2011, o presidente da Confederação Asiática de Futebol, Mohame Bin Hammam, anunciou que Blatter devia abdicar do poder. Três dias depois, Blatter contra-atacou  com mais dinheiro – mais 300 mil dólares para cada associação e federação nacional. Ainda não estava claro o que os dirigentes fariam com essa dinheirama”.

 

Trechos de “Jogo Sujo – o mundo secreto da Fifa” – de Andrew Jennings, o jornalista que detonou o maior escândalo de corrupção na história do futebol mundial.

 

 


As injustiças da Bolsa Atleta
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José Cruz

No contexto geral do esporte precisa-se questionar, insistentemente: compete ao Estado financiar o alto rendimento, que se tornou negócio milionário? Ou o Estado deve cumprir o artigo 217 da Constituição, que determina aplicar verbas públicas “prioritariamente” no desporto escolar?

Com o sexto lugar na marcha do Campeonato Mundial de Atletismo, em agosto, os brasileiros Caio Bonfim e Érica Sena (foto) credenciaram-se a receber a Bolsa Pódio, do Governo Federal, programa que tem orçamento de R$ 133 milhões, este ano.   caio bonfimPorém, a dupla poderá se candidatar ao benefício só no ano que vem. E receberá a primeira parcela pelo feito de agora, depois dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Este estranho calendário, que usa resultados do ano anterior para benefícios atuais, é praticada há 10 anos pelo Ministério do Esporte, que resiste fazer correções no programa da Bolsa Atleta, a fim de evitar certos prejuízos aos beneficiados.

Debate

Participei de um debate sobre este tema na Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado Federal, na quinta-feira, com os senadores Romário (PSB/RJ) e Donizeti Nogueira (PT/TO), com o coordenador da Bolsa Atleta do ministério do Esporte, Mosiah Rodrigues, João Sena, treinador de marcha, e o atleta paralímpico, Luciano Reinaldo Rezende, do tiro com arco.

Apesar dos apelos dos senadores, na tentativa de corrigir o injusto critério, será difícil mudanças na legislação, regulada por lei, decreto, portaria e resoluções, para efeito imediato. Estes processos na administração pública são burocráticos e dependem, principalmente, da disponibilidade financeira, e ainda precisam passar pela aprovação do Conselho Nacional do Esporte, que se reúne apenas uma vez a cada semestre.

Enquanto isso…

… dos 27 competidores que recebem a Bolsa Pódio (até R$ 15 mil/mês), só dois chegam às finais no Campeonato Mundial de Atletismo deste ano …

… Mauren Maggi, ouro olímpico no salto em distância, 2008, anunciou que estava encerrando carreira, tornou-se comentarista de uma emissora de TV e continua recebendo Bolsa Atleta…

… o tenista Marcelo Mello, terceiro do ranking mundial, em duplas, já faturou, este ano, R$ 2,3 milhões em prêmios. Mesmo com esse desempenho profissional, recebe Bolsa Atleta de R$ 11 mil mensais e patrocínio (não revelado) dos Correios, patrocinador da Confederação Brasileira de Tênis.

Deve-se reconhecer que essas concessões são “legais”, ninguém está burlando a legislação. Mas demonstram que há distorçoes na lei, que precisam ser corrigidas urgentemente.

Origem e realidade

Quando foi criada, há dez anos, a Bolsa Atleta tinha o objetivo de beneficiar diretamente o atleta, que não via a cor do dinheiro de outras fontes financeiras do governo federal.

Com o passar do tempo, os patrocínios das estatais, principalmente, tornaram-se fartos, outras fontes surgiram. Atualmente, a Bolsa Atleta é mais uma parcela para os que já ganham muito, pois as provas internacionais oferecem, na maioria, expressivos prêmios em dinheiro. Enquanto os atletas que estão no início, na base, ou em evolução na carreira, têm rendimentos inexpressivos (R$ 370,00 mensais), comparados aos expoentes que faturam milhões, como no tênis, natação, canoagem, judô etc.

Na memória 

… faz 133 dias  que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso na Suíça.

… faz 105 dias do lançamento da primeira de cinco pesquisas do Diagnóstico do Esporte. E as outras?

… faz um ano e dois meses do final da Copa 2014, que teve R$ 1 bi de isenção fiscal. E o balanço financeiro do Comitê Organizador?

 


O que o governo reserva para o esporte depois dos Jogos Rio 2016?
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José Cruz

O final dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos coincidirá com o último trimestre do ano econômico de 2016. Será um ano difícil, com previsão de déficit de R$ 30 bilhões no Orçamento da União

Com a economia capenga, o que será da manutenção e conservação dos modernos centros de treinamentos criados pelo Ministério do Esporte, muitos em universidades e outras instituições federais, dependentes de verbas públicas, justamente o recurso financeiro que o governo quer restringir?  dinheiroesporte

É possível que o orçamento do Ministério do Esporte em 2016 se limite aos compromissos da reta final da preparação aos Jogos, sem prejuízo para a Bolsa Atleta.  Da mesma forma, as estatais continuarão com seus patrocínios, pois o megaevento do Rio sugere aumentar apoios e, principalmente, a visibilidade das marcas.

E 2017?

O orçamento federal e os estaduais do esporte crescerão, diante das dificuldades da economia e da necessidade de redução dos gastos públicos? A Bolsa Atleta contemplará 6.600 competidores, como agora,  com “ajudas” de até R$ 15 mil mensais? As Forças Armadas, dependentes das verbas federais, exclusivamente, manterão os atuais 700 atletas-militares nas fileiras do Exército, Marinha e Aeronáutica? A Lei de Incentivo continuará com a generosa liberação de R$ 400 milhões/ano?

Lei Piva

Certeza, mesmo, é que a “velha” e idolatrada Lei Piva, surgida em 2001, não sofrerá alteração. Será?

Na memória 

… faz 131 dias  que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso na Suíça.

… faz 103 dias do lançamento da primeira de cinco pesquisas do Diagnóstico do Esporte. E as outras?

… faz um ano e dois meses do final da Copa 2014, que teve R$ 1 bi de isenção fiscal. E o balanço financeiro do Comitê Organizador?

 

A ilustração deste artigo foi publicada originalmente neste endereço:

http://educandoseubolso.blog.br/2015/08/28/atividade-fisica-educacao-financeira-e-voce-o-que-isso-tem-a-ver/


Atletismo do Rio no desprezo, mas governo aplica R$ 70 milhões em pistas
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José Cruz

A recente reportagem produzida pela emissora oficial dos Jogos Rio 2016 renova sobre mazelas do esporte-base das competições, o atletismo. O desprezo relatado sugere que das autoridades políticas e esportivas venha um “lixem-se os atletas”.

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Ministério do Esporte, Comitê Olímpico do Brasil, Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro estão no rol desta irresponsabilidade de tamanho olímpico

A já histórica falta de pistas de atletismo para treinamentos, no Rio, demonstra como a “Cidade Maravilhosa” prepara-se para a festa dos Jogos, enquanto oficialmente despreza o “legado” humano e a formação de novas gerações de competidores.

Enquanto isso…

… o Ministério do Esporte inaugura 15 luxuosas pistas, Brasil afora, com investimentos de R$ 71 milhões. E quem fará a manutenção desses gigantes, já a partir do ano que vem, diante da crise na economia que bate em cortes no Orçamento da União, universidades e entidades públicas de todo país?

Confira a reportagem de Luciana Ávila.

Foto: http://www.vascainosunidos.com.br/2015/06/prefeitura-interdita-pista-do-engenhao-e-deixa-100-atletas-sem-local-de-treino/

NA MEMÓRIA

… faz 131 dias  que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso na Suíça.

… faz 103 dias do lançamento da primeira de cinco pesquisas do Diagnóstico do Esporte. E as outras?

… faz um ano e dois meses do final da Copa 2014, que teve R$ 1 bi de isenção fiscal. E o balanço financeiro do Comitê Organizador?