Blog do José Cruz

Arquivo : outubro 2013

Esportes olímpicos sob graves suspeitas de corrupção
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José Cruz

Depois de denúncias de irregularidades financeiras nas confederações de Tênis, Taekwondo e Ginástica,  todas envolvendo uma bolada de dinheiro público, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) volta ao noticiário esportivo-policial. Porque, quem já deu calote em banco, como a CBB é, de fato, caso de polícia.

A situação é tão grave que a Eletrobras suspendeu patrocínio ao basquete, como revela em detalhes o companheiro Fábio Balassiano, em seu blog. Confira lá.

 

Ginástica

Esta semana, a Folha de S.Paulo também divulgou que a Confederação de Ginástica registrou “falhas graves, entre elas atraso em pagamento de anuidade à federação internacional da modalidade e falta de uma administração profissional”.

Depois dos problemas no laboratório de combate à dopagem, Ladetec, que foi descredenciado pela Agência Mundial Antidoping, agora uma instituição olímpica dá calote na entidade internacional à qual está subordinada.

É preciso lembrar que a Confederação de Ginástica tem patrocínio da Caixa Econômica. Estará a gerência de Marketing da Caixa agindo com o mesmo rigor da Eletrobrás,  na fiscalização dos gastos de sua parceira, agora também suspeita de irregularidades com dinheiro público?

Leia os detalhes dessa reportagem

Tênis

Já o presidente da CBT (Confederação de Tênis), Jorge Rosa, foi investigado pela Polícia Federal e responde a processo, em segredo de Justiça, em São Paulo.

Rosa apresentou notas frias na prestação de contas de R$ 600 mil ao Ministério do Esporte, além de ter usado duas contas de laranjas para movimentar a grana da entidade que dirige.

E vem mais, porque no ano passado o Ministério do Esporte entregou R$ 2.018.000,00 – isso mesmo, dois milhões de reais – para a CBT, que já estava sob investigação, para realizar “treinamento multidisciplinar aos Jogos Rio 2016”.

Foi uma execução tão desastrosa, sem contemplar o total de atletas previstos, que o Ministério do Esporte não renovou a parceria.

Taekwondo

Recentemente, os companheiros da ESPN produziram um programa com manifestações de técnicos, atletas e dirigentes denunciando gestão financeira suspeita na CBTk (Confederação Brasileira de Taekwondo).

O vídeo sobre essas denúncias está aqui:

O que diz o COB

As denúncias sobre a CBTk são  graves e consultei o COB sobre o assunto. A resposta foi a seguinte:

O Comitê Olímpico Brasileiro, após receber grupo de Dirigentes e Atletas praticantes de Taekwondo, estudou detalhadamente as questões que lhe foram apresentadas e concluiu não ser cabível a criação de uma “Comissão Especial Temporária”, como anteriormente anunciado através de “Nota à Imprensa” divulgada em 21 de junho, tendo em vista se tratar de divergências entre a Confederação Brasileira de Taekwondo e algumas de suas filiadas. O Comitê Olímpico Brasileiro informa que, dentro dos estritos limites de sua competência, continuará verificando a correta aplicação dos recursos repassados à Confederação Brasileira de Taekwondo e acompanhará eventuais demandas, judiciais e / ou administrativas, que possam estar relacionadas com a referida Entidade, de modo a, se necessário, adotar as providências cabíveis.”

Enfim, são muitas fontes de recursos públicos (sete estatais, orçamento federal, Lei de Incentivo, Lei Piva, Bolsa Atleta),  e o Ministério do Esporte não tem estrutura para acompanhar a execução de centenas de convênios nem fiscalizar com rapidez as prestações de contas.

Já o COB fiscaliza especificamente a aplicação dos recursos da Lei Piva, por ele administrada. Mas não pode fechar os olhos às denúncias de suas filiadas, que são várias e de longa data.


Futebol: da segurança do torcedor à valorização dos jogos
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José Cruz

No momento em que os atletas debatem com a CBF sobre modificações no calendário de futebol, o advogado gaúcho, Luiz Augusto Beck da Silva, estudioso da legislação esportiva, em especial o Estatuto do Torcedor, apresenta sugestões  que visam dar maior segurança aos torcedor nos estádios, assim como medidas para a maior valorização das competições.

Autor do livro “Comentários ao Estatuto do Torcedor” (Fábrica de Livros – SENAI-RJ, Xerox, Funguten), o advogado trata de assuntos atuais que motivam bom debate, complementando comentários e sugestões aqui apresentadas esta semana pelos colaboradores Lindberg Júnior e Cássio Cruz.

 

Por Luiz Augusto Beck da Silva

Sobre a evacuação do público dos estádios

Se nos afigura incompreensível a sistemática, medida e/ou providência adotada pela Brigada Militar e/ou polícias encarregadas do policiamento nos estádios ordenando que primeiro saia a torcida em expressivo maior número do dono da casa (10, 20, 30, 40 mil torcedores) para, somente depois, permitir a saída de um pequeno contingente da torcida visitante representado por 1.500, 2.000, 5.000 torcedores. Não raro, estes, sobretudo se o resultado do campo de jogo foi desfavorável ao dono da casa, são esperados e agredidos, por vezes de tocaia, já fora das dependências do estádio.

O valor do gol

Por outro lado, sendo o gol o ápice da emoção, a busca, o objetivo maior com vistas à conquista da vitória, é incompreensível que um resultado de 1×0 ou 2×1 venha a ter a mesma valoração de um 3×0 ou 4×1, por exemplo. Assim, o empate teria um ponto contabilizado para ambas as equipes; vitória por um ou dois gols de diferença valeriam dois pontos e vitória por três ou mais gols de diferença somariam três pontos.

Sobre julgamentos

O julgamento de jogador expulso deve ser realizado antes do próximo jogo. Veja que, se ele já cumpriu a suspensão automática e vier a ser absolvido, a injustiça já se perpetrou.

Finalmente: a adoção dos pontos corridos, mas com turnos estanques, de modo a viabilizar o recomeço e o confronto entre os vencedores de cada turno.

 

NR: artigos recentes que abordam as questões do futebol

http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2013/10/calendario-do-futebol-enfim-o-atleta-entra-em-campo/

http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2013/10/futebol-o-estado-e-a-seguranca-publica/


Atraso no pagamento da Bolsa atinge mais de cinco mil atletas
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José Cruz

Os 5.691 competidores de modalidades olímpicas e paraolímpicas contemplados com a Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte ainda não receberam o mês de setembro. Motivo: burocracia.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério, a renovação de contrato com a Caixa – pagadora da bolsa – está em fase de renovação.

“A previsão é que a renovação ocorra até o final deste mês, o que permitirá fazer o pagamento na primeira quinzena de novembro”, diz o comunicado.

A mesma nota informa que não haverá prejuízo monetário aos bolsistas.

Já o prejuízo no calendário de treinamentos não é citado, e abrange academias, técnicos, nutricionistas, alimentação, viagens etc.

Previsão

Para tentar recuperar o prejuízo, o Ministério do Esporte informa que “cada atleta irá receber mais de três parcelas de uma só vez”.

O Mnistério pretende, até o final do ano, quitar todas as parcelas de 2013.

Dinheiro

Segundo dados oficiais, o Ministério do Esporte tem este ano dotação de R$ 183 milhões para a Bolsa Atleta. Desse total já pagou R$ 87,7 milhões. Sobram R$ 95,3 milhões para chegar ao fim do ano.


CBF esvazia reunião de Romário, que não se abate
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José Cruz

“A diretoria da CBF só se mexeu e chamou os atletas para o diálogo quando viu que os assuntos seriam debatidos também na Câmara”

 Na queda de braço que trava com a CBF, há longo tempo, o deputado Romário recebeu o troco, hoje, quando o presidente José Maria Marin convocou reunião com representantes do Bom Senso FC para a próxima segunda-feira, às 14h.

A data e horário coincidem com a audiência pública que o deputado Romário (PSB/RJ) havia convocado há duas semanas, para debater sobre calendário e assuntos dos atletas profissionais,  na Comissão de Turismo e Desporto.

Com isso, a CBF esvaziou a reunião de Romário, que já foi suspensa, mas não conseguiu abalar o  “Baixinho”.

“Apesar de a CBF ter tentado prejudicar o debate que realizaríamos, vejo isso como um aspecto positivo, pois foi a partir da minha convocação para a audiência pública que sua diretoria se mexeu e chamou os atletas para o diálogo. E é isso que se quer, que haja o debate com os jogadores para que seus pleitos sejam atendidos. E eu poderei marcar audiência pública para outro dia”, disse o deputado, por sua assessoria de imprensa.

O estranho é que a CBF deixou o Ministério do Esporte fora da reunião de segunda-feira, no Rio de Janeiro. A pasta do governo federal que criou uma secretaria específica para o futebol foi ignorada por José Maria Marin, demonstrando que não há interesse da CBF em debater o assunto com representantes do governo Dilma.

Já na audiência na Comissão de Turismo e Desporto o Ministério do Esporte foi convidado e até havia confirmado presença. Ficou para a próxima.

Para saber mais:

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2013/10/22/bom-senso-confirma-reuniao-com-cbf-mas-ataca-federacao-de-atletas.htm

 

 

 


Futebol, o Estado e a segurança pública
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José Cruz

Por Cássio Cruz 

A oito meses do início da Copa do Mundo da FIFA, os dois maiores clubes, bem como órgãos públicos do Rio Grande do Sul, lamentavelmente, seguiram discutindo sobre a liberação de ingressos para o torcedor visitante no clássico Gre-Nal disputado no domingo, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro.

A polêmica, que também se constituiu previamente ao clássico do primeiro turno, girou em torno da segurança pública do Estado. Alguns órgãos alegaram que o clássico deveria ocorrer sem a presença de torcida visitante, enquanto outros alegavam que havia segurança para o torcedor, desde que em número bastante reduzido.

No Gre-Nal do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, a Polícia Militar do Rio Grande do Sul (Brigada Militar), afirmou a inexistência de condições à segurança para que mais de 1,5 mil torcedores do Sport Club Internacional pudessem estar presentes na Arena do Grêmio. Fatores como, riscos no deslocamento através de escolta policial, falta de acesso exclusivo para torcedores visitantes, obras inacabadas no entorno da Arena, bem como a falta de recursos públicos, foram os fundamentos explicativos.

O Grêmio, disposto a cumprir o que dispõe o Regulamento Geral das Competições (RGC) da CBF, mais precisamente em seu art. 86, que afirmou:

“O clube visitante terá o direito de adquirir a quantidade máxima de ingressos correspondentes a 10% da capacidade do estádio, desde que se manifeste em até três dias úteis antes da realização da partida, através de ofício dirigido ao clube mandante, necessariamente com cópia às federações envolvidas e à DCO”.

Assim, repassou tão somente os ingressos de acordo com o que autorizou naquele momento a Polícia Militar.Já no segundo clássico, domingo passado, em Caxias do Sul, a diretoria do Internacional quis repassar o mesmo percentual de ingressos ao torcedor visitante.

O Grêmio, por seu presidente, bateu o pé. Quis ver cumprido o referido Regulamento. Com isso, não aceitou os 500 ingressos disponibilizados, e, ainda, acionou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva que, em decisão liminar, determinou o aumento do número de ingressos que deveriam ser comercializados.

A decisão, em que pese tenha tido um resultado apenas satisfatório, considerando o pedido do clube, ao menos resguardou a essência de uma partida importante.

O clássico Gre-Nal, que faz parte da cultura do Estado do Rio Grande do Sul e que sempre teve a presença de torcedores visitantes em grande número, atualmente, tendo tal discussão ao seu redor, corre sérios riscos de ser presenciado por torcedores únicos, num período próximo.

Novamente temos no Poder Público, que lamentavelmente alega falta de recursos e logística para oferecer um direito social constitucional que todo cidadão tem, e observando ainda o mérito específico da questão, um direito que o torcedor tem disposto pela Lei nº 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor), que é o de ter segurança, o grande causador de toda a polêmica.

O Poder Público, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, prefere tornar ineficazes as normas que regulam a segurança pública, ao ter de proceder corretamente e com competência.

É lamentável ter de sentir que, quando o povo exige o cumprimento de deveres e obrigações do Estado, se solicita um favor. Estamos diante de uma grave troca de valores.

O detalhe contestável, é que estamos vivendo momentos que antecipam um evento como a Copa do Mundo. E isso, é mais uma comprovação, dentre tantas outras vistas e vivenciadas, de que, em se tratando de segurança, por conta da Administração Pública, o Brasil não oferece as condições ideais para sediar a maior competição internacional de futebol.

Cássio Cruz, estudante de Direito, trabalha no Departamento Jurídico da OAB/RS.


Governo atropela CBF, paga e promove campeonato feminino
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José Cruz

Na desordem das instituições do esporte brasileiro está claro que o ministério dirigido por Aldo Rebelo – criado há 10 anos – nunca se interessou por definir atribuições. Por isso, não se tem até hoje um plano para a descoberta de talentos. Agnelo Queiroz tentou, mas de forma eleitoreira, desastrosa e, por isso, corrupta. Não deu em nada, como de resto fracassaram suas tentativas de fazer alguma coisa pelo setor.

Mas está claro, também, que o Ministério do Esporte fez a opção definitiva pelo alto rendimento. Porque aí aparecem os resultados, aí comparece a mídia e, óbvio, nesse pódio estão os cartolas e os políticos. E políticos precisam de visibilidade, porque as eleições estão chegando. E, apesar de Aldo não ser candidato em 2014, seu partido, o PCdoB, precisa ficar bem na fita.

A mais recente invencionice do Ministério do Esporte revela uma “intervenção pacífica” na CBF, que nunca deu bola para o futebol feminino. Então, o Ministério do Esporte criou um campeonato nacional feminino, às pressas, para acabar ainda este ano.

As mulheres merecem, têm direito, claro!

Mas a questão é que o “Brasileirão Feminino” patrocinado com R$ 10 milhões da Caixa, foi organizado por quem deveria estar cuidado de política de esporte e não extrapolando sua competência para se meter numa área onde tem uma poderosa instituição com capacidade para tal.

Pior:

O Brasileirão Feminino do governo da presidente Dilma não pagou a arbitragem da primeira rodada. E o campeonato já está na segunda fase… como revela reportagem de Amanda Martimon do Correio Braziliense.

Com o jogo das mulheres, o Ministério faz marketing político, porque São Paulo é o principal centro de futebol feminino é lá que o ministro Aldo Rebelo quer fortalecer o seu partido, PCdoB, junto ao eleitorado feminino.

No link, a reportagem com os detalhes dessa aventura governamental.

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/10/21/desrespeito-as-damas

 


Calendário do futebol: enfim, o atleta entra em campo
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José Cruz

Na próxima segunda-feira, atletas que lideram o diálogo com a CBF sobre o calendário do futebol participarão de uma audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

Contribuindo para o debate, publico artigo de Lindberg Júnior, servidor público e apaixonado por futebol que estuda o assunto há muito tempo.

Em 2005 acompanhei a apresentação de Lindberg na sua conclusão de mestrado, na Universidade de Brasília, quando ele já tratava desse tema, que, agora, oito anos depois,  domina o debate entre cartolas e atletas. Confiram.

 

Por Lindberg Júnior

O Bom Senso F.C. é um movimento composto por mais de 300 jogadores profissionais dos principais clubes do futebol brasileiro e quer mudanças urgentes no calendário de 2014, divulgado recentemente pela CBF. Fazem parte desse movimento nomes de peso como os de Rogério Ceni (São Paulo), Paulo André (Corinthians), Alex (Coritiba), Dida (Grêmio), Juninho Pernambucano (Vasco), entre outros, o que demonstra a importância da iniciativa.

Para o bem do espetáculo e do fortalecimento do futebol brasileiro, os atletas querem reduzir o número de jogos na temporada, respeitar o período de férias e ter tempo para uma pré-temporada adequada. Além disso – mais importante de tudo –  reivindicam participação nos conselhos técnicos das competições e entidades.

A partir de 2003, o calendário do futebol brasileiro avançou bastante, especialmente após a adoção do campeonato brasileiro em pontos corridos e a redução na duração dos estaduais. Naquela ocasião, CBF, clubes, federações, TV Globo e o Ministério do Esporte participaram dessas decisões.

Os atletas ficaram de fora da discussão naquele momento. Por isso, aspectos fundamentais para a melhoria da qualidade do futebol, como a redução do número de jogos, férias e pré-temporada ficaram em segundo plano. Até que os atletas deram o grito – e nasceu o Bom Senso F.C.

O diagnóstico está feito no dossiê elaborado pelo movimento. A solução é que é complexa.

Sabemos que o debate sobre o calendário é um “estica e puxa” de interesses, uma verdadeira “batalha” por datas, envolvendo CBF, clubes, federações, TV, patrocinadores e, a partir de agora, os atletas.

Se o calendário atendesse aos interesses de todos esses atores, incluindo a recente proposta do Bom Senso F.C., as datas seriam assim distribuídas: Brasileiro (38), Estaduais (21), Copa do Brasil (20), Sul-Americana (10), Libertadores (17), Datas FIFA (7), Copa do Mundo (10), Superclássico das Américas (2), Mundial de Clubes (4), Férias (9) e Pré-Temporada (8). Ao todo, são 146 datas.

Só que o ano tem 52 fins e 52 meios de semana, um total de 104 datas disponíveis. A CBF resolveu esse problema para 2014 usando datas simultâneas: Sul-Americana com Copa do Brasil; Datas FIFA e Superclássico das Américas com Brasileiro e estaduais; e, pior de tudo, substituindo a pré-temporada pelos estaduais. Além do que, durante a Copa do Mundo, o futebol brasileiro vai ficar sem atividade. Dessa forma, espremeu o calendário.

E aí vem a complexidade dessa discussão. Onde cortar datas? Reduzir os estaduais? O Brasileiro? Iniciar a temporada em julho para que as férias coincidam com o período de Copa do Mundo? Negociar a Libertadores e a Sul-Americana com a Conmebol? Ou deixar tudo como está? Como realizar a transição do calendário atual para o próximo?

A solução tem que vir pela discussão entre todos esses interessados. De preferência, num fórum aberto, formal, transparente. Até para mostrar que decisões importantes no futebol brasileiro não podem continuar ser tomadas apenas nos bastidores e sem a presença do principal ator do espetáculo: os atletas.

Lindberg Júnior é servidor público e autor da dissertação de mestrado “O calendário do futebol brasileiro: um caso de processo decisório interorganizacional”, defendida em 2005, na Universidade de Brasília.

 


Inacreditável FC
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José Cruz

Uma imagem que nunca vi: Grêmio e Internacional abraçados, unidos pela moralização do calendário e o fim da exploração dos gananciosos cartolas, que impõem jogos quase que diários em campeonatos simultâneos.

Quando dois adversários históricos se unem dessa forma é porque a exploração está insuportável. Outro dia, o Internacional jogou duas partidas em 48 horas, com uma viagem no meio.

Os atletas de todas as modalidades precisam se conscientizar que sem eles não há competição. Sem atleta não existe clube, federação, confederação, cartola, ministério, nada!

É preciso deixar de olhar para seus próprios umbigos e tomar atitudes unidas para fortalecer o movimento nacional contra os exploradores do alto rendimento. Esses estão faturando alto das estatais e do governo federal, principalmente.

Na próxima mensagem, um especialista, Lindberg Junior, tratará sobre a questão do calendário do futebol, que está na ordem do dia dos debates do esporte e baterá no Congresso Nacional, onde a cartolagem tem forte representatividade.


Sem sofrimento não há resultados
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José Cruz

Por Wilson Teixeira

A legislação brasileira é farta, próspera. Na verdade, excessiva. Há diplomas legais para todo gosto. Que se cruzam, chocam-se, atropelam-se. E infernizam a vida do cidadão. Até mesmo do que teve a má ideia, em péssima hora, de inventá-lo.

O esporte, no Brasil, conta com diplomas vários. A fúria legiferante das autoridades eventualmente de plantão legou posturas inúmeras. Mas esqueceu-se de tornar obrigatória a prática do esporte na escola. E sem esporte na escola é impossível, a qualquer país, dispor de atletas de alto nível.

Um importante segmento de especialista em educação é, no Brasil, avesso à prática do esporte competitivo na escola. Defende a prática de atividade física, o esporte educacional, o esporte de lazer. Esporte, no entanto, nada tem a ver com exercitar-se, fazer polichinelos ou agachamentos.

Antes de chegar ao ponto nevrálgico, conto um fato da vida real: certo domingo, cinco pessoas saíram para um treino de ciclismo. E optaram por realizar um rendez-vous.

Explico: não se trata de frequentar um lupanar. Um rendez-vous é quando um ciclista puxa o grupeto por um determinado período de tempo, deriva e o que está imediatamente atrás passa a puxar, e assim consecutivamente, mantendo-se sempre alta a cadência e constante a velocidade.

Pedalamos, pelas vias de Brasília, com método, com disciplina, com força, com rigor. Mantendo a velocidade sempre alta. E sempre quer dizer no mínimo a 33 km/h, chegando a 45km/h em certos momentos.

Nem todo esporte é como ciclismo, maratona, maratona aquática, triatlo, iron man. Tiro com arco é esporte, modalidade que integra o programa dos Jogos Olímpicos. Mas igualmente como os esportes que exigem grande esforço físico, requer disciplina. Sob todos os aspectos. O que implica entrega.

Quem pratica esporte de alta intensidade tem a obrigação de treinar. De se submeter a uma disciplina exigente. Treinar com método e intensidade. Como fazia o maior corredor de todos os tempos, o tchecoeslovaco Emil Zatopek, o “Locomotiva”.

O objetivo de quem pratica esporte de alta intensidade tem de ser apenas um: sair da zona de conforto. Essa busca, esse compromisso, é o que diferencia praticar esporte de frequentar academia para realizar atividade física. Como diria o Barão de Itararé, “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”.

Quem se entrega ao esporte treina sempre. E quer sempre treinar mais. E com mais força. O que exige, além de método, entrega. Quando se bota a bicicleta na rua – ou sentamos na bicicleta ao rolo – é ida sem volta. A não ser que, por alguma razão inesperada, a pessoa “quebre”. Esporte é uma coisa. Lazer, outra. Sintetizemos: NO PAIN NO GAIN (sem sofrimento não há resultados).

Praticar esporte nesse sentido acima citado resulta em educação. O esportista que busca o alto rendimento, independentemente da idade, aprende que sem disciplina e método não vai a lugar nenhum. E sem alimentação e suplementação, também não.

Crianças que, na escola, têm a possibilidade de serem iniciadas em atividades físicas – do velho polichinelo às flexões abdominais – poderão, um dia, tornar-se atletas de alto rendimento. Mas para que isso seja possível, só tem uma saída: praticar esporte.

O problema é que neste país inexiste a iniciação esportiva  na escola. E por inexistir, quando aparece um Guga, uma Maria Esther, um Cielo, um Zanetti, um Adhemar Ferreira da Siulva, Marilson dos Santos, Manoel dos Santos e outros, que se tornam campeões em modalidade solitárias, é por singelo motivo: apesar de não terem sido incentivados quando crianças, decidiram, por conta e risco, saírem da zona de conforto.

Wilson Teixeira é jornalista e dedica este texto aos amigos de pedal Ivam, Maurício, Bob,  Gaúcho e Leandro

 


Presidente da APO não assumiu, mas disputa interna é grande
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José Cruz

Não serão apenas os  temas “olímpicos” que ocuparão a agenda do general Fernando de Azevedo e Silva, novo presidente do consórcio da Autoridade Pública Olímpica (APO), no Rio de Janeiro.  A posse do general deverá ocorrer na próxima semana, assim que a presidente Dilma assinar o ato de nomeação.

Além da falta de orçamento, da matriz de responsabilidade – cobradas insistentemente pelo TCU (Tribunal de Contas da União) – e atraso em algumas das principais instalações, como o prédio do laboratório de combate ao doping (Ladetec), o general-presidente enfrentará  problemas internos, próprios das autarquias que devem ter estrutura técnica mas sofrem influências políticas, como da ministra do Planejamento, Mirian Belchior.

Quando saiu da sabatina no Senado Federal, o general disse que só se manifestaria sobre detalhes da APO depois da posse. Faz sentido. Mas, enquanto isso, a disputa é grande, porque envolve salários valiosos e prestigiados cargos.

Até agora, o general está em silêncio e não anunciou, oficialmente, um só nome de diretores sua equipe.

Mas uma das diretorias que desperta muito interesse interno é a de “Operações e Serviços”, atualmente chefiada por Rejane Penna, pois é ali que se concentram as decisões sobre grande parte das viagens internacionais.

Enquanto isso…

O Exército criou uma estrutura especial, a AJO,  (Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016).

A iniciativa foi do Alto Comando da força militar, chefiado pelo general Enzo Peri. A AJO prevê a atuação de 15 militares, sendo um general de divisão, três generais de brigada, nove coronéis e dois majores.

Nos últimos quatro meses, a AJO se integrou aos demais organizadores do Rio-2016 e passou a canalizar todos os assuntos referentes ao exército. Durante os Jogos, a área militar na região de Deodoro será um dos principais palcos, por receber diversas disputas.

Experiente em estratégias militares, o general-presidente da APO,Fernando Azevedo e Silva, enfrentará no novo cargo uma “guerra pacífica” política-administrativa, mas em campo minado por cargos e de evidente “disputa bélica” …